Arguido foi julgado por homicídio simples, mas acabaria condenado por homicídio negligente grosseiro por uso de arma
O Tribunal de Almada condenou, recentemente, um homem de 49 anos, a 5 anos e 9 meses de prisão pelo homicídio do filho, de 17 anos, à facada quando os dois agrediam um vizinho com quem se desentenderam no Montijo.
O arguido foi julgado por homicídio simples, mas acabaria condenado por homicídio negligente grosseiro por uso de arma. Também foi condenado pelo mesmo crime, na forma tentada, contra o vizinho.
O crime aconteceu no dia 28 de abril de 2025 na Rua Amadeu Moura Stofell, no centro do Montijo. O arguido, Richard da Silva, motorista de empilhador, a mulher e o filho, Bryan Santos, tinham histórico de discussões com o vizinho. Este queixava-se do consumo de estupefacientes, por Bryan, no pátio comum junto às moradias onde morava com as duas filhas menores de cinco e 10 anos.
No dia do crime, o vizinho confrontou e acusou Bryan de ter agredido a sua mulher uns dias antes. Horas depois, já durante a tarde, Bryan, confrontou-o e gerou-se uma troca de agressões, durante as quais interveio Richard, que se juntou a Bryan nas agressões. O arguido muniu-se de duas facas de cozinha, com 18 centímetros de comprimento e com o intuito de agredir e tirar a vida ao vizinho.
O alvo de Richard e o filho Bryan fugiu e escondeu-se nuns arbustos, mas foi encontrado e acabou por ser derrubado junto a uma viatura estacionada perto de casa. Aqui, quando estava prostrado, foi acercado e agredido pelos dois atacantes. Bryan agrediu-o com uma pedra, ao mesmo tempo que o seu pai o tentava esfaquear, num plano superior ao de Bryan. Foi nesse momento que, de forma negligente, atingiu o próprio filho, atingindo-o nas costas e perfurando o pulmão.
Os confrontos prosseguiram apesar de Richard ter atingido o filho, tendo inclusive ido atrás do alvo quando este conseguiu levantar-se e fugir pelo próprio pé. Numa rua adjacente à do crime e apercebendo-se que o filho encontrava-se em dificuldades por outros vizinhos o terem alertado, o arguido foi em seu socorro e acabou por o acompanhar até ao Hospital do Montijo, transportado por vizinhos.
A vítima acabaria por falecer no hospital e o pai detido pelo seu homicídio, bem como as tentativas de homicídio do vizinho.