Jorge Pinto diz que Chega vai querer rever Constituição quando tiver um escândalo interno

Jorge Pinto diz que Chega vai querer rever Constituição quando tiver um escândalo interno

Jorge Pinto diz que Chega vai querer rever Constituição quando tiver um escândalo interno

Fotografia: António Cotrim/Lusa

Candidato insistiu que “uma revisão constitucional drástica sem que os portugueses tenham sido tidos ou achados não passará”

O candidato presidencial Jorge Pinto afirmou que o Chega avançará com um processo parlamentar de revisão constitucional “quando voltar a haver outro escândalo” no partido e propôs a realização de um estudo sobre a resiliência democrática portuguesa.

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Numa tertúlia organizada pela Coisa Pública no Ateneu Popular do Montijo, o candidato a Belém apoiado pelo Livre voltou a alertar para os riscos de a direita avançar com uma “golpada” através de uma revisão constitucional, alertando que esse processo pode avançar já este ano e antevendo que o Chega o fará no próximo “escândalo” que atingir o partido.

“Acreditem, quando voltar a haver algum outro escândalo, quando voltar a haver algum outro caso de roubo ou de prostituição de menores, o Chega vai avançar com esse processo de revisão constitucional. Eu não tenho a mais pequena dúvida disso”, alertou, numa sessão em que respondeu a algumas perguntas do auditório presente no Montijo.

Jorge Pinto acrescentou também que tem receio de que o “não é não” prometido pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, em relação a acordos com o Chega “se volte a não aplicar” como “já se viu que não aplica” noutros casos e se viabilizem alterações à Constituição propostas pelo partido liderado por André Ventura.

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O candidato insistiu que “uma revisão constitucional drástica sem que os portugueses tenham sido tidos ou achados não passará” por si e a proteção do texto fundamental foi um dos grandes motivos para ter apresentado a sua candidatura.

Jorge Pinto acusou ainda o candidato João Cotrim Figueiredo de, logo após as últimas legislativas, ter defendido que o atual “momento fosse aproveitado para haver uma revisão constitucional apenas à direita” e pediu que fossem ouvidos os sinais que estão a ser dados.

O candidato a Belém fez também a promessa de, caso seja eleito, encomendar um estudo sobre a resiliência do sistema democrático português logo no primeiro mês após a sua tomada de posse como chefe de Estado, explicando que esse tipo de levantamento foi feito noutros países como em França, onde se descobriu que, com a extrema-direita no poder, bastariam 18 meses para se alterarem os fundamentos da República francesa.

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“Quanto tempo é que será preciso em Portugal? Mais? Menos? O que é que acontecerá numa eventualidade de termos já este ano, 2026, uma revisão constitucional drástica da Constituição que nós sabemos o que é que pode lá estar”, questionou.

Jorge Pinto acusou também o líder do Chega, André Ventura, de “trair os portugueses” porque “apoia um líder estrangeiro que diz que quer destruir o projeto europeu” ao qual Portugal pertence.

“É importante que os portugueses tenham a perfeita noção e consciência de que essa traição vem de fora, mas também vem de dentro. Que esses ataques aos nossos princípios democráticos vêm de fora, mas que também vêm de dentro. E neste momento é o Chega, é André Ventura quem representa esta linha autoritária de Donald Trump e Vladimir Putin”, atirou.

Jorge Pinto lembrou ainda que, no último processo para alterar a Constituição iniciado no parlamento, foi proposta a retirada dos limites materiais da revisão constitucional e João Cotrim Figueiredo, então deputado único da IL, quis a retirada do artigo que defende o direito à criação e à fruição cultural.

O candidato apoiado pelo Livre defendeu também nesta tertúlia que se mantenha o “equilíbrio democrático” nas nomeações para o Tribunal Constitucional, argumentando que não é inevitável que o Chega nomeie juizes para o Palácio Ratton e apelando a diálogo entre esquerda e direita no parlamento.

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