SINTAP acusa autarquia de tentar “boicotar” reunião e intimidar trabalhadores não docentes. Fernando Caria refuta “inverdades”
Cerca de 200 funcionárias não docentes das escolas do concelho do Montijo participaram, na última terça-feira, num plenário do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), que ficou marcado por críticas à Câmara Municipal. A ação decorreu no ringue do Parque Municipal Carlos Hidalgo Gomes de Loureiro, com o SINTAP a acusar a autarquia de obstaculizar a realização da reunião e de ter tentado intimidar os trabalhadores. Mas, Fernando Caria, presidente da Câmara, refuta as acusações e salienta que “o sindicato deve servir para defender os trabalhadores e não para lhes incutir inverdades”.
Segundo Joaquim Grácio Ribeiro, coordenador regional do Alentejo do SINTAP, a Câmara do Montijo tentou obstaculizar a realização do plenário ao ter rejeitado os vários pedidos de cedência de um espaço para o efeito. “É lamentável que nos tenham obrigado a vir reunir para debaixo do Sol, sem condições. Tínhamos assumido a realização da reunião neste mês e solicitámos várias vezes um espaço à autarquia. Disseram-nos que os espaços estavam ocupados com atividades, mas fomos verificar e não estavam ocupados coisa nenhuma”, disse o responsável sindical, ao mesmo tempo que acusou a autarquia de ter tentado “intimidar os trabalhadores” para que se registasse uma “desmobilização”.
“Fizeram uma ordem de serviço interna a dizer aos trabalhadores das escolas que nós não passámos justificação da presença [de cada uma] das pessoas e que em tempos anteriores costumávamos passar. Isso é uma calúnia. Nunca na vida passámos justificações a ninguém, até porque não temos legitimidade para isso”, afirmou.
Fernando Caria lamenta as declarações e vinca que os espaços solicitados para as datas pretendidas estavam de facto ocupados. “A 20 de março pediram o auditório da Casa do Ambiente para dia 26, respondemos que nesse dia decorreria uma formação no local e sugerimos 14 de abril. No dia 15 de abril pediram o Cinema Teatro Joaquim d’Almeida. Estava ocupado e dissemos que a partir de finais de junho e até ao final de julho qualquer dia estaria disponível. Disseram-nos que não e pediram em alternativa o Pavilhão Municipal n.º 2 para 20 de maio, que também tinha nesse dia atividades com associações e clubes. Por fim pediram o ringue do Parque para 26 de maio”, detalhou.
Quanto à acusação de tentativa de intimidação, o líder do executivo municipal foi perentório: “É falso! A única coisa que fizemos foi pedir que nos enviassem uma folha de presença para justificar as faltas de quem iria ao plenário. Não há perseguição nem intimidação a ninguém. Se alguém foi intimidado, fui eu, num e-mail que enviaram a dizer que iriam ter seis elementos nos Paços do Concelho quando acabasse o plenário”, revelou o edil.
“Comunicámos que iríamos aos Paços do Concelho, para mostrar o nosso descontentamento em relação ao que se tem passado e à forma de boicote (entre aspas) à nossa reunião, e foi-nos dito que o sr. presidente, por um compromisso já assumido, não iria estar presente, mas que iria agendar uma reunião connosco. Vamos ver para quando”, admitiu Joaquim Grácio.
O SINTAP reivindica, entre outras questões, a recuperação de dias de férias em função da idade dos trabalhadores e também que o direito a folga referente ao dia de aniversário dos funcionários possa ser sempre usado em dia útil. Fernando Caria diz que a autarquia está “aberta a negociações” e admite que “pessoalmente concorda com o direito à folga de aniversário para todos”.