1 Março 2024, Sexta-feira
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Agricultores em protesto condicionam acessos à Ponte Vasco da Gama

Estão formadas várias equipas uma vai até à Moita e volta para Alcochete, através do IC33, outra sai na rotunda do Montijo e volta a entrar no IC33, rumo a Alcochete

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Cerca de 80 tractores e outras viaturas de apoio a actividades agrícolas estão hoje a condicionar o trânsito nos acessos à ponte Vasco da Gama, num protesto que deverá prolongar-se até ao meio-dia.

Uma concentração que O SETUBALENSE avançou ontem em primeira-mão, onde referia o esperado corte de trânsito ao Montijo e Alcochete (ver notícia: Agricultores avançam nesta sexta-feira com bloqueio aos acessos à Ponte Vasco da Gama).

“Formámos várias equipas, uma vai até à Moita e depois volta para Alcochete, através do IC33, outra equipa está a sair na rotunda do Montijo e volta a entrar no IC33, rumo a Alcochete, tudo dentro da legalidade e acompanhado pelas autoridades”, disse André Miranda, um agricultor de Palmela que participa neste protesto de agricultores da Península de Setúbal, mas também dos concelhos de Alcácer do Sal, Grândola e Vendas Novas.

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“Temos outro grupo de agricultores a circular na Reta do Cabo, com pessoal do Ribatejo, numa marcha lenta que também está a ser acompanhada pela GNR, mas que está a causar grandes constrangimentos no trânsito”, acrescentou André Miranda, admitindo que, mesmo sem haver bloqueio de estradas, o protesto “está a provocar grandes dificuldades aos automobilistas”.

Segundo André Miranda, que se dedica à exploração de produtos hortícolas no concelho de Palmela, no distrito de Setúbal, grande parte dos agricultores da região envolvidos neste protesto nem sequer recebem subsídios do Estado ou da União Europeia.

“O que nós queremos é a valorização do sector primário, porque, muitas vezes, a diferença entre o preço pago ao produtor e o preço pago pelo consumidor final, pela cebola, pela cenoura ou pela batata, é de mais de 300% do que o preço pago à produção. Exigimos que haja um controle maior porque não somos nós que ganhamos o dinheiro. Se houvesse maior regulação, era bom para o agricultor e para o consumidor”, defendeu.

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André Miranda salientou ainda que os agricultores da região de Setúbal, tal como muitos outros produtores europeus, lutam também contra a “concorrência desleal” com outros países, que utilizam produtos químicos e adubos na produção, mas que exportam os seus produtos para a Europa sem estarem obrigados a cumprir as regras impostas aos agricultores dos países da União Europeia.

“Não existe uma legislação, não existe um controlo sobre a origem desses produtos e para verificar se têm resíduos ou não. Nós cá, na Europa, temos que produzir quase tudo com `resíduo zero´. Tudo o que vem de fora, nada é controlado, vale tudo e podem trabalhar de qualquer maneira”, disse.

“A Europa está sozinha no mundo. Não vale a pena remar contra a maré porque a Europa está sozinha no mundo. É o mundo contra a Europa”, acrescentou André Miranda.

Os protestos dos agricultores portugueses foram organizados pelo Movimento Civil de Agricultores, que se juntou às manifestações que têm ocorrido noutros pontos da Europa.

Na quarta-feira, o Governo avançou com um pacote de ajuda aos agricultores, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), que não travou os protestos agendados para hoje, de Norte a Sul do país.

Segundo a informação disponibilizada na quinta-feira à Lusa, a maior parte das medidas que integra o pacote de apoio entra em vigor ainda este mês, com excepção das que estão dependentes de ‘luz verde’ de Bruxelas.

No contexto europeu, a Comissão Europeia vai preparar com a presidência semestral belga do Conselho da UE uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores, que será debatida pelos ministros da Agricultura dos 27 Estados-membros do bloco europeu no próximo dia 26 de Fevereiro.

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