8 Dezembro 2022, Quinta-feira
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‘João Fantasia’ e Joaquim Correia travam proposta mal formulada para maior Carnaval de sempre

Vereadores de PSD e CDU criticam gestão PS. Canta ‘rebaptizou’ Afonso. Apoio de 165 mil euros à Somos Peixinho ‘bate na trave’. Corso nocturno é novidade

 

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Pela primeira vez o Carnaval do Montijo prevê a realização de um corso nocturno, além dos dois habituais desfiles diurnos. Mas a realização do maior evento de sempre (em termos de cortejos) não está ainda garantida. A proposta de um apoio de 165 mil euros à Associação Somos Peixinho, para a organização das comemorações, acabou retirada, na reunião de câmara que decorreu na passada quarta-feira em Sarilhos Grandes, para ser reformulada e voltar a ser apreciada numa próxima sessão.

Em causa esteve o facto de na proposta não estar detalhada a orçamentação que sustentasse o valor do apoio financeiro, apesar de constar no documento que “todo o planeamento e supervisão da organização” do Carnaval era da responsabilidade da Câmara Municipal. A situação foi identificada pelo vereador social-democrata João Afonso – apelidado de “João Fantasia” por Nuno Canta, presidente da autarquia, durante a discussão do documento – e também pelo vereador Joaquim Correia, da CDU. Nuno Canta viria a admitir que a proposta podia “não estar bem escrita”, mas, vincou, estava “bem elaborada”. Ainda assim, optou por retirar o documento para ser reformulado e apresentado em reunião posterior.

Para trás ficava uma discussão acalorada, com várias críticas de João Afonso à forma e ao conteúdo de como a gestão PS se posicionou em todo o processo. “Esta proposta tem situações impressionantes e escandalosas, que merecem um elevado grau de censura do PSD”, disse o social-democrata, que logo à partida condenou o aumento do apoio de 60 mil euros – valor atribuído na última edição (em 2020) à mesma associação – para 165 mil euros.

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“Numa crise social brutal, o senhor [presidente] vem dizer-nos que temos de pôr mais 105 mil euros no Carnaval. É uma questão de prioridades, que o PS tem invertidas. Mas também é escandaloso por esta associação não ter capacidade para gerir este dinheiro. A associação não tem contas aprovadas de 2019, 2020 e 2021. É inaceitável que entreguemos [165 mil euros] a uma associação que tem um orçamento anual de 4 mil euros – aprovaram as contas de 2016, 2017 e 2018 de uma única vez e o que têm de receita é 12 mil euros. Vamos jorrar para esta associação 165 mil euros. Isto não é criminal, é criminoso”, disparou, antes de criticar que “a supervisão e coordenação” de todo o Carnaval pudesse estar vertida na proposta sob a responsabilidade da autarquia.

Além disso, o vereador do PSD apontou à falta de informação no documento. “Estamos a discutir uma proposta estratosférica, quando não sabemos quantos carros alegóricos e figurantes vão desfilar, quanto custa cada carro, cada figurante e músicos. Não sabemos nada, temos um valor global e agora aprova-se por fé. O desfile nocturno não pode encarecer de 60 mil para 165 mil euros [o evento]”, juntou, mais à frente no debate.

Nuno Canta defende opção política

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Pouco antes, Nuno Canta já havia defendido que João Afonso analisou o documento de forma enviesada. “O vereador olhou para esta proposta e leu tudo ao contrário. Não há supervisão nenhuma da Câmara. Isso é para cumprir as normas de controlo interno”, justificou. E mais adiante, já depois do vereador Joaquim Correia ter insistido com a leitura dessa mesma formulação, presente em duas partes do documento, o socialista reforçou: “A atribuição de apoios financeiros cumprem uma regra, que é a norma de controlo interno. O que temos aqui não é o planeamento do Carnaval, mas sim todo o enquadramento da norma. Era o que devíamos ter aqui, mas podemos até refazer a frase. Admito, porventura, que a formulação não esteja correcta”.

De permeio, o presidente da autarquia lembrou que no caso de a associação não ter as contas aprovadas ou ter dívidas à Segurança Social ou às Finanças não receberá qualquer apoio. “Mesmo votando hoje [quarta-feira passada], se não tiver essas regras cumpridas, não recebe o dinheiro”.

E quanto ao volume do apoio, Nuno Canta foi peremptório: “O acréscimo [em relação à edição de 2020] é essencialmente relativo a toda a concepção artística dos carros e à iluminação para o corso nocturno. É um apoio elevado? É! É uma opção política, queremos fazer o Carnaval maior e melhor. O vereador não gosta porque nós ficaremos mais bem-vistos pelo povo do Montijo.”

Ao mesmo tempo, Nuno Canta garantiu que a Câmara não irá desproteger ninguém com o apoio ao Carnaval. “Isso é fantasia do vereador. Aliás, o vereador até se devia chamar ‘João Fantasia’, porque cria na ideia das pessoas que estamos a gastar uma coisa e tiramos de outra”, atirou na direcção de João Afonso.

Já Joaquim Correia apontou à incongruência da proposta. “Todo o planeamento, pela proposta, é feito pela Câmara. Se assim é, o planeamento financeiro está incluído e a Câmara tem de saber quanto vai custar. Não é uma associação vir pedir o que lhe apetece. Não sei se este dinheiro está bem ou mal, porque não tenho justificação [na proposta]. O que temos aqui é ‘passar um cheque em branco’”, observou. E, a terminar, deixou clara a posição da CDU: “Nós queremos o Carnaval no Montijo, mas também queremos saber quanto vai custar na totalidade, porque isto é uma parte e vai custar muito mais”.

A proposta acabou por ser retirada da discussão para ser reformulada e deverá ser submetida a votação na próxima reunião do executivo.

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