16 Janeiro 2022, Domingo
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Misericórdia lança livro que desvenda verdadeira data de fundação

Obra de João Costa foi apresentada na Igreja da Misericórdia. Autor desmistifica informação que até hoje apontava para 1568. Santa Casa só pode ter sido fundada a partir de 1571

 

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“A Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo 1571-1910” intitula o livro, da autoria de João Costa, sobre a história da Santa Casa do Montijo. A obra, lançada no passado domingo, na Igreja da Misericórdia, vem alterar aquela que até aos dias de hoje era tida como data da fundação da instituição.

O autor João Costa, 34 anos, investigador na Universidade Nova, iniciou o projecto em Janeiro de 2019 e durante a cerimónia explicou como a data da fundação da Misericórdia do Montijo só pode ter acontecido a partir de 1571 e não em 1568.

“A primeira pessoa a estudar com mais pormenor a Misericórdia foi José Simões Quaresma e no seu trabalho, em meados do Século XX, afirmou que a Misericórdia teria sido fundada em 1568. Isto porque existia um caderno de Fernão Fidalgo, mestre pedreiro que trabalhou nas obras da casa do despacho e da igreja, que apontava para essa data”, começou por explicar. Trata-se de “um caderno com documentação de 1573 até 1575/76” e contém “um documento do contrato que diz que as obras tinham de terminar em 1575”. E, no entender de João Costa, “José Simões Quaresma não interpretou bem essa data”.

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O documento em baixo “tinha a data em numeração árabe e não na galaico-portuguesa”. Na numeração árabe “estava lá escrito 1568, mas foi o escrivão do documento de baixo que se enganou”. Mais tarde, Costa Godolfim “edita um livro, em 1897, sobre as misericórdias, com uma tabela onde faz a síntese dessas instituições e a data de fundação”. E lá surge Aldeia Galega. “Mas ele não diz se é a Aldeia Galega da Merceana, Alenquer, ou a de Ribatejo, Montijo. Ora, quando cruzamos a informação da obra do Godolfim com toda a que é conhecida para a Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo é impossível que esta tivesse sido fundada em 1568”, afirma. E reforça: “A partir de 1571 podemos considerar que há a Misericórdia [de Aldeia Galega do Ribatejo] e em 1572 há a primeira lista de irmãos [da instituição]. Faz todo o sentido este novo cronograma”.

Antes, Ilídio Massacote, recém-eleito provedor da Misericórdia do Montijo, lembrou que a obra “é um trabalho da mesa anterior” e que constitui “um marco histórico” na cultura local e até do País. Também Cardoso Ferreira, da União das Misericórdias Portuguesas e provedor da Santa Casa de Setúbal, sublinhou a importância do trabalho. “Este é um grande momento da Santa Casa do Montijo. O que estão aqui a fazer é intemporal”, considerou. O livro, apresentado pelo professor João Alves Dias, não conclui, de resto, o projecto iniciado por João Costa há dois anos. Na forja estão mais dois volumes. “O próximo terá uma cronologia entre 1600-1601 até 1755. E o terceiro terminará com a implantação da República”, revelou o autor, a concluir.

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