7 Outubro 2022, Sexta-feira
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Líder do PAN “engolida” por aficionados da festa brava no Montijo

Várias dezenas de elementos de tertúlias e grupos de forcados locais, entre outros, não pouparam nos assobios a Inês de Sousa Real e à comitiva do PAN

 

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“Tauromaquia é cultura”, “Inês de Sousa Real e o PAN não são bem-vindos ao Montijo”, “Em defesa da nossa cultura e do mundo rural”. As três frases deram corpo a outras tantas tarjas com que várias dezenas de aficionados receberam a líder do PAN, que se deslocou à cidade montijense em acção de campanha nesta segunda-feira.

Com mais de duas horas de atraso do que o inicialmente previsto, Inês de Sousa Real juntou-se a Miguel Dias, cabeça-de-lista pelo partido à Câmara Municipal do Montijo, e a alguns apoiantes na zona ribeirinha da cidade, já para lá das 19 horas. A escassa distância, sem arredar pé do local, encontravam-se os aficionados da festa brava – elementos das diversas tertúlias montijenses e dos grupos de forcados locais, entre outros –, que manifestaram descontentamento e receberam a comitiva com um coro de assobios.

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António Sécio, antigo cabo do Grupo dos Forcados Amadores do Montijo, explicou o motivo do protesto. “Estamos aqui para defendermos a cultura portuguesa. Não só a tauromaquia como também o mundo rural. A tauromaquia, a caça, fazem parte da nossa tradição. Não se podem perder. O que estão a fazer é um atentado a todas estas nossas tradições”, disse a O SETUBALENSE, quando o grupo ainda se encontrava na Praça da República.

A justificação foi reforçada por Dário Peixinho, que preside à Tertúlia de S. Pedro. “É o marcar da nossa posição contra o que entendemos ser um atentado à democracia e à liberdade de todos, quando tentam submeter-nos a uma imposição. Não há ninguém que goste mais dos animais do que os aficionados. Aqui no Montijo, que é uma terra de gente de toiros, de gente da borda d’ água, não queremos cá esta gente. Estamos a defender a tauromaquia e o mundo rural. Respeitem os nossos gostos, que nós respeitamos os deles”, afirmou.

Visão diferente tem o PAN e os apoiantes do partido, conforme fez notar Inês de Sousa Real. “Nós defendemos um passo civilizacional, que é deixar de provocar sofrimento aos animais na arena, defendemos que a actividade tem de ser repensada, tem de ser reconvertida numa actividade em que não exista qualquer componente de sofrimento animal, mantendo-se os trajes, as coreografias”, defendeu a líder do partido.

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“Aquilo que nós também defendemos, e continuaremos a defender sempre, é uma sociedade mais empática e de maior respeito”, adiantou, ao mesmo tempo que considerou que, num estado democrático, não se podem admitir ofensas pessoais ou ameaças. E assegurou que nas iniciativas do PAN contra as touradas nunca houve protestos ofensivos.

A versão era, porém, contestada pelos defensores da tauromaquia. “Colocam-se habitualmente à porta das praças de toiros a gritar ‘assassinos’, ‘assassinos’…”, afirmaram alguns elementos do grupo, que nunca deixou de seguir de muito perto os apoiantes e membros do partido, com apupos.

Perante o ruído, a comitiva acabou mesmo por se deslocar para outro local, acompanhada de perto pelos aficionados que nunca pouparam nos apupos.

Apesar de quase “abafada” pelos protestos, Inês de Sousa Real ainda conseguiu falar aos jornalistas presentes e lembrar que a deslocação ao Montijo teve também outros objectivos.

“Nós estamos aqui não apenas para falar de protecção animal, mas também, como é óbvio, para falarmos daquilo que são as preocupações dos munícipes, que são preocupações às quais o PAN não irá virar as costas. Não nos podemos esquecer que o concelho do Montijo tem muitos outros problemas, nomeadamente em matéria social, em matéria também do aeroporto”, vincou a responsável pelo PAN, que recordou ainda os 4,2% que o partido obteve no concelho montijense nas autárquicas de 2017.

Com Lusa

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