28 Janeiro 2022, Sexta-feira
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Pedro Ferreira: “O socorro no Montijo esteve sempre garantido… houve aqui aproveitamento político”

O novo Comandante dos Bombeiros Voluntários do Montijo diz que as coisas “nunca estiveram tão mal como quiseram fazer transparecer”

 

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Foi empossado, no passado dia 6, Comandante dos Bombeiros Voluntários do Montijo, num dos momentos mais conturbados da vida da instituição. Pedro Ferreira, 51 anos, nascido e criado até aos 14 em Lisboa, desdramatiza o recente conflito entre elementos do corpo activo e órgãos sociais ao considerar que a situação “foi empolada demais”.

Aponta os principais vectores do projecto que quer implementar e confessa que não esperava “tão boa” recepção no seio do grupo, cuja maior parte defendia uma solução interna para o cargo. Chega da corporação Cruz Lusa, de Faro. Antes tinha estado na Sul e Sueste, do Barreiro, onde reside, depois de se ter iniciado “nos bombeiros de Alverca em 1985-1986”. Casado e com um filho de 19 anos é conhecido como chefe Davidoff. “Porque sempre usei perfume Davidoff e fumava – deixei há sete ou oito anos – charutos e cigarros dessa marca”, explica.

Como e quando surgiu a primeira abordagem para vir para os bombeiros do Montijo?

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Foi uma hipótese que não foi apresentada por ninguém da direcção. Disseram-me que o Comandante Américo ia sair por limite de idade e respondi que não conversava com ninguém enquanto ele estivesse em funções. E sobre o 2.º Comandante Luís [Silva], que seria a escolha lógica para a continuação, a resposta que me deram foi que a direcção não ia dar continuidade ao Comando. Só nos finais de Fevereiro é que começámos a falar e apresentei um projecto [à direcção]. Tenho uma estima muito grande por ambos.

Falou com eles?

Achei que não o devia fazer antes, para não incendiar mais as coisas. Comecei a encetar conversações com a direcção após a saída de funções do Comandante Américo. Por respeito. Até porque enquanto existe um comandante em funções não tem de andar outro a ser sondado. Com o Comandante Interino Luís, não. Mas no dia da minha tomada de posse ele desejou-me as maiores felicidades e manifestou-me todo o seu apoio. A verdade é que já lhe falei várias vezes, por algumas questões, e ele tem-me ajudado muito, tal como os outros elementos de Comando que têm sido inexcedíveis.

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Assumiu o Comando numa fase conturbada, face ao diferendo entre bombeiros e órgãos sociais. Como estão as coisas?

Nunca estiveram tão mal como quiseram fazer transparecer. O socorro esteve sempre garantido. O que transpirava para fora não era exactamente o que se passava cá dentro. Dava jeito empolar um pouco mais, para tentar ter a opinião pública a favor de certas coisas. Neste momento, continuamos a prestar o socorro à população conforme prestávamos, estamos é a mudar um pouco a organização. Um Comandante novo quer colocar o seu cunho pessoal. Acho que consigo melhorar o socorro e é isso que estamos a tentar fazer. O socorro no Montijo nunca esteve em causa.

Mas foram os bombeiros a dizer que estava. Como pensa ampliar a capacidade de resposta?

Para já, estamos a tratar da contratação de mais pessoal especializado, desde logo tripulantes de ambulâncias de socorro. Agora, se tiver três ambulâncias na rua (como quase sempre) a fazer emergência médica e aparecer uma nova emergência, se calhar temos dificuldade. Porque não existem mais ambulâncias, temos quatro. Se não tivermos disponibilidade, temos de chamar outras corporações. Tal como nos chamam a nós, quando precisam. Acontece o mesmo em todo o lado. A situação foi empolada demais.

Por que acha que foi empolada demais?

A certa altura vi algum aproveitamento político, para atacar a Câmara… Estamos em época de eleições. Os bombeiros são uma instituição muito apetecível, porque dão projecção. Estou aqui para servir os bombeiros e não para me servir dos bombeiros. Infelizmente, há pessoas que usam isto para outro tipo de projecções. Notei que estava um pouco de vida política metida neste meio. Houve uma altura em que os bombeiros foram apanhados naquele jogo. Uns conseguiram perceber, outros não.

Os bombeiros não foram informados da sua tomada de posse, nem pela direcção nem pelo Comando. Isso é normal?

Não é que considere normal, mas percebo as razões. Com tudo o que se passou, com tudo o que foi para a Comunicação Social – umas coisas com alguma verdade outras com menos verdade –, a direcção não quis correr alguns riscos e decidiu fazer assim. No entanto, o Comando e os chefes foram convidados. A homologação que veio da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil chegou às 10 da manhã e a tomada de posse foi à noite.

Mas gostaria de ter tido a seu lado os seus homens…

Poderiam estar ao meu lado, mas devido à velocidade que tudo tomou e à pressa que havia de resolver as coisas… Foi uma opção da direcção. As direcções são quem manda. Quer gostemos ou não, a lei é esta. Se gostei da minha tomada de posse? Não gostei. Gostaria que fosse de outra forma. Mas foi assim que a minha direcção decidiu. Agora vamos tentar dar a volta às coisas e andar com isto para a frente.

Chegou a pensar em não vir para o Montijo, já que grande parte dos bombeiros defendia para o cargo uma solução interna? Isso não o afectou?

Quando sabemos isso, claro que afecta. Não somos insensíveis. Não ao ponto de querer desistir, mas afectou-me. Ainda para mais sabendo que a solução era uma pessoa que admirava e que considero um excelente profissional. A principal solução era a continuação do 2.° Comandante Luís. Mas, a direcção decidiu mudar de rumo e esse é um direito que lhe assiste.

Sente união dos bombeiros em seu torno ou há ainda algum caminho a percorrer?

Há sempre. A primeira coisa que fiz foi marcar reuniões com grupos de oito bombeiros, dos mais aos menos graduados, para me dar a conhecer, apresentar o meu projecto e conhecer os bombeiros. Notei logo ali uma aceitação sobre o que me propunha a fazer. Noto que estes bombeiros são inexcedíveis em termos de trabalho e que têm muita vontade de aprender. Noto o respeito que têm por mim como tenho muito por eles. A resposta perante toda a situação e a entrada de um novo comandante foi muito positiva. Atrevo-me a dizer que não esperava que fosse tão boa.

Já identificou as principais carências da corporação?

São iguais às carências das mais de 440 corporações no País. Há uma falta muito grande de investimento nos bombeiros a nível nacional e o Montijo não é diferente. Temos uma vantagem, que outras corporações também têm, que é um apoio enorme da nossa Câmara Municipal. Sei, por toda a história que fui vendo, que o presidente da Câmara tem sido inexcedível nos apoios financeiros que tem dado. Aliás, no sítio onde me encontrava, em Faro, quem me dera que a Câmara desse metade do que esta Câmara já deu aos bombeiros do Montijo. O presidente da Câmara tem feito um excelente trabalho em relação aos bombeiros. Mas precisamos de mais…

… Como por exemplo?

Renovar a nossa frota, temos carros com mais de 20 anos, ambulâncias com quase 900 mil quilómetros, instalações que apesar de terem 32 anos estão a precisar de remodelações… Precisamos de fazer um “refresh” no parque de viaturas, porque temos algumas ambulâncias que estão a dormir à chuva e ao Sol. Mas sou um Comandante que não gosta de pedir nada. Gosto de trocar coisas. A figura do bombeiro coitadinho de mão estendida não serve para mim. Também quero uma aproximação às colectividades, às escolas, mostrar os bombeiros às crianças, e à população. Os bombeiros não podem estar fechados sobre si mesmos. Tenho um projecto já em andamento para que a população conheça os bombeiros.

Quais os principais eixos do projecto que apresentou à direcção?

Primeiro, a modernização do parque de veículos. Depois, formação para o corpo de bombeiros. Garantir mais e melhor socorro à população. Mas aposto muito na formação. Já em curso está a execução de uma zona de treinos, aqui no quartel, que vai servir os bombeiros de todo o distrito. Uma unidade de treinos vocacionada para incêndios urbanos, desencarceramento e escoramento. Uma das coisas que comecei logo a fazer foi a aquisição de contentores para esse efeito. Estamos numa zona de risco muito elevado e o hospital do Barreiro está um pouco longe. Assim, temos de dotar os bombeiros de formação máxima e de meios, humanos e materiais, para que a população se sinta segura.

A criação do centro hospitalar obriga a sediar uma ambulância SIV no hospital do Montijo, o que até hoje nunca foi cumprido. É ou não importante tê-la no Montijo, apesar da VMER que colocaram no Barreiro? Uma coisa invalida a outra? Faz ou não falta?

Mais uma ambulância faz sempre falta. Uma SIV é tripulada por um técnico de emergência médica e um enfermeiro, as ambulâncias do INEM ou dos bombeiros são tripuladas por técnicos de emergência de socorro e as VMER por um médico e um enfermeiro. A qualidade de serviço de uma SIV é muito idêntica à nossa. Só que as SIV têm um enfermeiro, que tem outras valências que nós não podemos executar. Faria muito sentido termos aqui uma SIV ou duas.

O que pode prometer à população?

Faremos sempre aquilo que jurámos fazer quando nos tornámos bombeiros: a protecção de pessoas e bens. Tudo faremos para defender a população.

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