11 Maio 2021, Terça-feira
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Câmara isenta €57 mil de taxas de construção para lar em Canha e Juventude Sarilhense

Proposta referente ao clube incendiou o debate entre Nuno Canta e João Afonso

 

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Mais de 57 mil euros é o valor total das isenções de taxas urbanísticas que a Câmara Municipal do Montijo decidiu, na reunião de quarta-feira passada, atribuir às construções de um novo lar da Casa do Povo em Canha e à ampliação do complexo desportivo do Juventude Futebol Clube Sarilhense.

“É uma estratégia que o município adopta, não só no caso das instituições particulares de solidariedade social, mas também ao movimento associativo desportivo e cultural, quando entendem construir, em terreno municipal ou não, no sentido de melhorarem as suas condições estruturais”, justificou o presidente da autarquia, Nuno Canta.

A isenção de maior montante, na ordem dos 41 mil e 951 euros, reporta-se ao pedido de licenciamento da Casa do Povo para a construção de um edifício “destinado a estrutura residencial para pessoas idosas, com centro de dia e apoio domiciliário”. A proposta mereceu os votos favoráveis de PS e CDU, com o vereador do PSD, João Afonso, a abster-se por considerar que a localização do investimento, em Canha, pode não traduzir a maior necessidade que existe deste tipo de equipamentos no concelho.

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Já a isenção atribuída ao Juventude Sarilhense, no valor de 15 mil e 737 euros, face também a um pedido de licenciamento – que visa a legalização e ampliação das edificações existentes do complexo desportivo do clube – passou com os votos a favor de PS e CDU e gerou acesa discussão entre socialistas e o vereador social-democrata, que votou contra.

Discussão aqueceu

“Atreve-se a propor isenção para um clube que atenta contra as condições da dignidade humana?”, interrogou João Afonso o presidente da autarquia, ao mesmo tempo que classificou essa decisão como “uma pouca vergonha”. Em causa, lembrou, está a situação de uma família que vive “em condições inumanas” numas instalações no interior do complexo desportivo, a quem foi cortada a água e a electricidade. O clube pretende que a família desocupe o local e o caso já motivou acções que correm em tribunal. Além disso, João Afonso sublinhou que a situação, por si denunciada publicamente, foi alvo de uma reportagem da SIC e o verniz estalou.

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“Pouca vergonha é a sua intervenção”, contra-atacou Nuno Canta. “Nunca deixámos de acompanhar aquele caso social. O senhor é que quis aproveitar para se promover à conta disso”, juntou o socialista, que de seguida lançou uma insinuação: “É preciso dinheiro para ir para a SIC. De onde veio o dinheiro…”.

Sara Ferreira, vereadora do PS, fez saber que o clube “encontrou uma habitação” para a família e que esse local até já foi visitado. “O clube está a adaptar o espaço”, adiantou. Mas João Afonso considerou que essa solução “está a ser sugerida” e mostrou um foto do local, que classificou de “pior que uma pocilga”.

O social-democrata repudiou ainda a insinuação de que teria pagado à SIC para vir ao Montijo fazer a reportagem sobre o caso. “A insinuação é lamentável… a não ser que o senhor [presidente] tenha esse hábito”, atirou.

Antes já o vereador da CDU, Carlos Jorge de Almeida, havia considerado “desfasada da realidade” e “lamentável” a insinuação lançada por Nuno Canta, que, mais à frente, recuou e defendeu que utilizou a expressão como “uma figura de estilo”.

O Juventude Sarilhense está a construir um relvado sintético e o projecto engloba ainda a requalificação dos balneários, um campo de paddel e um polidesportivo de futebol de 5. A autarquia apoiou o projecto com 150 mil euros.

João Afonso critica carta desportiva do concelho de actualizada há anos

Durante o período antes da ordem do dia, o vereador João Afonso confrontou o presidente da Câmara com a carta desportiva do concelho que está no site municipal “desactualizada há pelo menos 15 anos” e que mostra, entre outros pontos, clubes extintos, como o Desportivo do Montijo ou o Palmeiras.

“O que se anda a fazer na Câmara ao nível do desporto? Isto revela total amadorismo e incompetência. O que os senhores vereadores do PS estão cá a fazer? Só [cá estão] a insultar os vereadores da oposição?”, questionou o social-democrata.

Nuno Canta admitiu que o documento encontra-se desactualizado e explicou: “Assumimos essa situação, porque está em revisão. Deveria estar há mais tempo resolvida.” Ainda assim, o socialista – que equacionou a possibilidade de ter havido algum lapso dos funcionários – salientou o “muito que o concelho tem evoluído e progredido em infra-estruturas desportivas” nos últimos anos. E a vereadora Sara Ferreira frisou que a carta é um documento orientador, que tem como período de duração vários anos.

“Não se pode ver um documento estratégico a 10 anos como elemento que é actualizado a todo o momento”, reforçou depois Nuno Canta. De permeio, João Afonso foi cáustico: “Uma Câmara que tem as mesmas pessoas há 24 anos com uma carta desportiva desactualizada há cerca de 15… No seu lugar enterrava-me na cadeira.”

Já Carlos Jorge de Almeida considerou “relevante” a questão levantada por João Afonso e recordou que a CDU apresentou no mandato anterior e no actual um programa de desenvolvimento desportivo e que algumas das medidas desse programa foram contempladas pelo executivo socialista. “Concordo que a carta merece actualização, mas fundamental é ter projecto, propostas e políticas. É saber se existe um pensamento estrutural e se reflecte as necessidades da população do Montijo”, concluiu o comunista.

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