3 Março 2024, Domingo
- PUB -
InícioLocalMontijoArqueólogos trabalham na exumação da família Cotrim e na descoberta da batata

Arqueólogos trabalham na exumação da família Cotrim e na descoberta da batata

Investigadores supõem que, na igreja, está sepultado Rui Cotrim de Castanheda, capitão da 2.º armada militar de Vasco da Gama à Índia

 

- PUB -

 

Depois de interrompidos em Março, face à pandemia, os trabalhos do projecto de investigação arqueológica “Sarilhos Grandes entre Dois Mundos (SAND)” vão ser retomados no próximo dia 13 de Julho. Paula Pereira, arqueóloga que lidera a equipa de investigação, revela que esta segunda fase do projecto incidirá numa “campanha única de escavações no interior e exterior dos espaços da Ermida de N. Sra. da Piedade e da Igreja de S. Jorge”.

A presença de restos alimentares que revelaram amido de batata em dois dos esqueletos, datados de 1324-1625 e exumados durante a primeira fase do projecto, surpreendeu os investigadores, já que a data mais antiga (historicamente conhecida) da introdução da batata em Portugal aponta para 1643 (apesar de referenciar 1567 para a Europa). Igualmente surpreendente, nesse mesmo primeiro momento do projecto, foram as presenças do “fungo Candida albicans e do parasita Trichostrongylus”, identificados pela primeira vez em Portugal nos esqueletos exumados em Sarilhos Grandes.

- PUB -

Agora, a segunda leva de escavações, “onde jaz a família Cotrim”, visa “identificar o número de pessoas sepultadas na igreja para se estabelecer o perfil biológico, sexo, idade e doenças, através de análises paleoparasitológicas”, explica a investigadora. No local, estão “supostamente os restos mortais de Rui Cotrim de Castanheda”, capitão da 2.ª armada militar de Vasco da Gama à Índia, que a equipa espera encontrar.

“Supomos que os corpos destas famílias eram sepultados juntamente com vários objectos e que estas fariam uma alimentação diferente da das outras pessoas [menos abastadas]”, acrescenta a arqueóloga, lembrando que a equipa pretende também estabelecer a comparação com os restos mortais já levantados na primeira fase do projecto.

- PUB -

Acrescentar, assim, novos dados que validem os resultados já obtidos, desenvolvendo um campo-escola de arqueologia, envolvendo a comunidade, e perceber melhor o papel dos sarilhenses e dos habitantes de Aldeia Galega do Ribatejo (hoje Montijo) na Expansão Portuguesa é o objectivo global a que apontam os investigadores e a Câmara Municipal do Montijo, que promove o projecto.

Campo-escola com inscrições abertas

Até 5 de Julho “estão abertas inscrições para o referido Campo-Escola de Arqueologia e Antropologia, que vai decorrer de 13 de Julho a 2 de Outubro, na Ermida de N. Sra. da Piedade e na necrópole e Igreja de S. Jorge”, anunciou a autarquia.

De acordo com a edilidade, o campo-escola do projecto SAND permitirá que a comunidade integre “uma equipa de antropologia e arqueologia” e que “ aprenda e pratique metodologias de escavação arqueológica, técnicas de registo arqueológico, tratamento e inventário de materiais arqueológicos e vestígios osteológicos”. Ao mesmo tempo, o município afirma que “as condições de segurança e as orientações das autoridades de saúde serão garantidas” durante todo o tempo de execução do campo-escola.

Em 2008, durante uma intervenção da SIMARSUL, foi realizada uma escavação arqueológica de salvaguarda no Largo da Igreja de Sarilhos Grandes, a qual incidiu sobre a necrópole (cemitério) da Igreja de S. Jorge e a Ermida de N. Sra. da Piedade. Nessa primeira acção foram descobertos “21 esqueletos”, que viriam a ser exumados, sendo assim desencadeada “uma investigação bio-arqueológica para analisar os vestígios recuperados” por uma equipa multidisciplinar. As descobertas ganharam dimensão maior já em 2018, com a revelação dos dados apurados.

Autarquia, Universidade de Coimbra e Diocese de Setúbal juntam-se em projecto

O projecto SAND, cuja 2.ª fase mereceu deferimento da Direcção-Geral do Património Cultural, resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal do Montijo, a Universidade de Coimbra, a Diocese de Setúbal, entre outras entidades.

“Os dados alcançados até 2018 permitiram dar a conhecer uma amostra de população ribeirinha cujas investigações levaram à identificação de alguns parasitas relacionados com a ingestão de carnes e de águas contaminadas, o consumo de batata, centeio/trigo, feijão ou grão-de-bico, entre outros vegetais, bem como de crustáceos. Alguns destes achados, bem como do fungo Candida albicans, foram pela primeira vez identificados em território nacional nas cronologias em estudo”, resume a autarquia, em nota de Imprensa.
Recorde-se que a divulgação dos resultados foi avançada em conferência, em 2018, que teve lugar na Galeria Municipal. Foi ainda promovida uma exposição, intitulada “Sarilhos Grandes Entre Dois Mundos: o Oriente e o Ocidente”, que apresentou as informações apuradas pela investigação.

- PUB -

Mais populares

Homem encontrado morto em casa no centro de Setúbal [Actualizada]

Cadáver de José, de 66 anos, foi transportado para a morgue do Hospital de São Bernardo para realizar autópsia

PJ investiga cadáver encontrado no interior de uma viatura em Setúbal

Populares alertaram as autoridades pelas 22h30. Homem, de 57 anos, terá morrido por causas naturais

Pedro Catarino já é goleador-mor dos sadinos na 1.ª Divisão da AF Setúbal

Com cinco golos no Vitória B, avançado do plantel principal volta a ser decisivo
- PUB -