29 Junho 2022, Quarta-feira
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Márcio Chapa vai despir a jaqueta que enverga desde menino

Vinte e seis anos e 150 pegas depois, o cabo do Grupo dos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo despede-se das arenas

 

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Pegou o primeiro novilho em praça com apenas 13 anos e logo no ano seguinte estreou-se a pegar toiros. Foi mais de um quarto de século de forcadagem, 26 anos no total. Nos últimos 12, como líder do grupo, função que assumiu em 14 de Julho de 2007. Aos 39 anos, Márcio Chapa prepara-se para despir a jaqueta e passar o testemunho a outro dos valores que pontificam nos Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica do Montijo – Luís Carilho é o senhor que se segue como cabo do grupo.

“Tudo na vida tem um princípio, meio e fim”, diz o ainda cabo do grupo sobre um ciclo que se fecha, revelando que levou “dois anos” para tomar a decisão de abandonar as arenas. “Mas só quando saiu o cartaz [a anunciar a corrida], há dois ou três dias, é que caí em mim”, confessa.

O adeus e respectiva homenagem tem data e hora marcada. No próximo dia 28, a partir das 17h30, a Monumental Amadeu Augusto dos Santos, na terra mãe de Márcio Chapa, recebe a V Grande Corrida de Toiros das Tertúlias Montijenses – inserida nas comemorações dos 60 anos dos forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo – que marcará a despedida daquele que tem vindo a capitanear o grupo na última dúzia de anos.

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O cartel está fechado e dispensa apresentações: Rui Salvador, a celebrar 35 anos de alternativa, Luís Rouxinol e Gilberto Filipe, no toureio a cavalo, três grupos de forcados em competição – Tertúlia Tauromáquica, Amadores do Montijo e uma selecção de forcados amigos de Márcio Chapa – e um imponente concurso de ganadarias (Prudêncio, Vinhas, Fernandes de Castro, José Palha, Santos Silva, e Alves Inácio).

O momento aproxima-se, volvidos 26 anos de dedicação ao grupo e à tauromaquia. Ao olhar para trás, Márcio Chapa nem hesita.

“O balanço é positivo. Tenho uma média de 150 toiros pegados, 45 dos quais em Espanha, alguns em França e a grande maioria em Portugal. Sempre amei fazer isto, senti-me sempre feliz”, afirma, sublinhando que a festa brava “tem um sabor especial que ninguém consegue explicar”.

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A camaradagem no meio taurino é ímpar e fica para a vida. “Fiz amigos pelo País inteiro. Até lá fora, em Espanha e França”, realça. Laços fortes de amizade que não conhecem fronteiras. “Até de Madrid virá o senhor Juan Muro, agente tauromáquico, com quase 80 anos, para me honrar com a sua presença na corrida da minha despedida. Fiz tantas amizades, entre forcados, cavaleiros, toureiros e aficionados…”, reforça, sem conseguir disfarçar alguma nostalgia perceptível na entoação dada a algumas palavras.

Momentos marcantes e razões para a despedida

Momentos marcantes viveu muitos, contudo no pódio das emoções coloca três, com significados distintos.

“O primeiro toiro que peguei, em Albufeira, e a pega que realizei a 14 de Julho de 2007 no Montijo, na passagem de testemunho de Luís Branquinho para mim, como cabo do grupo. Ambas foram consumadas à primeira tentativa e momentos especiais, que me marcaram pela positiva”, revela. O outro ficou igualmente gravado na memória, mas pela negativa. Em Albufeira não foi só rosas. “Foi aí que me lesionei na cervical, tinha 16 anos, e fui obrigado a ficar três meses de cama.”

Colocado um ponto final no regresso ao passado, Márcio Chapa explica as razões que o levam a despedir-se das arenas.
“Prejudicamos muito a nossa vida, perdemos trabalho. Quando se é cabo então… Depois também pela minha idade e porque tenho de pensar na minha vida pessoal”, admite, desvendando também os motivos por detrás da escolha desta corrida para dizer adeus.

“Desde logo porque é na praça da nossa cidade. O empresário chegou a propor que me despedisse na última corrida de S. Pedro, mas não quis, apesar do cartel de figuras que apresentava. Preferia despedir-me no fim da época e nesta corrida por ser a das tertúlias da nossa terra”, explica, acrescentando: “Lutei bastante pela união das tertúlias no Montijo e contribuí para a criação desta corrida que vai agora para a quinta edição. Até organizei a primeira corrida das tertúlias. Por isso tem um simbolismo diferente e torna-se numa honra redobrada.”

Quanto ao futuro do grupo, Márcio Chapa mostra-se confiante. “Está assegurado. O grupo está no bom caminho e Luís Carrilho irá dar continuidade ao trabalho desenvolvido ou fazer ainda melhor. Terá o meu total apoio. Tem 12 anos de forcadagem, tem muito valor e provas dadas em praça. Estarei sempre a seu lado e ao lado do grupo, porque continuarei como presidente dos forcados da Tertúlia Tauromáquica”, garante, a concluir.

“Se é para levar, que venham grandes, feios e brutos”

Luís Carilho, 29 anos, está pronto para assumir a liderança dos forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo e quando instado a abordar as expectativas que tem para a corrida do próximo dia 28 responde com a mensagem que habitualmente transmite aos mais novos. “Se é para levar, que venham grandes, feios e brutos”, atira, adiantando: “Estaremos lá para o que der e vier. Espero que venha um bom curro, numa boa tarde e que a praça esteja cheia. Que todos possam colaborar para que tenhamos uma boa corrida.”

O forcado lembra que entrou no grupo “praticamente no ano” em que Márcio começou como cabo e promete dar seguimento ao trabalho realizado. “Vou seguir as pisadas dele e tentar fazer igual ou melhor. Espero conseguir evoluir o grupo. O desafio é grande, mas quando fazemos o que gostamos…”, afirma, assumindo que tem um objectivo pessoal: “O meu cabo capitaneou o grupo durante 12 anos. Espero ser cabo pelo menos por mais um ano do que ele.”
A terminar, deixa uma mensagem a Márcio Chapa. “Desejo-lhe um futuro melhor, porque os toiros tiraram-lhe muito. Que a vida lhe dê muito mais agora, porque ele merece”, rematou.

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