23 Maio 2024, Quinta-feira

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Ivo Pedaço: “O estado do concelho é complicado, nem nos podemos comparar com Alcochete, Montijo e Barreiro”

Ivo Pedaço: “O estado do concelho é complicado, nem nos podemos comparar com Alcochete, Montijo e Barreiro”

Ivo Pedaço: “O estado do concelho é complicado, nem nos podemos comparar com Alcochete, Montijo e Barreiro”

O autarca admite que com o PS nota-se alguma diferença para melhor, mas pouca. Ainda assim, acusa os socialistas de terem tentado sanear funcionários. Culpa o PCP/CDU pela estagnação do concelho e critica esta força por não apresentar nenhuma proposta neste mandato. E revela “tentativa de corrupção” no seio do Chega

 

Tem 45 anos, é informático e estreou-se neste mandato como vereador na Câmara Municipal da Moita. Foi eleito pelo Chega, mas desvinculou-se do partido. A exemplo, diz, de todos os elementos que integravam a concelhia. E tudo devido a uma “tentativa de corrupção” que, afirma, partiu “da distrital”. Porém, não fecha definitivamente a porta a um regresso e mantém-se leal às “políticas de direita”.

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Hoje, como independente, dá “nota positiva, mas baixa”, à gestão do PS na Câmara. Ainda assim, acusa os socialistas de terem tentado “correr com os funcionários ligados à CDU”. Afirma que os 46 anos de gestão comunista conduziram o concelho à estagnação e que não existe comparação com o desenvolvimento visto nos municípios vizinhos.

Como define a relação existente entre eleitos no executivo?

Temos alguns pontos favoráveis. No meu entender, todos queremos o melhor para o concelho, um concelho desenvolvido. Infelizmente, após 46 anos de governação PCP/CDU, o concelho esteve um pouco estagnado, o desenvolvimento foi pouco e isso leva a que seja o concelho mais pobre do distrito de Setúbal e também da Área Metropolitana de Lisboa. Temos um concelho muito pouco desenvolvido, com poucas empresas e pouco emprego. É complicado o estado em que o concelho está, nem nos podemos comparar com os concelhos vizinhos, Alcochete, Montijo e Barreiro têm tido uma evolução muito grande.

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Que balanço faz aos primeiros dois anos de mandato da gestão socialista, que a CDU tem acusado de ter comportamento anti-democrático?

É muito difícil, após os 46 anos de gestão comunista, haver em dois anos algo que se note com a mudança que houve. Tenho visto o esforço que a gestão socialista tem feito, o dinheiro não abunda, as dificuldades económicas são muitas, e sem dinheiro não há obra. Os cidadãos sentiram que era necessária uma mudança e as expectativas tornaram-se muito elevadas com essa mudança e ao verem os concelhos vizinhos, que começaram a ser liderados pelo PS, terem uma evolução muito grande. Nota-se no Montijo, em Alcochete o PS tem feito também um bom trabalho e no Barreiro o executivo também tem vindo a realizar um excelente trabalho. À Moita dou nota positiva, mas baixa, porque podia-se ter feito mais, sobretudo na captação de investimento privado. O tempo de demora da aprovação de projectos é muito grande, o que leva a que o investidor desista de investir na Moita. Por exemplo, não há habitação para os nossos jovens, que têm de ir morar para o Montijo.

A Câmara Municipal está pior ou melhor, ao fim de dois anos com o PS?

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Está melhor. Nota-se alguma diferença, pouca mas nota-se. Estamos a falar de 46 anos de gestão de um partido e depois mudar… há pessoas [funcionários] que não se adaptaram. O PS não estava à espera de ganhar a Câmara e então entrou “a matar”.

O que significa “entrar a matar”?

Tentar correr com todas as pessoas que apoiavam a CDU.

Houve um saneamento?

Sei que houve alguns conflitos… houve muita gente que saiu, que pediu mobilidade para outras câmaras municipais. É necessário haver proximidade, contar com as pessoas. Dizer: nós entrámos, viemos fazer alguma coisa, mas contamos com vocês. Até porque, as pessoas estão lá há muitos anos e conhecem melhor a Câmara ou o seu trabalho do que quaisquer outros.

Consegue fazer uma auto-avaliação ao trabalho desenvolvido, apesar de não ter pelouros?

Sem pelouros não é fácil. Tenho um assessor e nestes dois anos penso que fizemos um bom trabalho. Negociámos os orçamentos municipais, o PS aceitou algumas das nossas propostas e retirou algumas das suas que não aceitaríamos. Depois submetemos propostas, umas foram aprovadas e outras foram recusadas, nem chegaram a ir a reunião de câmara, estão na gaveta do presidente… O PS até se apropriou de algumas, nomeadamente a implementação de videovigilância nos parques municipais. Por exemplo, a CDU não apresentou uma única proposta em reunião de câmara.

Foi um dos vereadores eleitos pelo Chega na península de Setúbal. Todos acabaram por se desligar do partido. O que se passou no seu caso e que leitura faz do facto de todos se terem desvinculado do partido?

A diferença é que, no meu caso, eu saí do partido. Os outros vereadores foram expulsos do partido. [Na Moita] Não saí só eu, saímos todos. Tivemos um conflito com a distrital. Primeiro, porque a Moita foi sempre um concelho de que ninguém quis saber. O Chega não estava preparado nem pensava eleger ninguém nas autárquicas. E quando elegeu, ninguém tinha experiência para apoiar os autarcas.

Mas qual foi a principal razão para a sua ruptura com o partido?

Adveio de um conflito com a distrital. Tivemos um problema grave, que feria os pilares do partido e que era a corrupção. A concelhia enviou um e-mail e falou com um vice-presidente do Chega a nível nacional a expor o caso. Esqueceram-se de nós ou não nos ligaram nenhuma. Até hoje ainda estou à espera de uma reacção. Foi tão grave o que aconteceu, que a concelhia disse que se ia desvincular.

O que foi assim de tão grave?

A situação foi muito grave. O partido é contra a corrupção e na primeira oportunidade foi logo tentar corromper-nos, basicamente.

Foram alvo de tentativa de corrupção por parte de alguém de dentro do Chega, é isso que está a dizer?

Sim. De alguém na distrital. Mas já é passado.

Ainda se vê a regressar ao partido?

Tinha de haver ali uma reunião em que fossem repostas algumas coisas, nomeadamente apoios e delinear uma construção futura para o concelho da Moita.

Vai votar no Chega no próximo dia 10?

Não sei. Tenho estado a ler os programas de direita. Não sou apologista da esquerda. Já li o do Chega e o da Iniciativa Liberal, falta-me o da Aliança Democrática e ainda vou ver.

Acaba por ser o seu voto que contribui para desequilibrar a balança no executivo, face à correlação de forças: quatro elementos do PS e outros tantos da CDU. Está mais próximo do PS ou da CDU?

Estou mais próximo dos cidadãos da Moita. Eu coloco as prioridades do concelho à frente de tudo. Temos de estudar cada proposta, ver os prós e os contras e a seguir tomarmos as decisões. Muitas das decisões são tomadas no momento, na reunião de câmara, com as explicações do presidente ou dos vereadores. Mas penso sempre no que acho que será melhor para os cidadãos da Moita e é de acordo com isso que voto.

A requalificação da rede de abastecimento de água e saneamento foi apresentada como aposta prioritária pela gestão PS. Está tão calamitosa como tem sido afirmado pelo presidente Carlos Albino?

Está, infelizmente. Estamos a falar de uma rede com muitos anos e também de fibrocimento. Todos os dias existem roturas, as pessoas ficam sem água e com danos nas estradas. Vejo o esforço que tem sido feito, porque na realidade ao longo de 46 anos não houve manutenção dessas infra-estruturas.

Está confortável com o Orçamento Municipal para este ano ou acha que deveria ter sido dada prioridade a alguns outros investimentos? Já disse que negociou com o PS… e absteve-se na votação.

O orçamento é do PS. As políticas de esquerda não são as prioridades das políticas de direita, que apoio. É o orçamento que os cidadãos pediram, porque elegeram o PS, e é com esse que temos de trabalhar.

Se pudesse fazer diferente, qual seria a sua prioridade para o orçamento?

Atrair investimento privado, baixando os impostos para os investidores e acabando com a burocracia, melhorando o funcionamento da máquina administrativa.

Moita era dos municípios mais atrasados, senão mesmo o mais atrasado, no que toca à Estratégia Local de Habitação na península de Setúbal. Qual é o ponto da situação?

Tenho consultado os processos e foi feito um esforço. Em 2022 foi apresentado o plano estratégico. Mas a demora para se fazer alguma coisa é muito grande. Na última reunião de câmara foram aprovados cinco lotes para habitação a custos controlados.

O novo Centro de Saúde da Baixa da Banheira já deveria estar pronto a abrir portas. Como está o processo?

Deveria já estar aberto. Mas há sempre atrasos. Está concluído, faltam os equipamentos interiores e os arranjos exteriores. Segundo o presidente, os equipamentos vão começar a ser colocados.

A área da Educação tem recebido o investimento possível e suficiente por parte da Câmara Municipal ou considera que a autarquia deveria ir mais além?

O investimento na Educação é sempre pouco. Existe a necessidade de muito investimento e o financiamento que vem do Estado para as autarquias não é o suficiente. A descentralização [de competências] trouxe mais encargos para as autarquias, ao nível da Educação e da Saúde. A autarquia faz um enorme esforço com os meios que tem…

O que pensa sobre a imigração, tão criticada pelo Chega, tendo em conta que foi emigrante na Suíça?

Lá é diferente. Têm regras. À Suíça não pode chegar ninguém sem contrato de trabalho e sem ter posses financeiras para poder voltar [ao país de origem]. E começa com um contrato de trabalho de seis meses, ao fim desse tempo tem de se sair das fronteiras da Suíça um mês, depois volta-se outra vez com novo contrato de trabalho. Isto durante três anos. Eu defendo uma política de regulamentação, regulação, para quem entra. Não podemos ter imigrantes a dormir debaixo de uma ponte, na rua, têm de ter condições. As pessoas de esquerda dizem que eles contribuem para a segurança social. E quantos não contribuem? Quantos estão cá sem contrato de trabalho, que não têm segurança social nem sistema de saúde, que não têm nada? Isso não pode acontecer.

Onde teremos Ivo Pedaço, quando chegarem as autárquicas de 2025? Já desligado do cenário político local ou a recandidatar-se como independente ou até mesmo por outra força política?

Não pensei nisso. O meu foco é mesmo na vereação e em trabalhar para os cidadãos. Não fui abordado por nenhum partido político. Nós montámos um grupo de independentes, os “Cidadãos pela Moita”, e temos realizado jantares com pessoas de vários quadrantes políticos.

Poderá então surgir um movimento independente nas próximas autárquicas na Moita?

Possivelmente, sim. Mas não garanto, não pensei muito nessa situação.

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