23 Maio 2024, Quinta-feira

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Frederico Rosa: “As pontes previstas para Seixal e Montijo são rodoviárias”

Frederico Rosa: “As pontes previstas para Seixal e Montijo são rodoviárias”

Frederico Rosa: “As pontes previstas para Seixal e Montijo são rodoviárias”

O autarca é o primeiro a assumir que as duas ligações ao Barreiro vão contemplar rodovia. A afirmação resulta de uma conversa que teve com o ministro do Ambiente, na sequência das declarações de Duarte Cordeiro a O SETUBALENSE

 

Com discurso genuíno, de coração aberto, sem filtros e com o Barreiro na alma. Foi assim que Frederico Rosa se apresentou na entrevista concedida a O SETUBALENSE e à rádio Popular FM. Sem se furtar a qualquer questão, o líder do executivo municipal do Barreiro aponta o dedo à CDU na controvérsia gerada em torno da Terceira Travessia sobre o Tejo, admite que o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, pode não se ter explicado bem sobre o modelo das pontes Barreiro-Seixal e Barreiro-Montijo, e diz que a saúde, tal como outras áreas, estará “revolucionada” até final do mandato no concelho.

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A Assembleia Municipal de dia 18 mudou alguma coisa relativamente à declaração de caducidade de parte dos solos que se diz estar no corredor da Terceira Travessia sobre o Tejo?

Não mudou nada, porque não havia nada para mudar. Vamos lá ver. O Barreiro tem um Plano Director Municipal muito desactualizado. É de 1994. E em 1994 criou-se [no PDM] um traçado para uma futura ponte. Um dos grandes objectivos quando entrei para a presidência da Câmara, no final de Outubro de 2017, era actualizar o PDM. Actualmente, já temos o parecer favorável condicionado de todas as entidade [para o novo PDM]. O que nós fizemos foi adequar aquele traçado que estava no PDM de 94 para o traçado que foi estudado em 2008 e que teve Declaração de Impacte Ambiental positiva. Não faz sentido ter dois traçados, porque implicam constrangimentos no território. Os constrangimentos que nós levantámos são aqueles que vinham ainda de 94, que estão completamente desadequados.

Estes movimentos, muitas vezes quando aparecem, são sempre encabeçados pelas mesmas pessoas, que são militantes da CDU, na sua grande maioria. Este processo, em 2008, com um executivo da CDU, foi sempre votado por unanimidade. Agora, aproveitando esta nuance técnica, tentam levar as pessoas a pensar que não se quer a ponte. Percebo que na oposição é preciso ter-se ideias concretas e que elas não hajam, mas não se pode fazer populismo com coisas muito sérias.

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Se o poder no Barreiro fosse de outra cor política, acha que esta questão teria sido levantada nos mesmos moldes e pelos mesmos intervenientes?

Não, nunca tinha sido levantada. Se fosse a CDU que estivesse no poder, não tenho dúvidas de que não aparecia nenhum movimento cívico, como nunca apareceu enquanto foi poder. Não aparecia nenhum movimento e não aparecia nenhuma contestação, porque certamente o Partido Socialista manteria uma coerência e uma unanimidade em relação aos projectos estratégicos para a cidade.

Ainda no domínio da mobilidade. As pontes Barreiro-Montijo e Barreiro-Seixal, previstas no projecto Arco Ribeirinho Sul, acabaram por ser assumidas como pedonais. Sai desiludido?

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Não saio, porque elas não são pedonais. E vocês tiveram uma quota-parte muito importante para o esclarecimento deste processo, com uma pergunta que fizeram ao ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro. O que está previsto no Arco Ribeirinho Sul, Seixal-Barreiro e Barreiro-Montijo, são pontes rodoviárias que, obviamente, têm de ter também uma componente para os modos suaves, as trotinetas, as bicicletas e também a pedonalização.

Mas o que é que aconteceu, entretanto?

Não aconteceu nada. Tive a oportunidade de falar com o senhor ministro logo a seguir a ter visto a vossa notícia, alarmadíssimo como deve calcular, e ele também me confessou… não disse aquilo que se calhar transpareceu. Ele queria dizer que também iam ter estes modos [suaves de mobilidade]. Porque o que é importante é o alargamento do Metro Sul Tejo. E o Metro Sul Tejo, para vir do Seixal para cá, para passar para Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, será possivelmente não em carril, mas sim naquilo a que se chama BRT, que são autocarros maiores de faixa dedicada, os quais não passam na linha de bicicleta ou na linha pedonal.

Então por que acha que o ministro deixou transparecer essa ideia?

Ou não percebeu bem a questão ou ficou ali alguma coisa por explicar e não tenho problemas nenhuns em dizer isto.

Vamos ter duas pontes rodoviárias a ligar Barreiro a Montijo e Seixal?

Espero que sim, se dependesse de mim começávamos já hoje. Agora, no âmbito do processo que foi decidido em resolução do Conselho de Ministros há verbas não só para a descontaminação de solos, que era um problema muito grande, mas também para se avançar com os projectos para as duas pontes. Para irmos do Barreiro a Almada não pode ser mais rápido apanhar o barco para Lisboa, ir a pé até ao Cais do Sodré e voltar outra vez para Almada. Temos de ter uma ligação rápida, temos de nos ligar de forma muito acessível, muito rápida, para criarmos massa crítica, para criarmos um território que possa actuar como “um”, no seguimento daquilo que também foi o reconhecimento quando foi resolvida a célebre questão da NUTS. Temos de ter um pensamento estratégico sobre toda a região, porque podemos concorrer uns com os outros, mas temos de cooperar todos para o bem-comum.

À data de hoje, o que pensa em termos de concretização das obras dos centros de saúde de Alto do Seixalinho, Fidalguinhos e Eça de Queirós?

A Unidade de Saúde Famíliar do Alto Seixalinho está neste momento com o processo entregue no Tribunal de Contas, para receber o visto, acho que é uma obra que vai arrancar no segundo semestre ainda deste ano, já com máquinas no terreno.

O processo da Eça de Queirós é uma remodelação integral do centro de saúde, estamos a tentar ter já o processo administrativo todo completo para, ainda este ano, arrancarem as obras.

Nos Fidalguinhos estamos a concorrer agora ao PRR. Também já está com a verba alocada. Entre os três, vamos ter dois novos, Alto Seixalinho e Fidalguinhos, e um completamente recuperado, o da Eça de Queirós. E um [outro desanuviado] fruto da sinergia criada pelos dois novos, que é o Centro de Saúde da Quinta da Lomba, que está completamente a abarrotar, sem condições nenhumas. O facto de haver dois centros de saúde novos vai tirar muita gente que não tem médico de família do Centro de Saúde da Quinta da Lomba. E também para a Quinta da Lomba conseguimos no PRR uma verba de cerca de 600 mil euros para remodelação da qualidade do edifício que, com esse desanuviamento de utentes e melhores condições, também vai passar a fornecer um melhor serviço.

Neste mandato, a saúde vai estar revolucionada no concelho. É isso?

Também vai estar revolucionada, digo também porque vai haver outras áreas que também vão ter uma revolução muito grande.

Como por exemplo?

O centro do barreiro (não geograficamente), a zona mais a norte de frente para Lisboa. Estamos neste momento em obras no antigo Armazém de Víveres da CP, que vai ser uma zona expositiva e ter também um anfiteatro, estamos a reformular a nossa oferta do Mercado Municipal 1.º de Maio, que vai passar a ter também restauração e vai poder estar aberto, penso que até ao final de Setembro, de terça a quinta-feira até às 22 horas e de sexta a sábado até à meia-noite. Temos também todo o projecto do Barreiro Velho, que vai começar na Rua Miguel Bombarda. Vai ser toda reformulada e depois temos a boa notícia que soubemos ontem [quinta-feira passada] de termos sido contemplados no PRR, no Programa Bairros digitais do Ministério da Economia.

Ao abrigo de uma candidatura?

Sim. Só há dois municípios no Distrito de Setúbal que viram já as candidaturas aprovadas, Setúbal e Barreiro. Nós vamos ter 1 milhão e 100 mil euros para modernização tecnológica de toda a zona do centro. É direccionado ao pequeno comércio, vai afectar quase 450 estabelecimentos no centro do Barreiro com uma série de sinaléctica, mupis interactivos, muito vocacionado para a parte digital e de informação, que acho que vai dar ali um impulso muito grande àquela zona e que também vai reformular completamente ali o comércio. A isso junta-se o facto do Forum Barreiro ter uma nova gestão, e estamos com alguma expectativa porque já nos informaram da vontade de investir ali no centro.

É licenciado em Comunicação Social, o que perguntaria a Frederico Rosa?

Uma coisa que nunca ninguém me pergunta. Como é que eu estou?

Como é que está?

Agora estou bem. Tive um problema de saúde, ultrapassei… Gosto quando me perguntam, não mudei por ser presidente, às vezes sinto falta das pessoas me perguntarem como é que eu estou? Como é que está a minha família? Como é que está o meu filho?

Não acha que será por uma questão de preservação da intimidade?

Não sei. Dificilmente vou continuar o meu percurso político quando sair desta função, quero voltar a ter uma vida mais normal e ter tempo para estar com os meus. Este percalço de saúde que tive – hoje podia não estar aqui – também me fez perceber a importância que é a gente trabalhar e dedicar-se, mas também termos tempo para os nossos. Eles são os mais prejudicados por esta minha paixão. Gostam tanto de mim que me deixam perseguir esta minha paixão pela minha terra. E as pessoas não me tratam por presidente, tratam-me por Frederico. Alguns chamam-me: ó Fred. E eu gosto disso, porque é uma forma de termos sempre os pés na terra.

Vou fazer uma confissão: tenho aqui a primeira mensagem que o meu filho, tem 8 anos, escreveu ao telemóvel. Diz assim: “Pai, se não fosses da Câmara Municipal do Barreiro, tinhas muito mais tempo para brincar comigo e não tinhas de sair de casa tantas vezes. Paizinho, gosto muito de ti”. Se isto não nos mete com os pés [assentes] na terra, o que é que mete?

Habitação e atractividade “O Barreiro está na moda”

Frederico Rosa aborda o investimento previsto para a habitação no concelho e reconhece as carências existentes. “Se no final de tudo isto, deste processo de PRR, conseguíssemos investir, em habitação já pronta a entregar, entre 15 a 20 milhões de euros, já era muito significativo, mas muito aquém do que precisamos.”

Ao mesmo tempo, diz que o Barreiro deu um “grande” salto em termos de capacidade de atracção de investimento. A CUF Saúde “está de volta”, revela, numa altura em que o concelho foi escolhido pela tutela para acolher, em Setembro, um encontro nacional de economia.

Tendo em conta a Estratégia Local de Habitação e os apoios proporcionados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), qual o volume de concretização que espera alcançar no Barreiro, face ao inicialmente previsto?

Não é um processo fácil. O Barreiro, que é um território pequeno e muito urbano, tem uma densidade populacional muito grande. Optámos por recuperar todo um edificado, que é um bairro da Câmara, na Santinha, Bairro Alves Redol, são cerca de 94 casas, penso eu, que vão ser todas reabilitadas. O processo já está na habilitação do vencedor de concurso público para poder assinar-se o contrato. Mas também temos optado por comprar imóveis que estavam devolutos. Hoje em dia, entre os que comprámos e os que têm a escritura marcada, já vamos em 30. Os processos já estão agilizados. Mas quando acabar o PRR a habitação é um processo que não pode parar. Estamos apenas a falar em habitação social, no 1.º Direito, porque a questão do arrendamento acessível não está enquadrada no PRR. Tem de se começar a encontrar soluções. Nós também temos isso já pensado, estruturado de uma forma muito madura, para podermos apresentar essas soluções, porque são as que permitem que os jovens consigam sair mais cedo da casa dos pais, constituírem família, terem filhos.

Qual é o volume de investimento que espera ver realizado no final?

Se no final de tudo isto, deste processo de PRR, nós conseguíssemos investir, em habitação já pronta a entregar, entre 15 a 20 milhões de euros, já era muito significativo, mas muito aquém do que precisamos.

De quanto precisam?

Gostava muito que o Barreiro tivesse uma oferta de cerca de 300 casas de arrendamento acessível. Se olharmos para um casal jovem, estamos a falar de 600 pessoas. No que diz respeito à habitação social, diria que temos actualmente cerca de 300 pessoas com necessidade de serem realojadas em novas habitações.

Como está a capacidade de atracção do Barreiro em termos de investimento ?

Acho que o Barreiro deu um salto muito grande ao nível do investimento privado. Nos meus primeiros anos como presidente, quando íamos falar com investidores, éramos olhados com desconfiança. Hoje já começamos a sentir o contrário, desde logo porque criámos um regulamento de incentivo ao investimento e à criação de postos de trabalho. Conseguimos uma coisa de que tenho muito orgulho: vamos voltar a ter a CUF Saúde no Barreiro, já fiz a escritura há cerca de 15 dias e já nos apresentaram os projectos, para agora os podermos submeter. Não é pela questão da CUF Saúde vir, é pela questão simbólica de voltar a investir no Barreiro. Diria que é quase um reencontro com a história. Mas sentimos, quer no âmbito imobiliário quer no âmbito de criação de investimento empresarial com a criação de postos de trabalho, que hoje somos atractivos. O Barreiro está na moda.

O Barreiro vai ser palco de um encontro nacional promovido pelo Ministério da Economia. Serve para justificar a afirmação de que está na moda?

É isso. Ter o Ministério da Economia a ligar-nos e a dizer que queriam fazer [o encontro de economia] aqui nesta zona da Grande Lisboa e que escolheram o Barreiro é algo que nos deixa sensibilizados. É uma satisfação olharem para esta margem, olharem para o Barreiro e virem cá. É as pessoas começarem a olhar para o Barreiro também com outros olhos. Penso que o encontro está alinhavado para 20 de Setembro, já fizeram uma visita técnica ao Auditório Municipal Augusto Cabrita [onde irá realizar-se].

Esta entrevista pode ser ouvida na íntegra em podcast e no canal YouTube da POPULARFM

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