O grupo estudava as potenciais vítimas através dos bens, carros ou artigos valiosos que punham à venda nas redes sociais
Um grupo de 18 homens e uma mulher levou a cabo assaltos violentos fazendo-se passar por agentes da PSP ou inspetores da PJ a casas na Área Metropolitana de Lisboa ao longo de um ano. De acordo com a acusação do Ministério Público, num desses assaltos, na Costa da Caparica, a 7 de abril de 2025, uma moradora que via o companheiro ser ameaçado à porta de casa com uma arma de fogo pelos assaltantes que gritaram “Polícia, estás preso”, afugentou os criminosos. “Vocês não são polícias”, gritou, o que os levou a fugir com cem euros. A vítima foi surpreendida quando levava o filho à escola de manhã.
A investigação apurou que levaram a cabo nove assaltos entre maio de 2024 e maio de 2025 a casas em Montijo, Almada, Oeiras, Loures, Lisboa e Cascais, nos quais levaram bens e dinheiro num total de 174 mil euros. Usavam armas de fogo, coletes com a indicação de polícia, crachás policiais, balaclavas, luvas, bem como documentação simulando um mandado judicial de busca domiciliária.
O grupo estudava as potenciais vítimas através dos bens, carros ou artigos valiosos que punham à venda nas redes sociais, ou através de informação recolhida pelos próprios, para depois as atacar. Na Costa da Caparica, entraram num prédio no centro da cidade, perto das nove horas da manhã, mas foram surpreendidos por um outro morador que saía com o filho para o levar à escola. O morador foi empurrado para o interior do prédio por quatro assaltantes que gritaram “Polícia! Polícia! Estás preso!”. O filho gritou, o que levou a mãe a sair de casa. Logo se apercebeu o que estava a acontecer e gritou “vocês não são polícias”, levando a que os arguidos se colocassem de imediato em fuga.
No Montijo, novo assalto a 17 de abril e com o mesmo método de atuação. Os arguidos sabiam que o alvo guardava produto estupefaciente e dinheiro em casa e decidiram assaltá-lo. Um deles simulou que ia comprar droga e no interior informou o grupo de quem estava na casa, entre as quais duas crianças com 10 e 11 anos. Dois elementos do grupo irromperam na casa, simulando uma operação policial, os menores ficaram fechados num quarto enquanto realizavam o assalto. Acabaram por fugir com 300 euros.
O grupo acabou por ser detido em dezembro do ano passado pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ. Estão todos acusados de associação criminosa, vários crimes de roubo qualificado e sequestro agravado. Seis estão em prisão preventiva, três em prisão domiciliária e os restantes em liberdade com proibição de contactos entre eles.
Pedro Pestana, advogado de um dos arguidos que é tido como um dos que agiram no “escalão Intermédio/Superior do Grupo Criminoso” vai pedir a reabertura de instrução, uma fase processual antes do julgamento na qual tenta que um Juiz de Instrução Criminal os ilibe, ou despronuncie, dos crimes. “Entendo que o crime de associação criminosa deve cair, até porque só foi imputada a sua participação residual em 1 dos 9 assaltos, no qual o MP sustenta que ele teria ficado no carro, pelo que não abordou as vítimas, não se fez passar por Inspetor da PJ, tampouco usou balaclavas ou outros distintivos dos Agentes da Autoridade.