Amanhã vai a cena o espetáculo Maneras de salir e a 16 e 17 de maio o Teatro de Marionetas do Porto lança a pergunta: “Para onde vão?
Integrado no Transborda – 6.ª Mostra Internacional de Artes Performativas de Almada / Casa da Dança, o espetáculo Maneras de salir, numa coapresentação com o Teatro Municipal Joaquim Benite, vai estar em cena amanhã, 9 de maio, às 21h00, na Sala Principal do teatro municipal.
Com conceito e coreografia Varinia Canto Vila, este espetáculo parte de uma investigação sobre a coreografia como forma de tornar visíveis as relações sociais, alimentada pelos textos da académica espanhola Victoria Pérez-Royo e da francesa Virginie Despentes, que falam sobre sair do ‘próprio corpo’ e a criação de um “corpo revolucionário”.
Varinia Canto Vila criou Maneras de salir, uma performance que explora a ideia de distância e proximidade, propondo descobrir a construção social em que cada um se move no seu quotidiano.
“O que encontramos nesta criação é que as nossas vidas decorrem numa infinidade de distâncias sociais, económicas, ideológicas, emocionais, de estilo de vida que nos distanciam e, ao mesmo tempo, nos unem”, explicou a coreógrafa chilena.
Com um toque de humor e ironia, três bailarinos oscilam entre diferentes pontos do espaço, tanto dentro de si mesmos como no lugar que ocupam na sala.
“O que proponho é que o corpo não se revela através da identificação, mas sim através do posicionamento”, explica a criadora. “A posição que assumimos em relação a outra pessoa manifesta-se de forma clara e, ao mesmo tempo, relativa, dependendo de com quem estamos a falar. Na obra, perguntamo-nos: De que lugar se está a falar? Quando estamos num lugar, quantos espaços habitamos ao mesmo tempo? Quais são as verdadeiras distâncias entre um ponto e outro”.
Entretanto, a 16 e 17 de maio, o Teatro Municipal Joaquim Benite recebe o Teatro de Marionetas do Porto num espetáculo, para toda a família, onde é lançada pergunta “Para onde vão?”. Sábado às 16h00 e domingo às 11h00.
Na sinopse lê-se que o amor pode ter muitas formas. Pode ser amizade. Companhia. Ajuda. Família. Compreensão. O amor não tem de ser necessariamente o amor romântico. “Está em tudo o que fazemos no nosso dia-a-dia”, diz a encenadora Micaela Soares. As cartas de amor também podem ter muitas formas. Podem ser beijos ou abraços. Gargalhadas. Lágrimas. Um colo. Um segredo. Uma palavra. Um gesto.
Esta carta de amor tem a forma de uma peça de teatro. A partir do universo das ilustrações de João Rodrigues, o Teatro de Marionetas do Porto criou um mundo encantado onde um menino e uma menina procuram este sentimento universal. Na cabeça, usam um capacete de astronauta, como metáfora para fugir do mundo real ao mesmo tempo que é uma espécie de proteção que lhes permite sentir mais coragem para interagirem com os outros.
“Este espetáculo vem lembrar a ingenuidade que é necessária para amar. Temos de tirar o nosso capacete do intelecto e do racional para abrir portas ao ‘sentir’. O amor é o conceito em aberto, e é poderoso por não haver uma resposta redonda e fechada sobre o que é o amor”, explica o ator Vítor Soares. Onde é que se encontra o amor? Talvez a única resposta possível seja essa — não importa ‘para onde vão’, desde que tenham companhia.