Durante a reunião de câmara, a autarca acrescentou que as terras continuam instáveis, quer na Costa da Caparica quer na Azinhaga dos Formozinhos
A presidente da Câmara Municipal de Almada garantiu que, enquanto os desalojados das intempéries não tiverem casas para morar, o município continuará a pagar a sua estada em instalações hoteleiras.
Inês de Medeiros deu esta garantia em reunião de câmara, na segunda-feira, onde moradores da Costa da Caparica e da Azinhaga dos Formozinhos (Porto Brandão) fizeram intervenções a lamentar não poderem regressar a casa três meses depois de terem sido retirados devido aos deslizamentos de terras.
A autarca explicou que em algumas zonas continua o perigo de derrocada, não tendo desaparecido com o fim das chuvas, e que nalgumas situações o regresso a casa não será mais possível, nomeadamente numa das zonas da Azinhaga dos Formozinhos.
“Na grande maioria das casas, acho que mesmo todas da zona C, não vai ser possível voltar. As pessoas arrendatárias terão apoio ao arrendamento durante ‘xis’ tempo. A questão dos proprietários será tratada caso a caso”, disse.
Inês de Medeiros explicou que, na semana passada, foi assinado o protocolo com o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) para o programa “Porta de Entrada”, com a identificação de todos os arrendatários que ficaram sem casa, que vai permitir apoios até três anos no arrendamento.
Se for necessário, adiantou a autarca, a Câmara Municipal de Almada avança com as cauções, apelando às pessoas para que colaborem na procura de casa.
Entretanto, enquanto não encontrarem casa para morar, o município assegura o alojamento em instalações hoteleiras e, explicou a autarca, em alguns casos as refeições, “para que as pessoas estejam realojadas com um mínimo de dignidade”.
“Nenhum de nós aceitaria pôr famílias inteiras em pavilhões durante três meses. Desde o início sabíamos que isto não ia ser rápido de resolver. Pela dimensão e pela complexidade”, disse.
Durante a reunião de câmara, a autarca acrescentou que as terras continuam instáveis, quer na Costa da Caparica quer na Azinhaga dos Formozinhos, registando-se ainda nesta última deslizamentos de terras.
A situação, explicou, tem vindo a ser monitorizada, estando a ser concluído o estudo pedido aos técnicos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que irá definir algumas das intervenções a realizar, nomeadamente a instalação de barreiras dinâmicas na Costa da Caparica.
“Não é a consolidação da arriba. São uma espécie de redes que permitem amparar as pedras que possam cair”, disse.
Em fevereiro, na sequência das intempéries que assolaram Portugal, cerca de 500 pessoas tiveram de ser retiradas das suas casas no concelho de Almada e, no início de abril, o município assegurava ainda alojamento temporário a 127 pessoas.
O território de Almada, no distrito de Setúbal, foi um dos concelhos atingidos pelas tempestades, registando deslizamentos de terras em arribas e vertentes em Porto Brandão e na Costa da Caparica.
Uma das zonas onde as tempestades tiveram mais impacto foi na Azinhaga dos Formozinhos, onde dezenas de habitantes tiveram de retirar os bens à pressa face ao deslizamento de uma grande massa de terra.
No início de março, a autarca reuniu-se com dezenas de moradores desalojados e transmitiu-lhes que “ninguém ficará desprotegido”.
Para os proprietários da Azinhaga dos Formozinhos que já não vão poder regressar, Inês de Medeiros disse que há a hipótese de, através de um programa de habitação colaborativa, poderem construir numa outra zona do território de Almada.
Para os arrendatários que ficaram sem casa, a solução temporária passa pelo “Porta de Entrada”, um programa do IHRU aplicado a situações de necessidade de alojamento urgente de pessoas que se vejam privadas, de forma temporária ou definitiva, da habitação ou do local onde mantinham a sua residência permanente ou que estejam em risco iminente de ficar nessa situação, em resultado de acontecimento imprevisível ou excecional.