O prazo para submissão da candidatura é até 3 de dezembro deste ano, e o anúncio da cidade vencedora está marcado para 23 de março de 2027
Almada vai candidatar-se a Capital Portuguesa da Cultura 2028, uma iniciativa do Governo que visa a valorização estratégica da cultura como fator de desenvolvimento sustentável, coesão territorial e projeção externa das cidades. O prazo para submissão da candidatura é até 3 de dezembro deste ano, e o anúncio da cidade vencedora está marcado para 23 de março de 2027.
Almada candidata-se sob o mote “Confluência com Todas as Margens”, tendo sido o anúncio oficial da candidatura apresentado no sábado, dia 19, no Salão de Festas da Incrível Almadense.
Apresentada pela presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, a candidatura assenta no conceito de confluência, e Almada afirma-se como um território de encontros, moldado ao longo de séculos por quem chegou pelo rio e ficou, por quem atravessou e permaneceu, por quem partiu e deixou legado.
Segundo Inês de Medeiros, a candidatura reconhece ainda os desafios trazidos pelo crescimento acelerado do concelho, com o risco de anonimato urbano e de acesso desigual à cultura. A resposta proposta passa por aproximar associações históricas e novos coletivos, cruzar gerações e alargar oportunidades culturais a todo o território, do Monte de Caparica à Trafaria, da Costa ao Pragal.
“Almada é, há muito, uma cidade da cultura, tem uma vida cultural continuada, uma programação reconhecida, estruturas profissionais de grande qualidade, práticas amadoras e coletivas emergentes, um movimento associativo profundamente enraizado e um público numeroso e exigente, disponível para participar”, afirmou a presidente da Câmara de Almada durante a apresentação da candidatura.
Inês de Medeiros sublinhou ainda que “Almada propõe ao País um novo modelo de democracia cultural, ao fazer dos públicos, das associações e das comunidades participantes e coautores da vida cultural”. E acrescentou: “Almada 2028 será um lugar em que todas as margens se encontram, as do rio e as do mar, mas também as sociais, culturais, territoriais, geracionais e nacionais”.
Na sua intervenção, a diretora do Departamento de Cultura, Rute Moura, frisou que o legado da Capital Portuguesa da Cultura 2028 não será a construção de um edifício ou a realização de um festival, mas antes o fomentar de um intercâmbio entre associações, espaços e agentes culturais que perdure além desta candidatura, “potenciando ao máximo o trabalho em rede”.
Os principais eixos de trabalho dos próximos tempos são “Todos; Participar – Criar – Pertencer”, envolvendo todas gerações e comunidades, criar novos públicos, apoiar a criação artística contemporânea, promover projetos colaborativos e de cocriação.
Outro eixo é “Em todos os lugares; Reconhecer – Relacionar e Habitar”. O objetivo é descentralizar a programação, valorizar o património material e imaterial, aproximar a cultura, turismo e natureza, criar percursos culturais e experiências de descoberta, requalificar potenciais espaços para o acolhimento de dinâmicas culturais.
A definição e apresentação destes eixos configuraram o primeiro passo da candidatura de Almada a Capital Portuguesa da Cultura 2028 que será ainda trabalhada entre agentes culturais e diretamente com a comunidade, para depois ser submetida oficialmente até 3 de dezembro de 2026.
No sábado foram ainda divulgados os nomes dos embaixadores da candidatura de Almada a Capital Portuguesa da Cultura 2028, entre eles: António Gomes de Pinho, antigo secretário de Estado da Cultura, fundador e antigo presidente da Fundação de Serralves e atual presidente da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, também a atriz, apresentadora e modelo, Fernanda Serrano, os músicos almadenses Carlão e António Manuel Ribeiro, a atriz e autora Ana Vilaça, o cartoonista e autor de BD almadense Nuno Saraiva, a escritora, dramaturga, guionista e cronista Luísa Costa Gomes, o ator e bailarino Romeu Runa, Rodrigo Francisco, encenador, dramaturgo e diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada e do Festival de Almada e ainda o músico e diretor artístico do Festival de Música dos Capuchos, Filipe Pinto Ribeiro, assim como a artista plástica Fernanda Fragateiro.
A candidatura de Almada a Capital Portuguesa da Cultura 2028 vai ainda passar por várias reuniões de acompanhamento.