20 Maio 2022, Sexta-feira
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Mariana Sobral: “É difícil ser artista no mundo dos jovens ou ser jovem no mundo dos artistas”

A jovem presidente da GILTeatro disseca o mais recente espectáculo que criou pela associação e lembra as dificuldades sentidas no sector cultural

 

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Tem apenas 20 anos, festejados no passado dia 6 de Janeiro, e preside à Associação GILTeatro desde Outubro de 2020. Mariana Sobral frequenta o curso de Cinema na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, e criou o espectáculo “Artes & Contradição” que, após estreia em Dezembro de 2021, voltou a subir ao palco da Casa do Povo no passado sábado.

E a aceitação do público não podia ser melhor. “Foi muito positiva. Voltou a surpreender-nos”, confessa a jovem que, juntamente com o restante elenco, sentiu de novo o calor de uma sala cheia.

Como e quando surgiu a ideia de montar este espectáculo?

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O projecto “Artes & Contradição” resultou de vários experimentos, tendo a sua temática surgido a partir do vazio. Pegámos no tema da inclusão social e estruturámos toda a base, assim como alguns alicerces importantes à criação desta peça. Delineámos o rumo que pretendíamos criar ao redor da peça, assim como os sentimentos que queríamos suscitar na audiência. Após alinhavar todas as ideias, começámos a recriar, por cima do que já havia sido feito: primeiro a ideia de cada acto e de cada cena, depois a escolha de actores e, por fim, a sua dinâmica.

Desafiei os jovens à partilha de críticas e ideias e fomos criando cada detalhe do projecto, através de improviso e muito trabalho.

Com a necessidade de mostrar todas as actividades que os nossos sócios praticam dentro e fora das nossas quatro paredes, surgiu também a necessidade de criar um espetáculo versátil e, para isso, foi delineada uma aliança entre a nossa associação e a Academia Dance Fusion Montijo, que nos deu a mão e se juntou a nós, trazendo mais talento, luz e muita dança ao nosso projecto.

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A concretização do projecto foi mais difícil do que inicialmente esperava? Quando começaram a ensaiar, quantas vezes ensaiaram por semana?

Teve muitos obstáculos, desde o momento da criação do seu conceito à sua execução. O elenco nem sempre foi fixo, o que levou a alterações constantes na peça e atrasou o seu processo de desenvolvimento. A peça encontrava-se instável e o elenco desmotivado, havíamos começado a ensaiar em Setembro de 2020 e desde o primeiro dia, até à véspera da estreia, suámos ideias, chorámos cambalhotas e rimos de figurinos. Cada um dos actores tem em si um pouco de artes e de contradição. Ensaiámos semanalmente, tendo muitos imprevistos com a data de estreia e distúrbios nos ensaios, devido à situação pandémica.

A peça engloba várias vertentes artísticas, da expressão corporal à canção… Como gosta de definir este espectáculo, que mensagem tenta passar?

“Artes & Contradição” engloba várias formas de arte: a música, a escrita, a patinagem, a dança, as artes circenses, o teatro tradicional e físico. Um projecto que tem espaço para todos os artistas brilharem, no qual todos mostram o que melhor fazem e, em simultâneo, mostram capacidades que desenvolveram. Um espetáculo que muitos definem como musical. Eu gosto de pensar neste projecto como uma linguagem teatral que suscita emoções no público.

Este projecto pretende transmitir, de forma abstracta, a sociedade de hoje. As aparências, a violência, o impacto das opiniões, o amor, o ódio, a desconfiança, são todos pontos pelos quais dançámos, cantámos e criticamos.

Depois da boa aceitação registada quer na estreia quer agora, estão previstas novas apresentações ao público?

A aceitação do público foi muito positiva no passado dia 4 de Dezembro – data de estreia – e voltou a surpreender-nos quando tivemos, novamente, a casa cheia para esta segunda apresentação do projecto. Sonhamos continuar a trabalhar na dinâmica e em pormenores desta produção, para desta forma sermos presenteados com a possibilidade de pisar palcos de fora e nos arredores de Alcochete.

Apesar da tenra idade, já preside à Associação GILTeatro. Como tem sido experiência?

A minha lista foi eleita em 2020, presido à Associação GILTeatro Alcochete desde aí, no entanto não tem sido fácil. A situação pandémica dificultou todas as apresentações, forçando-nos a ser artistas em formato digital, artistas presos em pequenas caixas de luz com tecnologia “touch”. Fomos artistas sem aplausos, artistas sem plateia.

Acredito que estamos a ter um bom regresso aos palcos, embora bastante trabalhoso, a associação está a erguer-se aos poucos.

Mas, nunca teria conseguido sozinha, quando digo que presido à Associação GILTeatro nunca me refiro só a mim, refiro-me a todos os sócios e apoiantes que me dão a mão todos os dias e caminham comigo, que me abrem portas e que saltam portões. Não tem sido fácil, mas presidir a esta associação ensinou-me o que é trabalhar pelo que amo e o grande significado de “segunda família”.

Como está a cultura em Alcochete? É difícil ser jovem no mundo das artes?

A cultura em Alcochete encontra-se fragilizada, devido ao que vivemos nos últimos dois anos, foram privilegiados outros sectores e a cultura acabou por ser deixada em lista de espera. Ser jovem só por si está a tornar-se difícil, as escolhas, o início de uma vida e de uma carreira não são assuntos que se levem de ânimo leve. Ser artista no mundo dos jovens ou ser jovem no mundo dos artistas é muito difícil, a procura não coincide com a oferta e a arte torna-se num “hobby”.

Já têm em agenda mais algum projecto?

Temos em agenda alguns projectos, uns no âmbito do teatro juvenil e outros na sequência do projecto “Artes & Contradição” que estão a ser postos em prática.

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