6 Outubro 2022, Quinta-feira
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Piloto da barra adverte para risco de acidentes com navios de grandes dimensões

Encontro, na terça-feira ao final do dia, juntou mais de uma centena de pessoas

 

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Um piloto da barra alertou hoje para o risco de acidentes e encalhe de grandes navios no estuário do Sado se não houver uma alteração nas dragagens previstas para melhorar as acessibilidades aos cais do porto de Setúbal.

“Os pilotos da barra nunca foram consultados [pela APSS, Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra] “, lamentou José Guia, piloto da barra há 27 anos.

José Guia falava na primeira sessão de esclarecimento pública sobre a melhoria das acessibilidades marítimas ao porto de Setúbal, que decorreu no auditório da APSS e que contou com a participação de mais de uma centena de pessoas.

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“Alertei [a administração portuária] para o risco de acidentes com navios de grandes dimensões, de cerca de 300 metros de comprimento”, disse José Guia, reiterando que os pilotos da barra deviam ter sido ouvidos neste processo, porque são eles que têm a responsabilidade de evitar eventuais acidentes.

Já a Bivalmar, uma associação de pesca de bivalves, criticou que o Estudo de Impacte Ambiental sobre as dragagens não tivesse uma única linha sobre eventuais consequências para as cerca de 300 embarcações de pesca e mais de 600 pessoas que dependem dos bancos de bivalves, que poderão ser fortemente afectados pela deposição dos dragados.

Segundo Carlos Pratas, da Bivalmar, o local previsto inicialmente para a deposição dos dragados vai transformar os bancos de bivalves num cemitério, como reconhece o próprio IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

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“O que nos preocupa é que ainda não vislumbramos nenhuma solução, não obstante reconhecermos que a presidente da APSS, Lídia Sequeira, está a fazer um esforço para tentar um consenso e evitar a deposição de dragados na zona da restinga, que consideramos um crime ambiental”, disse Carlos Pratas.

A sessão de esclarecimento ficou ainda marcada por várias intervenções críticas da estratégia da APSS de melhoria das acessibilidades marítimas ao porto de Setúbal e pelo receio dos impactes ambientais das dragagens.

A presidente da APSS garantiu que a administração portuária cumpriu todos os requisitos legais para salvaguarda das questões ambientais, mas alertou também para a necessidade de modernização do porto de Setúbal.

“Há aqui pessoas que consideram que Setúbal não precisa de um porto. Eu considero que é necessário modernizar o porto de Setúbal. Hoje, quem não se moderniza, desaparece”, salientou Lídia Sequeira, defendendo que a modernização dos portos é fundamental para a captação de novas indústrias e para o desenvolvimento das regiões onde se inserem.

As dragagens para alargamento e aprofundamento do canal de navegação do porto de Setúbal prevêem a retirada de cerca de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia do estuário do Sado.

Lusa

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