11 Agosto 2022, Quinta-feira
- PUB -
InícioEmpresasCarlos Clara, CEO do Grupo Clara Saúde: “Os valores humanos e sociais...

Carlos Clara, CEO do Grupo Clara Saúde: “Os valores humanos e sociais são as nossas prioridades”

É desta forma que o Grupo Clara Saúde quer “assumir um papel de relevo num sector altamente competitivo como o dos cuidados de saúde”

O Grupo Clara Saúde nasceu em 2010. Há uma década. Um espaço temporal suficiente para colocar a empresa no estágio de desenvolvimento e consolidação “onde foi planeado estar”, revela Carlos Clara, CEO do Grupo em entrevista a O SETUBALENSE. “Temos crescido todos os anos, mas só há cerca de dois abordámos a gestão de uma forma profissional. Eu próprio saí da função pública onde exercia a função de director de serviço num hospital do nosso distrito para me dedicar a tempo inteiro a este projecto familiar. Terminámos há pouco tempo a estruturação e organização do grupo e estamos preparados para enfrentar o futuro com o optimismo que esta crise actual nos concede”, salienta.

- PUB -

Sendo um “player” novo num sector altamente competitivo, o que trouxe de novo ao mercado? Que factores distinguem o Grupo em relação à concorrência?

O Clara Saúde é um grupo familiar; os seus donos são profissionais de saúde, que trabalham a tempo inteiro no mesmo. Só este facto por si só é um factor diferenciador dos grupos empresariais a actuar na saúde em Portugal. Digo diferenciador sem qualquer tom de crítica; apenas, pela nossa natureza e postura, faz com que a nossa atitude seja diferente.

Penso que temos várias características de diferenciação. Toda a nossa actuação é guiada, em primeiro lugar, por critérios médicos e científicos e só depois vêm os aspectos económicos e financeiros.

Temos uma forte actividade de investigação científica aplicada, sendo membros de instituições dedicadas a esse fim.

- PUB -

Finalmente, a proximidade que mantemos com os nossos utentes e a importância que damos aos valores humanos e sociais têm sido as nossas prioridades.

Estamos a passar por um tempo excepcional. Que balanço faz destes, praticamente, últimos dois meses da actividade do Grupo com todas as restrições provocadas pela Covid-19?

Implementámos no terreno uma estratégia baseada em quatro vertentes principais: por um lado, dotámo-nos dos meios necessários para responder, sem interrupções, como aconteceu à maioria dos laboratórios nacionais, à necessidade de testes de diagnóstico para Covid-19; não fecharmos as portas das nossas unidades para podermos continuar a servir a nossa comunidade nas situações que nada têm a ver com a pandemia; implementámos uma política de manutenção do emprego no seio do Grupo; finalmente fomos dos primeiros a lançar um sistema de rastreio de Covid-19, a Triagem Stop Covid Clara Saúde, para ser aplicado à população em geral e não só aos suspeitos da doença. Foi esta abordagem integrada que nos permitiu estabelecer parcerias com a maior parte do municípios e outras entidades do nosso distrito e do Alentejo.

- PUB -

Estamos igualmente a colaborar com muitas entidades de saúde públicas no diagnóstico, nomeadamente no Alentejo, através da execução, pelo nosso laboratório central, o Labocentro, no Pinhal Novo, dos testes de RT-PCR para Sars-CoV-2.

Internamente que medidas teve de tomar e como consegue manter equipas unidas e motivadas para assumir ao seu lado este desafio?

Em primeiro lugar assegurar a todos que tudo farei para que não haja desemprego no nosso Grupo.

Por outro lado, implementar as normas necessárias para que todos os colaboradores estejam o mais seguros possível, no que diz respeito a questões sanitárias.
Implementámos as teleconsultas, musculámos as equipas de enfermeiros para mais domicílios, mais técnicos nas colheitas, criámos uma linha de especialistas para responder com todo o profissionalismo à Covid-19.

A abordagem assenta numa estratégia de triagem em massa que possa sinalizar as situações que necessitam de testes de diagnóstico RT-PCR, as que não necessitam e as que precisam ficar em vigilância para serem triados novamente. De extrema importância é o início do estudo da imunidade da população por forma a devolver o maior número de pessoas aos seus locais de trabalho, testes esses que fomos dos primeiros a começar a fazer.

Por último, lançar projectos desafiantes, que os nossos colaboradores abraçaram com o empenho, alegria e motivação que os caracteriza: equipas especiais para rastreio de Covid-19; equipas para “fabrico” de máscaras e outro material de protecção individual; constituição de uma equipa científica para efectuar estudos epidemiológicos e de investigação sobre a Covid-19.

No seio do Grupo já está definida uma estratégia de actuação de acordo com as novas “regras” para o caso desta crise se prolongar por tempo indeterminado?

Embora se tenha gerado uma desconfiança relativa à interacção humana, penso que a nossa vida de relação voltará progressivamente ao normal. Já o mesmo não acontecerá, tão cedo, à estrutura da sociedade portuguesa, cujo descalabro económico trará feridas muito difíceis de sarar. Esta percepção já foi transmitida a todos os colaboradores, que estão preparados para as “adaptações” que terão que ser implementadas, muitas delas já em curso.

Do ponto de vista médico, qual a principal mensagem que gostaria de passar para o exterior?

Os portugueses sempre sofreram ao longo do tempo as consequências das mais diversas crises e sempre conseguiram superá-las, com mais ou menos dificuldade. Na actual pandemia já somos exemplo para muitos outros países, na forma como nos comportamos, na forma como abordámos o problema, na competência do nosso Sistema Nacional de Saúde. Digo sistema pois não só o Serviço Nacional de Saúde (SNS) respondeu bem, como também o sector privado, social e convencionado estão a contribuir para que a nossa performance a nível de saúde esteja a um nível tão elevado.

Grupo doa material de protecção pessoal e testes a hospitais do distrito

Desde o início da crise sanitária provocada pelo coronavírus que o Grupo liderado por Carlos Clara, assumiu uma postura activa no combate ao vírus. Atento à pandemia e a todo o esforço que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) têm vindo a realizar, o Grupo acaba de oferecer aos hospitais que apoiam a população do distrito de Setúbal vários milhares de máscaras cirúrgicas, luvas e viseiras assim como testes RT-PCR para Covid-19 aos profissionais de cada um dos hospitais. A acção de entrega destes equipamentos decorreu na semana passada no Hospital Garcia de Orta e Centro Hospitalar Barreiro/Montijo. Esta segunda-feira será a vez do Hospital São Bernardo Setúbal receber este apoio.

“Mas a maior ajuda que podemos neste momento oferecer é disponibilidade”, frisa o médico e CEO do Grupo Clara Saúde. “As pessoas neste momento precisam de respostas rápidas e alguém que as auxilie, principalmente na sua saúde não relacionada com a pandemia actual”, acrescenta. “Não podemos deixar a nossa população adoecer e morrer por falta de assistência, que neste momento está a ser canalizada para a Covid-19. E isto já está a acontecer por todo o País”, alerta.

Mais de duas dezenas de unidades de saúde e grande diversidade de serviços

O Grupo Clara Saúde, que desde 2010 se dedica à prestação de cuidados de saúde nas áreas clínicas de ambulatório, diagnóstico laboratorial, anatomia-patológica e de imagiologia, conta já com 22 unidades e mais de 100 postos de colheita. Tem a sua sede na Margem Sul, mais concretamente no Pinhal Novo e distribui as suas unidades pela região da Grande Lisboa e Alentejo. Em termos geográficos a estratégia inicial passou por concentrar o crescimento a sul do Tejo, mas nesta altura, salienta Carlos Saúde, “a presença no Alentejo já importante para o grupo”. “Até porque é uma região do País um pouco abandonada pelos outros players da área da saúde. Assim sendo, estamos preparados…podem contar connosco!”. O CEO do Grupo confessa a concluir: “Embora não tenhamos uma vocação expansionista, o crescimento está sempre no nosso horizonte. Temos planos para crescer mais nas áreas científicas e de investigação. É nesse plano que nos queremos afirmar. Por outro lado, não descuramos a vertente social da prestação de cuidados de saúde (teremos novidades nesta área em breve)”.

Por Luís Pestana

Comentários

- PUB -

Mais populares

Histórica estação rodoviária na 5 de Outubro vai dar lugar a supermercado Continente

Edifício está a ser alvo de estudos há cerca de uma semana, com o objectivo de abrir espaço do grupo Sonae

Hospital da Luz Setúbal confirma nova clínica no centro da cidade

Dr. José Ferreira Santos, director clínico do estabelecimento, confirma pólo adicional para aproximar clientes do centro hospitalar

PSP de Setúbal sem meios para se deslocar a atropelamento em frente à esquadra

Acidente na Avenida Luísa Tody fez uma vítima de 88 anos
- PUB -