27 Junho 2022, Segunda-feira
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DOCAPESCA: Distrito vende um terço do total de peixe do país

Administração da empresa sublinha que, em 2018, as lotas e postos do distrito “representaram 32 mil toneladas e 46,5 milhões de euros, ou seja, cerca de 32% do volume e de 23% do valor total transaccionado nas lotas do continente português”. A lota de Sesimbra “foi a primeira lota em termos de volume e a terceira em valor de vendas”

 

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O distrito de Setúbal é o de maior peso para a Docapesca – Portos e Lotas SA, e aquele onde a empresa, detida pelo Estado, têm números mais expressivos, tanto em unidades, como em investimento e resultados.

Em entrevista a O SETUBALENSE, a administração – Teresa Estavão Pedro (presidente), Sérgio Faias (vogal) e Carlos Figueiredo (vogal) – explica os investimentos em curso na região, com destaque para as lotas da Costa de Caparica e Trafaria, os novos pavilhões de descarga do cerco em Sesimbra e Sines, a reabilitação dos armazéns de comerciantes em Sesimbra e o projecto-piloto do novo sistema de leilão electrónico que irá realizar-se em Setúbal.

 

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Que actividade e unidades tem actualmente a Docapesca no distrito de Setúbal?

A Docapesca – Portos e Lotas, S.A. é uma sociedade anónima, de capitais exclusivamente públicos, que integra o sector empresarial do Estado e insere-se no leque de empresas da denominada Economia Azul.

Sedeada em Lisboa, a Docapesca está presente em Portugal Continental, através de cinco direções de lotas e portos de pesca: Norte e Matosinhos, Centro Norte, Centro, Centro Sul e Algarve. Além da actividade de organização da primeira venda de pescado que compreende 59 estabelecimentos, entre eles 22 lotas com número de controlo veterinário e 37 estabelecimentos de menor dimensão inseridos em pequenas comunidades piscatórias.

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No distrito de Setúbal, a Docapesca efectua a gestão de quatro lotas com número de controlo veterinário (Sesimbra, Setúbal, Sines e Costa de Caparica) e três postos (Trafaria, Fonte da Telha e Carrasqueira).

 

Qual é o peso da operação no distrito de Setúbal para o conjunto da actividade da Docapesca?

O distrito de Setúbal é bastante relevante para a actividade da Docapesca, no que diz respeito ao volume e ao valor do pescado transaccionado nas suas lotas.

Em 2018, as lotas e postos do distrito representaram 32 mil toneladas e 46,5 milhões de euros, ou seja, cerca de 32% do volume e de 23% do valor total transaccionado nas lotas do continente português.

No cômputo nacional, a lota de Sesimbra foi a primeira lota em termos de volume e a terceira em valor de vendas.

 

Qual é a estratégia, presente e futura, da empresa para a região?

O próximo plano estratégico da empresa deverá manter quatro eixos fundamentais: o desenvolvimento sustentável e inovação; a segurança e qualidade; o capital humano; e o desempenho económico/financeiro.

No capítulo do desenvolvimento sustentável, e especificamente quanto à valorização dos produtos, continuamos com a promoção da cavala e, em 2018, lançámos a campanha do carapau, a que demos seguimento no presente ano. Ao nível do seu valor, o carapau registou um acréscimo no preço médio de 30%, contribuindo assim para o aumento do rendimento dos pescadores, potenciando a confiança nesta actividade e em toda a indústria e serviços relativos à economia do mar.

A promoção da sustentabilidade ambiental é outro dos objectivos da empresa, tendo o projecto “A Pesca por um Mar sem Lixo” sido iniciado nos portos de pesca de Sesimbra, Setúbal e Sines, onde contamos com mais de 80 embarcações aderentes. Este projecto visa sensibilizar a comunidade piscatória para as consequências da deposição de resíduos no mar e sobre as vantagens da adopção de boas práticas de recolha e separação.

Em Sesimbra, destaca-se o projecto “Cabaz do Peixe”, que enquanto circuito curto de comercialização, visa promover um comércio mais justo e o aumento do rendimento dos pescadores.

No que diz respeito à segurança e qualidade, a Docapesca tem prosseguido a sua política de investimento com vista à requalificação dos equipamentos e infra-estruturas nos portos de pesca e dos processos de certificação das lotas indispensáveis à garantia das condições de segurança dos profissionais do sector da pesca e fundamentais para a melhoria da qualidade e segurança alimentar e consequente valorização do pescado descarregado em lota. Neste âmbito, em 2017, a Docapesca já certificou a lota de Sesimbra segundo a norma ISO 22000:2005, que especifica os requisitos necessários para a implementação de um Sistema de Gestão de Segurança Alimentar.

 

Que investimentos têm sido realizados e quais os planeados?

No período entre 2016 e 2018, a Docapesca concretizou investimentos nos portos de pesca do distrito de Setúbal no valor global de 890 mil e 600 euros. Entre estes, destacam-se: em Sesimbra, o estendal de artes de palangre, a reabilitação de estação de tratamento de água salgada, a reabilitação dos armazéns de aprestos ou o novo telheiro de lavagem de artes; em Setúbal, a reabilitação da estação de água salgada, a aquisição de grua para descarga do pescado; e em Sines, a instalação de escadas e defensas ou a reabilitação dos armazéns de comerciantes e de aprestos.

No presente ano, o total de investimentos realizados e em curso ascende a 1,6 milhões de euros destacam-se a requalificação da lota da Costa de Caparica, a nova lota da Trafaria, os novos pavilhões de descarga do cerco em Sesimbra e Sines (a iniciar), a reabilitação dos armazéns de comerciantes em Sesimbra e o projecto-piloto do novo sistema de leilão electrónico que irá realizar-se em Setúbal.

 

Que importância tem a Docapesca para a economia da região e que contributo pode dar ao desenvolvimento económico dos concelhos em que está inserida e do distrito?

A Docapesca, enquanto empresa do sector empresarial do Estado, está ao serviço do sector da pesca, procurando contribuir para um sector mais moderno e cada vez mais competitivo. Por este motivo, temos vindo a realizar as campanhas de promoção de espécies de baixo valor comercial e sustentáveis e a reforçar as condições de higiene e segurança alimentar, através das medidas já referidas, que consideramos essenciais para a valorização do pescado e para a garantia do produto, possibilitando assim o desenvolvimento sustentável do sector.

 

Alteração do horário do leilão em Setúbal está em negociação

 

Barcos de Setúbal recorrem à lota de Sesimbra, mas, mesmo assim, valor de vendas em Setúbal cresceu 26% nos últimos cinco anos

 

Em Setúbal, a Docapesca tem sido apontada como responsável pela diminuição do número de barcos de pesca neste porto. Pode explicar qual é a situação?

A diminuição do número de embarcações é uma realidade a nível nacional. No caso do distrito de Setúbal, as embarcações do cerco têm recorrido à lota de Sesimbra para realizar as suas vendas. Contudo, embora o número de embarcações tenha vindo a diminuir nos últimos anos na lota de Setúbal, o valor de vendas subiu cerca de 26% nos últimos cinco anos.

 

O horário de funcionamento da lota tem sido problema apontado pelos pescadores. A alteração é possível, necessária ou desejável? Tem sido equacionada?

Relativamente ao horário do leilão da lota de Setúbal, a Docapesca encontra-se totalmente disponível para introduzir as alterações necessárias e responder da melhor forma às necessidades da comunidade a quem presta o serviço público da primeira venda de pescado. Para o efeito, apenas será necessário que se obtenha um entendimento que satisfaça os armadores e os comerciantes. Apesar de, no passado, a Docapesca ter promovido um conjunto de reuniões com vista à antecipação do horário do leilão, não foi possível encontrar uma base de entendimento. No entanto, temos conhecimento que estão em curso conversações entre a Associação Setúbal Pesca e os compradores de pescado com vista à apresentação de uma proposta conjunta para alteração do horário do leilão.

 

Qual é a participação da Docapesca na Semana do Mar de Setúbal?

A Docapesca vai estar mais uma vez presente na Semana do Mar, onde será realizada uma simulação de leilão tradicional à voz e do actual leilão electrónico, para que os visitantes possam aferir da evolução na primeira venda do pescado ao longo dos anos. Nesses dias, a lota de Setúbal irá também receber uma visita de alunos de escolas do concelho de Setúbal.

 

1,6 milhões de investimento em curso no distrito

 

A Docapesca tem em curso vários investimentos no distrito, a realizar neste ano, que, no total atingem os 1,6 milhões de euros.

Os principais a concluir até final do presente ano “são a reabilitação da lota da Costa de Caparica e a nova lota da Trafaria, cujo valor global ascende a cerca de 873 mil euros”, destaca o administrador da empresa. No caso da Costa de Caparica, adianta Sérgio Faias, prevê-se a conclusão da empreitada “durante o próximo mês de Outubro”. Quanto à nova lota da Trafaria, a conclusão “está prevista para o final do mês de Novembro”.

Além da requalificação da lota da Costa de Caparica e da nova lota da Trafaria – que representam mais de metade do bolo financeiro –, Sérgio Faias destaca ainda, entre os investimentos de 2019, “os novos pavilhões de descarga do cerco em Sesimbra e Sines (a iniciar), a reabilitação dos armazéns de comerciantes em Sesimbra e o projecto piloto do novo sistema de leilão electrónico que irá realizar-se em Setúbal”.

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