22 Julho 2024, Segunda-feira

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Rui Sá: “Só não saí durante a época por respeito ao presidente da SAD e aos jogadores do Amora B”

Rui Sá: “Só não saí durante a época por respeito ao presidente da SAD e aos jogadores do Amora B”

Rui Sá: “Só não saí durante a época por respeito ao presidente da SAD e aos jogadores do Amora B”

Foi campeão distrital da 2.ª Divisão e esta época terminou o principal campeonato do futebol setubalense em quinto lugar mas não continua no clube por se sentir prejudicado por decisões tomadas por quem faz a gestão do futebol. 

Na entrevista concedida ao SETUBALENSE, Rui Sá confessou ter ficado frustrado por não ter sido chamado para orientar a equipa principal na Liga 3 no período em que esteve sem treinador, funções exercidas pelo director desportivo. 

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Ao fim de três anos de ligação saíste da equipa “B” do Amora, porque razão?

A decisão estava tomada já há algum tempo em consequência de muita coisa que foi acontecendo ao longo desta época, com as quais eu não me revia. Não fazia sentido dar continuidade a um projeto de equipa B, com o qual não me estava a identificar. Cheguei a equacionar a saída durante a época, coisa que só não aconteceu por respeito ao presidente da SAD, José Maria Gallego, e aos jogadores que grande parte haviam sido recrutados pela equipa técnica.

O que aconteceu para que essa hipótese chegasse a ser pensada?

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A partir do momento em que são chamados jogadores da equipa “B” (que não eram primeira opção), à equipa “A”, sem ninguém da equipa técnica ser ouvida, percebemos logo o registo com que nos iríamos deparar e que se veio a verificar em toda a época, que foi, de nenhum diálogo e nenhuma partilha, elementos fundamentais para o sucesso de qualquer estrutura. Quando são os jogadores que me comunicam que vão sair para outros clubes no próprio dia da sua saída, isto no mercado de Janeiro e quando são recrutados pelo responsável pelo futebol, jogadores sem ser consultado, ainda para mais, quando a escolha dos jogadores, no início da época, foi quase toda da responsabilidade da equipa técnica da equipa B, mostra bem a falta de consideração. A juntar a isto, foi uma equipa que esteve sempre desacompanhada, e que andou por sua conta, do início ao fim da época, tornou-se muito desgastante, principalmente pelos jogadores que não mereciam isto.  

Tendo em conta essas ocorrências foi com alguma mágoa que deixaste o clube?

Fica o orgulho de ter treinado a equipa “B” do Amora. Já tinha passado pelo clube como jogador, assim como o meu irmão [Tó Sá], e a nossa relação é de muitos anos. Na primeira época tivemos apenas um mês para recrutar e preparar a equipa para a 2.ª divisão distrital, acabámos por subir de divisão e sermos campeões. No segundo ano, sentimos muitas dificuldades devido às limitações e circunstâncias das equipas “B”, nomeadamente no que diz respeito ao número de inscrições e idade dos atletas e tivemos um plantel  com apenas  16 jogadores e terminámos com 13. Este ano esperávamos mais estabilidade mas acabaram por fragilizar a equipa no mercado de Janeiro. Contrubuimos para o crescimento de jogadores e temos uma cota parte de “responsabilidade” nos jogadores que acabaram por ser os maiores negócios financeiros da SAD nestes três anos, o Zé Mário e o Beni Souza, curiosamente, pedi que assinassem os dois, logo após o primeiro treino que fizeram na equipa B.

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Mas ainda assim a equipa ficou em quinto lugar ?

Queriamos mais, sem nunca descurar o processo de potenciar e fazer crescer jogadores. Acreditamos que para atingir níveis mais elevados tem que haver qualidade e foi isso que quisemos impor na nossa ideia de jogo. Mas, poderíamos ter chegado muito mais longe se não tivessem sido tomadas medidas que me transcenderam e acabaram por baixar o nível da equipa.

A fase menos boa da equipa coincidiu com a implementação dessas medidas?

Sim, saíram 4 jogadores fundamentais para equipas do Campeonato de Portugal. naturalmente, ficámos mais frágeis e isso fez-se notar desportivamente.

Na globalidade, ao fim destes três anos sais com a noção do dever cumprido?

Claramente. Foram 3 anos de muito trabalho, de muita dedicação e sucesso na nossa função de treinadores da equipa “B”, que era potenciar e fazer crescer jogadores jovens, integrando jogadores da  formação do clube em contexto sénior, e no recrutamento que iamos fazendo fora.

Ser treinador de uma equipa “B” parece não ser tarefa fácil …

Na verdade é muito difícil ser treinador de uma equipa “B”, não só porque se trata de uma equipa de suporte para alimentar a equipa “A”, e bem, mas acima de tudo, mais difícil se torna quando não existe interação com a equipa “A”, como houve nos anos anteriores.

Considerando o bom trabalho que estava a ser feito e os resultados menos positivos da equipa “A”, nunca chegaste a pensar na hipótese de vires a ser chamado para orientar a equipa principal na Liga 3?

Muito honestamente, acho que seria um reconhecimento justo por tudo aquilo que vínhamos fazendo. Nunca fomos sombra de ninguém e sempre estivémos orientados para o processo da equipa B. Neste terceiro ano tendo em conta o bom desempenho da equipa “B” e a falta de capacidade da equipa “A”, é natural que nos tivesse passado pela cabeça essa hipótese, mas não foi isso que decidiram. Após a saída do treinador quem assumiu foi o director desportivo, para surpresa de toda a gente, e depois acabaram por optar por um treinador que estava numa competição de nivel inferior ao que nós nos encontrávamos.

E agora quais são as perspectivas para o futuro?

Neste momento descansar e aguardar serenamente.Tem havido algumas abordagens e conversas informais mas não há nada de concreto.

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