Miguel Reizinho, vice-presidente da direção do Vitória eleita em março de 2025, anunciou ontem a sua saída do cargo. “Chega o momento de comunicar aos sócios e adeptos do Vitória a minha decisão de deixar a direção do clube”, escreveu numa carta aberta dirigida aos associados e simpatizantes do emblema setubalense em que admitindo não ter sido “uma decisão fácil”.
O agora ex-dirigente lamenta o facto de “nem sempre o trabalho, a lealdade e a vontade de construir são suficientes quando existem interesses, egos e ambições que se sobrepõem ao verdadeiro bem do Vitória”, disse, afirmando que “há quem prefira concentrar poder em vez de unir esforços, e há quem veja como obstáculo quem apenas procura cumprir as suas funções com responsabilidade”.
Ainda sobre as razões que o levaram a tomar a decisão de sair, Miguel Reizinho não quer colocar o clube numa posição fragilizada. “Perante uma situação em que me foi transmitido que a minha permanência poderia colocar em causa o apoio financeiro tão importante para o futuro do clube, não tive dúvidas na decisão a tomar. O Vitória está acima de qualquer cargo, qualquer pessoa e acima do meu orgulho pessoal. Por isso, escolho sair”.
O sócio número 334 dos sadinos, filiado desde 14 de abril de 1969, assegura sair “de consciência tranquila, com a certeza de que sempre defendeu os interesses do clube e de que nunca colocou ambições pessoais à frente do emblema”, lê-se, garantindo que continuará a “apoiar, sofrer e acreditar no Vitória, independentemente do lugar que ocupe”.
Sem mencionar nomes, Miguel Reizinho não se coíbe de criticar “os que não respeitam nem a vontade dos adeptos nem o escrutínio dos associados” desafiando-os a “refletir sobre as suas atuações, egos pessoais e das reais necessidades do seu clube. Todos somos precisos e necessários para o renascimento do Vitoria, mas nada nem ninguém deverá ter a pretensão de querer ajoelhar o Vitória”, frisou, deixando uma certeza. “Saio do Vitória, mas o Vitória jamais sairá de mim”.