“O meu foco continua a ser retirar o Vitória do ‘buraco’ em que estava”, vinca o treinador do Vitória FC
Foi apresentado sexta-feira, dia em que orientou o primeiro treino, e estreou-se domingo com uma vitória (3-1) sobre o Lagoa. Ficou satisfeito com o que viu em campo?
Sim. Não tínhamos tempo para trabalhar calmamente, mas o momento do Vitória exigia que estivesse, mesmo sem muito tempo para trabalhar, ao lado da equipa a lutar pela vitória. O importante não era tanto a organização que se podia dar em dois dias, obviamente que o tentámos fazer, mas acima de tudo, até porque eu quando aqui entrei senti obviamente que a equipa, em treino e não só, estava um bocadinho ansiosa e bloqueada. O objetivo era mudar o ‘chip’, desbloquear e passar confiança aos jogadores.
Com três golos antes dos 20 minutos de jogo esse objetivo foi amplamente alcançado.
Com a entrada que tivemos que conseguimos ultrapassar a barreira que queríamos transpor. Entrámos muito confiantes, adiantámo-nos no marcador com alguma margem e depois acabámos por gerir o jogo para o objetivo final que era dar a primeira vitória aos adeptos no Bonfim.
Por volta da meia hora de jogo o adversário reduziu para 3-1 na sequência de um erro do guarda-redes Rodrigo Gomes. Temeu que esse momento enervasse a equipa?
O meu foco esteve na mensagem psicológica que passei para os jogadores nestas 48/72 horas que passei com a equipa. Pedi uma mudança ao nível da atitude competitiva. O que comprova que os jogadores mudaram o ‘chip’ é que entraram focados na missão de ganhar o jogo. O facto de termos tido uma infelicidade não nos abalou, fez com que passássemos um bocadinho mal e tivéssemos que nos reencontrar, mas o facto é que tivemos a capacidade e a inteligência para gerir o jogo a nosso favor, mesmo estando mal fisicamente. É claro para toda a gente que a equipa precisa melhorar os índices competitivos de atitude, mas também fisicamente, mas isso o tempo com certeza trará e dar-nos-á as oportunidades para trabalhar diariamente com a equipa e melhorar todos os índices necessários.
No cômputo geral, que balanço faz da estreia?
O que era preciso fazer não era jogar para a direita ou para a esquerda, era preciso ganhar. E os adeptos e o grupo de trabalho sabiam que tinham que dar uma imagem diferente do que tinham feito nos últimos seis jogos no campeonato. Pedi-lhes para entrarmos fortes, à Vitória, para também capitalizar para as bancadas e fazer as pessoas acreditarem que, efetivamente, a história que tinha a equipa esta época parou no dia em que entrou um novo treinador. Senti a equipa muito ansiosa nos dois dias em que trabalhei com eles e o objetivo era libertá-los e dar-lhes confiança. Conseguimos fazê-lo. A equipa teve uma entrada fantástica e marcámos três golos em menos de 20 minutos. Portanto, melhor início não poderia haver. E, acima de tudo e no geral, estou muito contente por termos garantido, pela primeira vez nesta época, uma vitória no Bonfim.
Tendo em conta o tempo que a equipa para melhorar esses índices competitivos, acredita que a equipa, que na próxima jornada joga na casa do líder Sintrense, tem condições para lutar pelos lugares de subida de divisão?
Neste momento, a missão é clara: retirar o Vitória dos últimos lugares. Quando aqui entrei, estávamos em penúltimo lugar, havia muita coisa a melhorar e o objetivo é estabilizar o Vitória a nível exibicional e de resultados e só depois pensar em qualquer outra coisa. Agora temos que ser realistas e trabalhar dia-a-dia, jogo-a-jogo, as contas, como eu disse na apresentação, não se fazem em outubro, far-se-ão em abril, portanto o meu foco continua a ser retirar o Vitória do buraco, passe a expressão, em que estava e com muito trabalho, muita organização, muito foco, muita paixão, tentar melhorar a nossa condição e estabilizarmos, não olhando apenas para a tabela classificativa, mas também numa ótica de pontos e vitórias.
Como foi a experiência de estar, pela primeira vez, no banco a comandar a equipa do Vitória, no Estádio do Bonfim?
Senti que vim para o maior clube da minha carreira e que estou num clube com uma grandiosidade nacional e uma sala de troféus com uma grandiosidade também a nível nacional. Senti que os adeptos também fizeram aquilo que eu apelei quando fui apresentado na sexta-feira. Eram 20 jogos que tínhamos pela frente e no primeiro jogo eles foram o nosso 12.º jogador. Faltam 19 e o próximo é para a semana em Sintra. Tenho a convicção que eles vão estar lá e vão ser novamente o 12.º jogador. É um orgulho muito grande representar o Vitória, é melhor estar do lado de cá do que vir aqui jogar ao Bonfim contra o Vitória. Ninguém aqui agora está feliz da vida, a noção de responsabilidade e do sentido daquilo que ainda há a fazer é grande e o objetivo e o apelo que eu deixo mais uma vez é, faltam 19 jogos, queremos o 12.º jogador nesses 19 jogos no nível de apoio ou ainda mais do que aquilo que tivemos agora.