26 Junho 2024, Quarta-feira

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“Já não pensava sair do Vitória mas a minha família depende de mim”

“Já não pensava sair do Vitória mas a minha família depende de mim”

“Já não pensava sair do Vitória mas a minha família depende de mim”

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“Neste momento tenho de ponderar tudo, desde terminar a carreira a poder abraçar outro projecto”, confessa o capitão de 36 anos

 

No sábado teve seguramente o triunfo (2-1 ao Oliveira do Hospital) mais amargo da sua vida. O que sentiu no final do jogo quando a equipa, devido ao golo sofrido nos instantes finais, viu consumada a descida ao 4.º escalão, o Campeonato de Portugal?

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Foi um soco no estômago que ninguém estava à espera. Quando fiz o 2-0 (57 minutos) queria que o jogo terminasse rápido. Já pensava que íamos conseguir manter o clube na Liga 3 e fazer um novo investimento para subirmos. No entanto, aos 89 minutos sofremos o golo. Fizemos um dos nossos melhores jogos e ter acontecido dessa forma foi complicado. Foi o momento mais difícil da minha carreira.

Que explicações encontra para o desfecho e para a irregularidade da equipa ao longo da época?

Se tivéssemos começado com zero pontos nesta fase teríamos terminado em 1.º lugar. Penso que o formato da Liga 3 não beneficia nenhuma equipa, mas já sabíamos como iria ser desde o primeiro minuto e isso não serve de desculpa. Na 1.ª fase, tivemos um período em que estávamos bem e, de um momento para o outro, perdemos quatro jogos e a equipa começou a duvidar um pouco de si. Houve a mudança de treinadores, cada um com as suas ideias e os jogadores, às vezes, não conseguem assimilar tudo da melhor forma. Além disso, muitos jogadores sentiram a pressão de jogar no Vitória. Uma coisa é jogarem noutros clubes e outra é fazerem-no no Vitória onde se tem de jogar sempre para ganhar.

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Houve colegas seus que não aguentaram a pressão?

No futebol, às vezes, pode-se ter muito boa equipa e as coisas não correrem bem e, a partir daí, passamos todos a ser maus. Desde a pré-época, em que prometemos muito, pensava que tínhamos uma equipa bastante boa e que até éramos candidatos a subir de divisão. Mais tarde começámos a perder jogos e a equipa passou a ficar sem confiança. Se me pergunta se a maioria dos jogadores estava preparado para jogar no Vitória? Acho que não porque não tinham noção do que era a grandeza do clube, mas eu sempre achei que o grupo tinha qualidade e poderíamos fazer coisas boas. Confiei até este jogo em toda a gente, mas, infelizmente, as coisas não correram como nós queríamos.

Como vai ser o futuro do clube no 4.º escalão e de que forma vão os vitorianos viver essa realidade inédita?

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Quem é do Vitória não vai deixar de o ser esteja o clube na 1.ª Liga ou no Campeonato de Portugal. No entanto, as pessoas estão desiludidas com o que aconteceu e, se calhar, vai começar a ir menos gente ao estádio. Espero que o Vitória consiga, o mais brevemente possível, sair desta situação. Confesso que a nível psicológico não estou com uma frescura que me permita falar agora de maneira limpa e sã. Para mim, têm sido dias muito difíceis e começo a ponderar tudo e a pensar que já chega!

Pondera terminar a carreira?

Sinto uma grande dor no final da época mais desgastante e decepcionante da minha vida, a todos os níveis. Se me perguntarem neste momento se vou terminar a minha carreira digo prontamente que ‘sim’. A nível individual, sei que estive muito bem. Fiz 15 golos e estou na frente dos melhores marcadores da Liga 3, mas, a nível psicológico, estou muito desgastado. Não estava à espera disto. Tenho as minhas filhas, a minha mãe e os meus irmãos aqui (em Setúbal) e na minha cabeça já não pensava sair daqui, mas, com esta descida, mesmo gostando muito do Vitória, não me esqueço que a minha família depende de mim e da minha vida financeira para lhes dar o melhor como até aqui.

Sente forças para abraçar outro projecto aos 36 anos?

Já fiz muito pelo Vitória e cheguei a estar oito ou nove meses sem receber, mas, por mais que eu ame o Vitória, neste momento tenho de ponderar tudo desde terminar a carreira a poder abraçar outro projecto. Claro que me sinto capaz de continuar a jogar. Faço 15 golos na época e corro 12 quilómetros por jogo. Sinto-me muito bem a nível físico, mas, psicologicamente, não sou o mesmo e as pessoas que estão comigo sabem-no. Nos dois dias depois do jogo, dormi quatro horas. Sinto-me muito ansioso.

Em 2020, o clube, numa decisão administrativa, desceu da 1ª Liga ao 3.º escalão. Agora, em 2023, desce, desportivamente, ao 4.º. O sentimento é igual ao viver por dentro estes reveses?

Uma coisa foi quando o Vitória desceu por motivos administrativos e fiquei para ajudar o clube. Estar três anos a tentar subir e não conseguir já era, por si, muito frustrante. Agora, com esta descida, as coisas tornaram-se piores. É com muita tristeza e muita dor que o meu Vitória está nesta situação. Nunca pensei. Espero que num futuro próximo saia a decisão a reverter a descida e o clube volte à 1.ª Liga. Um clube que mete quase 15 mil espectadores no estádio num jogo destes (com Oliveira do Hospital) não pode, nunca, estar no Campeonato de Portugal.

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