4 Dezembro 2022, Domingo
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Ricardo Vieira: “Será sempre um enorme marco na minha carreira poder dizer que represento o Vitória”

Técnico, de 32 anos, assumiu no início da época o leme da recém-criada equipa de futebol feminino do Vitória. Apesar de ser líder da série M da 3.ª divisão, Ricardo Vieira, que não esconde o “orgulho” de defender as cores sadinas, garante que nunca irá “prometer títulos ou subidas”, mas “trabalho e dedicação”

 

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O que representa para si ser treinador da primeira equipa de futebol feminino do Vitória?

Orgulho e responsabilidade. Penso que sejam as palavras que melhor descrevem o que significa para mim representar este enorme clube. Embora esta não seja a 1ª equipa do Vitória, é e será sempre um enorme marco na minha carreira poder dizer que represento o Vitória Futebol Clube.

O que mais o surpreendeu quando chegou ao Bonfim?

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Sendo completamente honesto, nunca tinha entrado dentro das instalações do estádio do Bonfim. Sempre passei, mas nunca se proporcionou assistir a um jogo no estádio. Já melhorei nesse aspecto. Sempre que possível, estou no estádio do Bonfim a ver o Enorme Vitória jogar. Mas, episódio engraçado, a primeira vez que entrei nas instalações do Bonfim foi naminha primeira reunião com o Victor Conduto e, para disfarçar um pouco o sentimento avassalador que o Estádio do Bonfim teve em mim, fiz de conta que estava a enviar várias mensagens quando, na realidade, estive o tempo todo a tirar fotos à socapa a tudo o que via à minha volta. Felizmente, ninguém reparou no pequeno adepto disfarçado de treinador que estava ao ponto de ficar especado a olhar para o emblema do clube por cima da porta que dá para a sala de impressa e onde estão os troféus.

Quais as maiores dificuldades que encontrou?

Não me recordo de ter sentido qualquer dificuldade seja em que aspecto for. O Vitória e todos os que estão inseridos neste projecto tudo fazem para que nada nos falte. O meu mais profundo agradecimento a todos por facilitarem o nosso trabalho.

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O Vitória é líder invicto na série M do Campeonato da 3.ª divisão. Acredita que a subida será uma realidade no final da época?

Eu sei o que todos os adeptos esperam de nós e de qualquer outro escalão do Vitória e sei o quanto significa representar este emblema, mas trabalhamos semana a semana para estar cada vez melhores e mais competitivos e jogamos cada jogo com o objectivo de nos apresentarmos melhor do que no jogo anterior sempre com a máxima responsabilidade que é envergar esta camisola. Não irei, em ponto algum, prometer títulos ou subidas. O que posso prometer é muito trabalho e dedicação da parte de todo o grupo de trabalho para deixar todos os membros deste clube, desde do nosso presidente Carlos Silva até à D. Paula da lavandaria, e todos os adeptos orgulhosos de nós e do que damos de em campo.

Depois de ultrapassarem dois adversários, até onde pode chegar o Vitória na Taça de Portugal?

Tal como disse anteriormente, trabalho e dedicação em ser melhor e dar o nosso melhor em todas as competições. A Taça de Portugal, como sabemos, é uma competição que tem a sua magia e tudo pode acontecer. Enquanto nos for possível sonhar, de tudo faremos para que passem de sonhos a realidade.

Como define o plantel que tem à sua disposição?

Uma muito boa dor de cabeça. Um plantel muito homogéneo e com uma capacidade incrível de aprender e ser melhor. É um prazer ser treinador deste grupo e de o ver evoluir como temos visto até agora. Com toda a certeza que vai evoluir ainda muito mais.

Quais os pontos fortes do grupo de trabalho?

Entre vários, destaco dois pontos fortes – a vontade de querer ser sempre melhor; cada elemento deste grupo de trabalho quer ser melhor do que foi ontem e amanhã quererá ser melhor do que é hoje; e o bom ambiente que temos dentro deste grupo que é excelente.

Qual o segredo que ajuda a explicar a excelente campanha da equipa até ao momento?

Não creio que exista um segredo ou fórmula secreta para o sucesso deste grupo. O que posso dizer é que todos os elementos que aqui estão foram escolhidos para entrar neste projecto não só pela sua qualidade como atletas ou treinadores, mas também como as pessoas que são e que todos temos a aprender uns com os outros. De resto, trabalhamos, tal como todas as outras equipas, para conquistar as vitórias ao fim de semana.

Sem desprimor para as demais, consegue eleger quais as jogadoras que mais se têm destacado?

Felizmente, o futebol é um desporto de equipa, embora muitas pessoas por vezes se esqueçam desse facto e apenas se foquem em quem marca mais golos, faz mais assistências ou mais defesas. Dito isto, não posso deixar de salientar que, quem faz golos, não os faria se não houvesse alguém a fazer as assistências e estas, por sua vez, não existiriam sem ninguém para construir as jogadas que levam até aos golos. As vitórias não seriam conseguidas sem alguém para defender a bola de entrar na nossa baliza e se a bola não chegar a nossa baliza é porque todos os outros elementos trabalharam em conjunto para que não houvesse perigo. Posto isto, consigo eleger, sim, um grupo de trabalho incrível!

Quando decidiu que queria ser treinador de futebol?

Acho que não foi algo que decidi ser. Penso que já nasceu comigo. Embora tenha jogado futebol, nunca foi algo que me ambicionasse seguir. Sempre gostei mais de orientar a equipa em campo e de observar e desenvolver estratégias para parar adversários, tanto é que a maior parto dos meus amigos em casa jogava “FIFA” e “PES” enquanto eu sempre fui fã de “Championship Manager” e “Elifoot”. Mas, mais importante que tudo isso, sempre me senti atraído por este desporto e pelo facto de que não existe A fórmula ou A receita secreta para o sucesso. Já assisti a equipas em lágrimas e, segundos depois, em festa. Isto é o espírito com que fui crescendo e é neste mundo que quero estar até ao fim dos meus dias. Para mim, existem e vão sempre existir dois pontos muito fortes – a família que escolhi ter e o futebol onde escolhi estar. Sem estes dois não faz sentido, daí a minha conclusão inicial, não é algo que decidi ser, mas sim algo que está no meu ser desde que nasci.

Qual foi o seu percurso até chegar onde está hoje?

Percurso que, embora curto em noção de tempo, já é longo em questão de experiência. A minha primeira experiência como treinador foi quando tinha os meus 13-14 anos, em que orientei a equipa do meu primo num torneio entre equipas dos parques de campismo da zona de Sesimbra. A partir daí, acho que nunca mais olhei para trás. Continuei a jogar, mas sempre já me focando em vestir o fato em vez do equipamento. Em 2013, recebi o convite para assumir a equipa sénior de futsal da Casa do Benfica no Seixal, um convite que aceitei com algum receio pois, embora tenha sempre praticado tudo o que era desporto, bola no pé sempre foi na relva. Foi uma excelente experiência em que acabei por aprender muitas das coisas que ainda hoje incorporo no meu estilo de jogo. Em 2015, faço a transição para o futebol como adjunto dos Juvenis A do CD Cova da Piedade e iniciei a minha formação para obter o nível I de treinador. Depois disso, nunca mais saí do futebol. Na época seguinte, assumo como principal dos infantis B do Charneca da Caparica FC e, ao mesmo tempo que desempenhava as funções de treinador dos traquinas e treinador adjunto nos escalões de iniciados B, juvenis B e seniores sendo que neste ainda acumulava a função de observador e analista das equipas adversárias, acabámos por chegar a final da Taça AFS nesse ano. No ano seguinte assumo a equipa de Juvenis B dos GD Pescadores CC, onde tive uma das mais enriquecedoras experiências de sempre. Tínhamos um grupo complicado, mas que acabámos por conseguir todos nós evoluir dentro e fora de campo, como atletas, treinadores e seres humanos.

Depois seguiu-se o Amora?

Sim, em 2018, recebo o convite para assumir a equipa sénior feminina do Amora FC e que ano foi esse! Chegámos à 2.ª fase da II divisão nacional e conquistámos a 1ª edição da Taça AFS feminina. De seguida, uma passagem pela Liga BPI, onde assumi a equipa do GDC A-dos Francos, onde a um mês de começar a competição, tinha apenas uma jogadora inscrita. Foi uma tarefa hercúlea para conseguir 11 para a 1.ª jornada em que acabámos por perder 24-0 com o SL Benfica. Foi uma experiência que me ensinou muitas coisas e que, ao contrário do que se possa pensar, estou muito agradecido de a ter tido. Eis que surge a covid-19, os campeonatos pararam e, na época seguinte, acabo por assumir a recém-formada equipa R Power FC, a participar na também recém-formada III divisão nacional. Sagrámo-nos campeões invictos e, antes da minha saída na época seguinte, ainda conquistámos a Taça Anabela Santos. Acabo por terminar a época na Escola FF Setúbal, em que infelizmente não conseguimos evitar a descida de divisão. Este ano, de volta à III divisão ao leme do enorme Vitória FC.

Quais as suas principais características como treinador? Como se define?

Como diz um treinador que tenho o prazer de chamar amigo “Humildade a mais também é vaidade”. Enquanto treinador, penso que as minhas duas melhores características são o facto de ser um bom estratega, alguém que gosta de desconstruir o adversário e procura a melhor maneira que tirar proveito dos seus erros. E, talvez, uma das minhas características preferidas é a parte humana, algo que cada vez mais temos de ter em conta pois, embora seja um desporto que entretém milhões, não podemos deixar de ter em conta que são pessoas que estão dentro de campo e nos respectivos bancos. Defino-me como um treinador muito chato com alguns aspectos dos princípios de jogo e teimoso no sentido de defender as minhas ideias. Acima de tudo, defino-me como um treinador justo e algo que digo muitas vezes, podem chamar-me de tudo quando eu sair da sala, mas algo que nunca me poderão chamar é de falso. Tudo o que tenho a dizer digo-o sempre de uma forma bastante frontal e franca. Acredito que o treinador tem de ser aquele que diz as verdades e não o que o/a jogador/a precisa ou quer ouvir. Isto entre muitos outros aspectos misturado como uma boa dose de loucura à mistura.

Qual a sua principal referência / inspiração?

Duas questões distintas. A minha inspiração é, sem dúvida alguma, a minha mulher, não só pela pessoa que é mas pela sua força de vontade incrível e capacidade de trabalhar e querer sempre mais e melhor dela própria. Tenho o prazer de conviver todos os dias com a minha inspiração. No que toca às referências posso nomear várias. Gosto de dizer que para além da minha própria personalidade, tenho uma mistura de muitas pessoas que fui crescendo a admirar como, por exemplo, Carlos Carvalhal, José Mourinho, Alex Ferguson, Johan Cruyff, Maurizio Sarri, Mauricio Pochetinno, Helenio Herrera, Karl Rappan, Arsène Wenger entre outros e isto é apenas no futebol, pois existem muitos outros, como por exemplo, Winston Churchill e Steve Jobs.

O Vitória vai celebrar a 20 de Novembro o seu 112.º aniversário. Se pudesse escolher um presente qual seria?

Penso que o presente não seria só para mim, seria para todos os adeptos e simpatizantes do enorme Vitória. O regresso do Vitória Futebol Clube ao escalão principal do futebol português onde é o seu legítimo lugar.

Que mensagem deixa aos adeptos na passagem de mais um aniversário do clube?

Um simples, mas muito sentido obrigado por todo o amor que têm ao Vitória e por tudo aquilo que fazem para o bem do mesmo. Aproveitando também para pedir que nos venham apoiar sempre que possível. Tivemos um gostinho do que é ter a claque nos nossos jogos no nosso jogo de apresentação e ficámos mal-habituados. O futebol sem adeptos não tem magia.

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