28 Novembro 2022, Segunda-feira
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David Leonardo: “É justo repetir que devemos a Hugo Pinto a sobrevivência da SAD e do clube”

Advogado é peremptório a afirmar que a entrada do investidor Hugo Pinto salvou o Vitória. Em relação à decisão do TAD em manter a descida administrativa da equipa principal, o líder da MAG afirma: “Sempre foi nos tribunais comuns que depositei a confiança de que o processo será decidido a favor do Vitória”

 

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Completa no próximo mês dois anos de exercício como presidente da Mesa da Assembleia Geral do Vitória? Que balanço faz da experiência?

O balanço é extremamente positivo. Se olharmos para o estado do Clube quando, no final de Dezembro de 2020, tomámos posse e fizermos uma comparação com os dias de hoje, seremos modestos se afirmarmos que desenvolvemos um trabalho extraordinário. Foi uma missão cumprida, a salvação de um Clube histórico. Foi muito enriquecedor, sobretudo porque, para mim, representa uma honra Enorme poder servir o meu Clube e trabalhar em prol dos seus legítimos interesses.

Está a ser mais difícil do que esperava inicialmente ou nem por isso?

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Sabíamos ao que vínhamos. Um Clube falido, a maioria dos sócios sem esperança, os atletas desanimados. Funcionários e jogadores de futebol com vários meses de salários em atraso, o clube e a SAD sem dinheiro nas contas e sem qualquer expectativa de rendimento. Todos sabíamos que ia ser muito difícil mas nunca se está preparado para sentir na pele o que essas dificuldades representam. Foram tempos muito difíceis para todos…

Quais as principais dificuldades com que se deparou?

Quando se está neste estado de coisas, só quando todos remam na mesma direcção e com o mesmo empenho é que o barco chega ao destino. Talvez tenha sido nessa matéria que residiram as principais dificuldades: muitos sócios – e vários com responsabilidades acrescidas, na medida em que desempenharam funções no clube num passado recente – desinteressaram-se, deitaram a toalha ao chão, e esperavam que fizéssemos o mesmo. Essa falta de apoio e o “puxar para baixo” foi a parte menos positiva deste trajecto.

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Em sua opinião quais as principais conclusões que saíram da Assembleia Geral realizada no passado dia 31 de Outubro?

Foi uma Assembleia muito importante e consequente. Por um lado, a aprovação massiva das contas e do orçamento, o que demonstra que os sócios estão com esta Direcção. Por outro, algo que todos os sócios reclamavam mas que nunca havia sido levado a uma AG: o estabelecimento de um período mínimo para um sócio poder participar em AG’s, eleger e ser eleito e a consagração estatutária da obrigação de todos os atletas do VFC/VFC SAD serem sócios do Clube, com a criação da categoria de Sócio Atleta.

Afirmou que as alterações estatutárias aprovadas deixam “clube mais protegido nos próximos processos eleitorais”. Quão importante era fazê-lo?

A democracia só se realiza com processos eleitorais claros e transparentes. Nos últimos anos assistimos frequentemente à inscrição de sócios “à porta das eleições”. Esse fenómeno, fértil em termos de criatividade, em nada beneficiava o Clube, muito pelo contrário. Poderia permitir eleger candidatos sem qualquer historial clubístico nem peso institucional, que ganhassem as eleições só com os votos da última mesa (a dos sócios mais recentes).

Em termos estatutários, considera que há ainda muito a fazer?

Contrariamente ao que se diz, os Estatutos do VFC não são assim tão maus… Quem os elaborou conhecia muito bem a realidade do Clube e fez um trabalho muito rigoroso e competente. Há pontos a alterar, de facto, mas não vejo que haja assim tanto a fazer.

Quais as prioridades?

Adequar os estatutos à realidade. O mundo mudou. Evoluiu tecnologicamente e, com isso, impõem-se alterações. Por outro lado, a SAD do VFC já não pertence ao Clube, cuja participação minoritária deve estar protegida, espelhando os estatutos a “golden share” que hoje o clube detém. De resto, creio que a remissão para regulamentos (que entretanto devem ser criados, como por exemplo um regulamento eleitoral) arrumam a questão.

Estiveram presentes na AG 112 sócios. Considera que existe um afastamento dos associados em relação ao quotidiano do clube?

Por razões que me custam a aceitar, hoje a participação em AG’s é quase exclusivamente de sócios que são adeptos da equipa de futebol profissional. Este é um dado estatístico. Com a descida da equipa profissional aos campeonatos amadores, notou-se um afastamento que urge reverter.

Como explica a fraca afluência?

Sou uma pessoa muito ligada ao associativismo e constato que este desinteresse é transversal a quase todos os Clubes/Associacões. Não é saudável mas é a nova realidade. As pessoas preocupam-se mas não participam nos processos decisivos. A verdade é que, de entre as instituições a que estou ligado, o Vitória até é daquelas em que existe uma maior afluência. Importa trabalhar para reforçar esta participação e aproximar o Clube aos tempos de outrora.

Como classifica a relação de trabalho existente entre os membros da Assembleia Geral com os demais órgãos sociais, em particular com a direcção presidida por Carlos Silva?

A coesão, o respeito e a entreajuda entre os órgãos sociais foi excepcional. O presidente Carlos Silva, como não me canso de sublinhar, foi a pessoa certa, na hora certa, para o lugar certo. A sua dedicação, honestidade e paciência foram o tónico necessário para a forma como todos os órgãos conseguiram conciliar as suas funções em prol do Clube. Idênticos predicados devem ser atribuídos ao Dr. João Lopes e ao Professor Eugénio da Fonseca que, no CFD e no Conselho Vitoriano, respectivamente, estabeleceram um clima de união e transparência. Sem falsas modéstias, creio que na MAG, eu e os meus colegas Sara Ribeiro, António Pedroso e Noel Camoesas conseguimos estabelecer pontes que irão permitir a todos os órgãos sociais, constituídos por pessoas de elevado sentido de responsabilidade, competência e Vitorianismo, concluir este mandato de forma exemplar.

Mais de um ano após a entrada de Hugo Pinto na SAD qual a opinião que tem sobre o investidor e o trabalho que tem vindo a realizar?

Tenho a melhor opinião do Hugo Pinto. Sensato, honesto, transparente e muito trabalhador. Com uma paixão por aquilo que representa o Vitória, e não me refiro só ao futebol, digno de um verdadeiro setubalense. É justo repetir, vezes sem conta, que lhe devemos a sobrevivência da SAD mas também do Clube. Desejo que permaneça muitos anos no Vitória e que tenha lucidez para se fazer acompanhar das pessoas mais adequadas e capazes de fazer deste projecto um projecto vitorioso.

Enquanto adepto, que análise faz ao desempenho da equipa de futebol principal na presente época? Está aquém das expectativas?

O mau arranque marcou o estado anímico do plantel. Temos assistido a exibições de gala mas também a desempenhos sofríveis… Esta inconsistência é natural, quando o plantel sofre uma forte remodelação. Este plantel já demonstrou que tem muito valor. Com trabalho, apoio dos adeptos e sem percalços de maior, voltamos seguramente aos níveis competitivos desejados.

Apesar das dificuldades que a equipa está a sentir numa prova muito competitiva, acredita que estão reunidas as condições para o Vitória poder esta época ascender à II Liga?

Já na época passada acreditei ser possível. O Vitória é uma força incrível. Joga sempre para ganhar, especialmente neste campeonato. Mas a Liga 3 é extremamente competitiva. É um facto. A meu ver, é mais difícil subir à Liga 2 do que ascender à 1.ª divisão. Reunidas as condições a que acabei de me referir, sobretudo ao nível do apoio dos adeptos, acredito piamente na subida.

O tempo passa e o Vitória continua à espera de uma resposta do Tribunal ao recurso apresentado para tentar reverter a decisão da descida administrativa decretada no Verão de 2020. Como advogado, considera norma a demora? Que que faz deste processo e quando acha que pode haver uma decisão, que todos os vitorianos esperam favorável?

Como advogado e também por desempenhar funções junto da Ordem dos Advogados, não me pronuncio em público sobre processos que ainda estão em curso, sobretudo quando estão confiados a outros colegas. Contudo, parece-me importante distinguir duas coisas: a justiça do TAD (Tribunal Arbitral do Desporto, que na semana passada decidiu, após dois anos de análise, manter a decisão da Liga, que recusou a inscrição do VFC SAD nos campeonatos profissionais) e a justiça dos tribunais comuns. Sempre foi nesta jurisdição que depositei – e deposito – a confiança de que o processo será decidido a favor do Vitória. Ora, só com a decisão do TAD, proferida com uma demora que não consigo compreender nem aceitar, é que o Vitória pode agora recorrer aos Tribunais Administrativos. Estou esperançado que será feita justiça!

Como viu o castigo aplicado ao VFC de dois jogos à porta fechada? Que comentário faz a esta decisão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol?

Os adeptos do VFC não são diferentes dos adeptos dos outros clubes. Devem ser sancionados quando se excedem, o que manifestamente não me parece ser o caso. As expressões constantes do relatório são repetidas em todos os estádios, todos os jogos, todos os dias. Mas só o Vitória é castigado. Não compreendo porquê.

Qual a prenda que gostaria que o Vitória recebesse por ocasião do 112.º aniversário?

A ideal seria o regresso à primeira divisão, como pedi no ano passado. Mas visto que não será possível ter essa prenda este ano, o maior presente seria a campanha de angariação de novos sócios e de recuperação dos antigos ser um estrondoso sucesso, devolvendo ao Vitória o emblema de quarto maior clube nacional.

Qual a mensagem que quer deixar aos sócios?

Que só unidos poderemos vencer. Todos juntos. Com maiores ou menores divergências, todos temos o amor pelo Vitória em comum. É importante que o ambiente que se viveu na festa de aniversário do ano passado seja vivido na deste ano e que esse fantástico ambiente passe para as bancadas e para todos os locais onde o Vitória, nas suas diversas modalidades, vá competir. Muitos Parabéns, meu querido Vitória.

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