22 Setembro 2021, Quarta-feira
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“Quero fazer esta época o jogo de despedida para depois assumir o cargo de treinador”

Paulo Catarino perspectiva o seu futuro

“Não me ofereço aos clubes e não peço favores a ninguém, se tiver que treinar será onde me queiram e onde acreditem em mim”, refere Paulo Catarino

 

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Paulo Catarino tem actualmente 49 anos mas entende que ainda não chegou a altura de arrumar as botas como jogador de futebol. E, como tal, o seu objectivo para esta época passa por representar mais um clube, que será o 30.º da sua carreira, e fazer o seu jogo de despedida para depois se dedicar exclusivamente às funções de treinador principal.

Como jogador tem um vasto currículo e muitas histórias para contar, sendo uma delas a marca dos 300 golos, para cumprir uma promessa que havia feito à sua mãe. Agora, que o seu percurso de jogador está a chegar ao fim, Paulo Catarino quer abraçar definitivamente a carreira de treinador. Já teve duas experiências como adjunto, uma de três anos no Torreense e outra de um ano do Oriental Dragon, mas agora é da opinião que chegou a altura de se assumir como treinador principal.

Não quer treinar só para dizer que é treinador, tem ideias bem definidas sobre aquilo que quer colocar em prática nas suas equipas e pretende ser um líder de proximidade com os jogadores.

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Tanto quanto sabemos, está com vontade de se afirmar como treinador principal. É realmente essa a sua intenção?

Sem dúvida que sim. Há muito tempo que é esse o meu objectivo, assim que terminar como jogador. Após quatro anos como adjunto, três no Torreense no Campeonato de Portugal e um ano no Oriental Dragon, sabia que mais tarde ou mais cedo seria esse o caminho a seguir. No entanto, não quero ser treinador de redes sociais, não quero treinar apenas para dizer que sou treinador, não quero treinar a todo o custo, passando por cima de valores que sempre defendi como atleta. Não me ofereço aos clubes, não peço favores a ninguém, se tiver que treinar será onde me queiram, onde acreditem em mim e onde me dêem o mínimo de condições para que quem trabalhe comigo acredite tanto quanto eu nos objectivos que nos forem propostos.

Tem preferência por algum escalão ou divisão?

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Tenho preferência por gente séria, honesta e realista. Por algum lado terei que começar e quanto melhor forem as condições em termos de trabalho e de matéria humana mais probabilidades de sucesso um treinador tem.

Considera que a sua experiência como jogador poderá ser benéfica para a carreira de treinador?

Não só considero benéfica como essencial a qualquer treinador. Tenho 49 anos, 43 deles a respirar futebol dentro do campo, tive mais de 50 treinadores em todas as divisões deste país, vivi experiências tremendas no futebol, passei por várias fases em termos de metodologia de treino, senti o pulso aos balneários amadores e profissionais, sei o que os jogadores pensam e sentem nas diversas situações que o futebol lhe proporciona e valorizo muito mais a experiência do que a teoria. Portanto, tenho a certeza que as minhas vivências no futebol serão determinantes em todos os processos de crescimento que terei de passar como treinador.

Como se define como treinador e como gosta de ver as suas equipas jogar?

Definir-me como treinador principal é difícil porque só tive experiência como adjunto, que adorei mas que é claramente diferente em tudo. O que quero é sem dúvida transportar muito do que fui como jogador para criar essa definição que me pergunta. Quero ser um líder de proximidade com os jogadores, não quero olhar para eles só pelo lado de atleta mas englobar o lado humano também porque acredito que um bom rendimento está sempre ligado ao prazer e ao bem-estar físico e emocional do atleta. Quero claramente as minhas equipas a procurar o golo, quero claramente interligar a vertente táctica com a liberdade de criação e de improvisação dos atletas que tiverem essa capacidade. Não quero equipas amarradas a tácticas castrando os atletas de usarem todos as qualidades que tiverem. Simplificando, quero alegria, prazer e paixão em cada jogo. Se conseguir tirar isso de cada um dos atletas estaremos com certeza mais próximos das vitórias.

Consta que Mourinho é seu amigo. Identifica-se com os seus métodos de trabalho?

Infelizmente Mourinho não é meu amigo, porque nunca privei com ele. Mourinho é o melhor treinador do mundo, acredito que goste de mim como pessoa porque falei com ele por videochamada duas vezes quando estava no Manchester United, por intermédio dos meus amigos Nuno Santos e Ricardo Formosinho. Para mim foi uma enorme surpresa, soube que ele esteve a ver o meu reportv e bar da sportv e fez questão de me ligar por videochamada a dar-me os parabéns e pedir-me que lhe enviasse os vídeos dos meus golos porque queria ver como eu tinha sido como jogador. Ainda brincou comigo dizendo que se fosse mais novo me levava para lá. Nunca trabalhei com ele, nem sei os seus métodos de trabalho, mas sei que são os melhores do mundo porque ninguém ganhou mais que ele. Sou, naturalmente, fã dele enquanto treinador e enquanto pessoa.

Para concluir, há algo mais que queira acrescentar?

Apenas dizer que espero ainda este ano fechar a minha carreira de jogador fazendo um jogo de despedida para depois me dedicar definitivamente à carreira de treinador. Neste momento tenho o II Nível pelo que só o futuro ditará se ficarei por aqui ou se terei obrigatoriamente de investir em mais dois níveis, caríssimos, se quiser atingir outros patamares. Serão os resultados que me vão indicar o caminho a seguir.

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