29 Novembro 2021, Segunda-feira
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Nuno Soares “Serão sempre os sócios a decidir qual será o modelo de parceria a adoptar”

“Apresentarmo-nos a eleições para evitar que as mesmas estejam limitadas a duas opções que, claramente, não refletem a maioria do eleitorado”, diz.

 

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Depois de algumas dúvidas relativas à lista encabeçada por Nuno Soares [faltavam indicar dois nomes para o Conselho Fiscal] às eleições de 18 de outubro do Vitória, o líder da AG, Cândido Casimiro, segundo apurámos, vai confirmar que o empresário, de 45 anos, será adversário de Vítor Hugo Valente e Paulo Rodrigues nas urnas. O Setubalense publica hoje a primeira entrevista com aquele que foi o candidato-surpresa ao sufrágio. O presidente da Comissão de Auditoria do Vitória, que nunca integrou nenhuma direcção nem lista, apresenta as ideias que preconiza e deixa a garantia de que não vai fazer uma campanha negativa para “não contribuir para o que tem feito tanto mal ao Vitória: a divisão entre sócios”, disse e ex-árbitro de futebol que é sócio há 41 anos.

 

O que o levou a avançar com uma candidatura à presidência do Vitória FC?

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O facto de as únicas alternativas serem um ex-presidente que perdeu as últimas eleições, o que significa que os sócios não estariam com ele, e um sócio recente que tem um projecto com que não me identifico. Percebi que a maioria dos sócios não se identificava com nenhuma das duas listas e tentou-se, de várias formas, que houvesse uma união de listas. Até ao último momento esteve em jogo a junção de vários grupos para criar uma lista de maior consenso. Como não foi possível e para que os sócios possam ter uma alternativa de gente vitoriana normal e com paixão reconhecida pelo clube, resolvemos, à última hora, apresentarmo-nos a eleições, evitando que as mesmas estejam limitadas a duas opções que, claramente, não refletem a maioria do eleitorado.

 

Numa altura em que o clube vive o pior momento da sua história que projecto defende para o Vitória?

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Dividimos o projecto em três fases. Em primeiro lugar, estabilização imediata porque há necessidade de dinheiro para estabilizar salários e contas que há para pagar. Depois auditoria do clube – da qual sou presidente da Comissão de auditoria – que tem de ser feita por se tratar de um instrumento de gestão. Não se pode negociar SAD’s e ter parceiros sérios sem uma auditoria porque nenhum parceiro entra no clube sem uma auditoria. Veja-se o caso do Boavista em que o investidor só agora, depois de uma auditoria, formalizou a parceria. Aí sim, os sócios iriam decidir, atendendo à explicação real do actual momento do clube, de que forma se vai resolver a gestão da SAD. Na minha opinião, atendendo às dificuldades que existem na SAD na 3.ª divisão e à indecisão ainda dos tribunais, tem de ser com um parceiro que os sócios, e não eu, vão escolher. Temos alternativas e investidores interessados, mas tem de ser feito a seu tempo porque neste momento seria uma negociação em baixa por estarmos na 3.ª divisão sem saber o que vai acontecer com os processos judiciais, seria um erro tremendo que pode hipotecar o futuro do Vitória. Em terceiro lugar, o Vitória tem de ser recuperado em termos de instalações, na relação com os sócios e na ligação aos jovens e na imagem que tem na cidade. Os vectores são diferentes e poderão haver parcerias diferentes para o clube e para a SAD. A SAD será futebol e negócio e no clube as prioridades serão infraestruturas, formação, marketing, comunicação e imagem para reaproximar os sócios e criar uma marca Vitória que seja atractiva para parcerias. Queremos que o cartão de sócio seja atractivo para que qualquer setubalense seja sócio do clube.

 

Sempre que se fala em parcerias os sócios mostram alguma desconfiança. Pode revelar quem são os parceiros?

Não. Os parceiros irão se apresentados, mas serão os possíveis parceiros porque serão sempre os sócios a decidir qual será o modelo de parceria a adoptar. Nesta altura, seria irresponsável impor parceiros aos sócios. Não consigo conceber que alguém faça parcerias sem saber a situação em que o Vitória vai estar daqui a dois anos. Além disso, não concebo parcerias sem hipótese de recompra da SAD. Quero entender a SAD do Guimarães como um exemplo que o clube recuperou e não quero ser um exemplo como o do Belenenses ou Aves em que o clube perdeu a SAD e a sua identidade. Queremos fazer o contrário disso. O próprio Bonfim e qualquer projecto que exista aqui será sempre em parceria e não através da venda de terrenos para que o Vitória tenha receitas no futuro e não apenas imediatas.

 

Pode garantir que o plantel principal de futebol vai mesmo competir no Campeonato de Portugal?

Sim, o Vitória vai competir. Já tive o cuidado de enviar mensagens aos capitães para tranquilizá-los e agradecer-lhes a dedicação. Prometi-lhes também que juntos voltaremos a ser Vitória. Foram extremamente amáveis e contamos com eles e com a equipa. Temos a noção de que temos uma equipa que poderá ser competitiva para honrar o Vitória. A nossa ambição é estarmos o mais rapidamente possível na I Liga, seja pela via judicial ou por mérito desportivo com as parcerias que vamos tentar catapultar.

 

Que mensagem deixa aos sócios do Vitória que vivem um momento de grande angústia pelo período conturbado que o clube atravessa?

Sou um sócio que ontem (sábado) de manhã acordou sobressaltado por saber que só existiam duas alternativas que não eram as minhas. Durante a semana, recebi muitas mensagens de sócios apreensivos por não terem em quem votar e por haver funcionários aflitos com salários e seria irresponsável se não tivesse soluções e viesse para cá. Obviamente, estou apreensivo, sei que a situação é muito difícil e que será eventualmente pior do que penso. No entanto, como costumo dizer, o Vitória é um gigante adormecido e o que nós queremos é, com muita calma e por etapas, acordar esse gigante adormecido. 20 anos de delapidação custaram caro. Queremos, aos poucos e poucos, que as pessoas acalmem. Não vou fazer campanha negativa, não vou criticar ninguém e, por mais que digam de mim, não vou responder da mesma forma para não contribuir para o que tem feito tanto mal ao Vitória: a divisão entre sócios.

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José Pina
Jornalista
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