28 Novembro 2021, Domingo
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Vitória FC: antecedentes de uma despromoção anunciada

Para uma melhor compreensão das razões por que o VFC foi despromovido para o terceiro escalão do futebol nacional elaborei uma cronologia, desde os finais do século passado, que relata, resumidamente, várias situações que encaminharam o clube para este desfecho. Todas as referências foram retiradas de artigos da imprensa escrita local e nacional. Algumas estão actualizadas, com a inflação, a Janeiro deste ano, para uma melhor avaliação dos seus valores. Agora a palavra pertence aos sócios do Vitória, os únicos capazes de salvar este centenário clube. Mas se foram sensatos e não seguirem discursos demagógicos e irrealistas como sucedeu largamente no passado.

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Abril de 1984 – A Câmara Municipal de Setúbal aprovou uma proposta no sentido de o Vitória poder utilizar os terrenos junto ao Estádio do Bonfim para loteamentos urbanos, uma vez que o clube está em má situação financeira.

 

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Agosto de 1991 – Numa Assembleia Geral do Vitória foi afirmado que o clube tem uma dívida de 250 mil contos. Dívida hoje de 2.743.390 euros.

 

Janeiro de 1992 – Para pagar uma dívida a António Xavier de Lima, o clube contraiu um empréstimo ao Banco Exterior de España, actual Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), com juros à taxa de 20%, acrescidos de 2% de juros de mora.

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Novembro de 1996 – A direcção do Vitória vendeu três lotes de terreno, por 248 mil contos, à Sociedade Imobiliária Saboia, Lda., na faixa a Norte do campo de treinos. Venda de 2.065.820 euros.

 

Julho de 1997 – Realizada uma Assembleia Geral do Vitória para aprovação da Vitória Futebol Clube – SAD. O Vitória, clube, irá participar com 30% do capital, 40% serão da autarquia e 30% dividido pelo público. O capital social total será de 750 mil contos. Hoje de 6.172.620 euros.

 

Abril de 1999 – A Câmara Municipal autorizou a urbanização de parte do terreno do antigo campo de treinos do Vitória, vendido por 500 mil contos. Assim pagará metade do passivo do clube que, actualmente, ultrapassa um milhão de contos. Passivo de cerca 7.731.000 euros hoje.

 

Setembro de 1999 – O Vitória, clube, apresentou as Contas de 1998. O passivo é de 817 mil contos mas a Vitória Futebol Clube – SAD deve 881 mil contos ao Vitória, clube. As contas foram aprovadas em Assembleia Geral.

 

Março de 2000 – O presidente do município anunciou a construção de um complexo desportivo na zona do Vale da Rosa, num investimento de cinco milhões de contos. O terreno foi comprado por três construtores civis à empresa Dregue que, entretanto, faliu. Contam construir no local 2.100 fogos, num investimento de 37.659.240 euros hoje.

 

Abril de 2000 – Realizou-se uma Assembleia Geral do Vitória, no salão Paroquial de N.ª S.ª da Anunciada, com a presença de mais de 700 sócios. A direcção apresentou uma proposta da criação de uma sociedade, tipo SGPS, para controlar a SAD e o chamado “Projecto Século XXI” Na votação verificou-se 423 votos a favor e 261 contra. Foi reafirmado que o clube tem um prejuízo de cerca de 500 mil contos este ano. Prejuízo de 3.740.980 euros hoje.

 

Dezembro de 2006 – A SAD tentou, em Novembro, chegar a um entendimento com a empresa espanhola Acessoriamento Deportivo SL com o objectivo de evitar a ordenação, pelo Supremo Tribunal de Justiça, da penhora dos bens da colectividade, contas bancárias, passes de jogadores e do autocarro do clube, devido a uma dívida para com o ex-jogador Velli Kassumov, que ascende agora a 411 mil euros, devido a juros de mora. Dívida total hoje de 510 mil euros.

 

Fevereiro de 2007 – A autarquia cedeu 32% das acções ao Vitória FC, representando agora apenas 8% da SAD, o que a dispensa de ter um vogal na administração.

 

Março de 2007 – Os jogadores do Vitória não treinaram, optando por esperar a chegada do presidente da SAD, Jorge Santana, com quem estiveram reunidos durante pouco mais de 30 minutos. O plantel estava prestes a atingir o terceiro mês sem receber ordenado.

 

Abril de 2007 – O Tribunal do Comércio de Lisboa marcou para 8 de Maio a audiência para determinar se, de facto, a SAD é insolvente, como foi solicitado pela empresa espanhola Assessoriamento Deportivo, devido a uma dívida de 500 mil euros, datada de 1998.

 

Abril de 2007 – Na tomada de posse da nova direcção, o presidente da mesa da AG, Ilídio Ferreira, afirmou que o Vitória “há quase duas décadas que vive acima das suas possibilidades”, situação que culminou há alguns meses “com a completa incapacidade de a direcção ir buscar fundos para fazer face aos seus compromissos” e que levou à sua demissão.

 

Maio de 2007 – O serviço da dívida do clube e da SAD é de 500 mil euros por ano, acrescentou Carlos Costa que preside à comissão de gestão, assumindo que o clube corre o «risco de insolvência», se não pagar as dívidas acumuladas durante muitos anos. Serviço anual de dívida de 610 mil euros hoje.

 

Outubro de 2007 – Carlos Costa afirmou na Assembleia Geral do clube (não da SAD) que o passivo da instituição era superior a 12 milhões de euros, ficando por esclarecer se este valor já incluía os resultados da SAD relativos a 2006. Passivo no valor de 14.520.000 euros hoje.

 

Janeiro de 2009 – O Vitória não pode registar novos contratos ou renovar os existentes, segundo o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.

 

Fevereiro de 2009 – Penhora do estádio com origem num empréstimo de 500 mil euros que está na origem da penhora do terreno onde está implantado o Estádio do Bonfim. Foi contraído pelo Vitória, em 1992, para pagar uma dívida ao ex-presidente António Xavier de Lima.

 

Fevereiro de 2009 – De acordo com o Sindicato de Trabalhadores de Escritório, Informática e Serviços do Sul, os trabalhadores do VFC ainda não receberam os ordenados de Janeiro.

 

Março de 2009 – O plantel está com três meses de salários em atraso mas o treinador Carlos Cardoso já não recebe há cinco.

 

Abril de 2009 – Em AG os sócios do Vitória de Setúbal chumbaram, por maioria, a proposta de revogação de uma deliberação sobre o protocolo do Bonfim. A votação secreta resultou nos seguintes números: Sim 97 e Não 307 votos.

 

Abril de 2009 – Já existe um princípio de entendimento para o levantamento da penhora dos terrenos do Estádio do Bonfim, executada a 15 de Janeiro deste ano, a favor de António Lobo Marques Casaca, devido a uma acção executiva pelo não pagamento de uma dívida de 1992, no valor de 520 mil euros.

 

Novembro de 2009 – Numa lista actualizada pela Direcção-Geral dos Impostos, a SAD do integra o segundo escalão de devedores, com dívidas entre um e cinco milhões de euros. Entre os 1.140.000 e 5.700.000 euros de hoje.

 

Novembro de 2009 – O Vitória vendeu o direito de superfície do Estádio do Bonfim à empresa Ventos de Negócio no âmbito de um conjunto de compromissos assumidos com a autarquia e com o grupo Pluripar.

 

Dezembro de 2009 – A Direcção-Geral dos Impostos publicitou que até ao dia 15 de Dezembro serão recebidas propostas para a compra do direito de superfície dos terrenos do Estádio do Bonfim, com o preço base de cerca de 17 milhões de euros, por uma dívida que a empresa Ventos de Negócios, titular do referido direito de superfície, tem para com o fisco. Preço base de 19.550.000 euros hoje.

 

Abril de 2010 – Dois directores do Vitória alegam que a venda de terrenos do Bonfim à Sociedade Lusa de Negócios baseou-se na acta de uma Assembleia Geral que deturpa a autorização dos sócios e defendem a anulação do negócio. Em causa está a venda do terreno do Pavilhão Antoine Velge e logradouro (Lote 9) por 100 mil euros à imobiliária Sadisetúbal.

 

Maio de 2010 – O Vitória é o único clube da Liga Portuguesa de Futebol Profissional que consta na lista de devedores ao fisco. Segundo a Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI), os sadinos têm dívidas entre um e cinco milhões de euros.

 

Junho de 2010 – Nessa data, a Liga anunciou ter aceitado a candidatura do Vitória, mas impediu o clube, assim como o Leixões, Gil Vicente e Belenenses de registar novos contratos ou utilizar jogadores com contratos registados em épocas anteriores. Tudo por dívidas tanto às Finanças como à Segurança Social.

 

Junho de 2011 – Vitória, Belenenses e Leixões estão impedidos de jogar nas competições profissionais enquanto não regularizarem a sua situação junto do fisco e da Segurança Social, anunciou a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

 

Fevereiro de 2012 – Penhoras “limpam” as receitas do Vitória. De um montante aproximado de 340 mil euros com que a tesouraria do Bonfim contava para fazer face a compromissos diários, praticamente nada ficou nos últimos dias, devido à cativação do mesmo para vários credores. Foram cativados 387 mil euros hoje.

 

Setembro de 2013 – Os sócios do VFC aprovaram as contas do clube de 2011 e 2012, que confirmam um passivo de cerca de 15 milhões de euros. Passivo de 16.050.000 euros hoje.

 

Fevereiro de 2014 – O Vitória anunciou em comunicado que o Processo Especial de Revitalização tinha sido aprovado por 96% dos credores da SAD e homologado pelo Tribunal do Comércio de Lisboa.

 

Junho de 2014 – A Liga revelou que Vitória e Belenenses “estão impedidos de registar contratos desportivos ou de formação, bem como de utilizar jogadores com contratos já registados em épocas anteriores”.

 

Julho de 2015 – O Vitória apresentou os passes de alguns dos seus jogadores como garantia na direção de Finanças, mas esta não os aceitou e o clube continua sem a certidão que lhe permitiria inscrever jogadores.

 

Outubro de 2015 – Passaram pouco mais de dois anos e depois de se apresentar um segundo PER soube-se agora que o mesmo foi aprovado por apenas 60% dos credores.

 

Janeiro de 2020 – Na lista de credores da SAD, com dívidas globais de 22,6 milhões de euros, o Estado é credor de 37%. Entre os 17,4 milhões de euros que o Estado reclama no PER do clube e os 8,3 milhões reclamados no PER da SAD, estão sobretudo dívidas ao fisco, à Segurança Social e à Parvalorem, a sociedade estatal que ficou com a gestão dos créditos do BPN.

 

Agosto de 2020 – O VFC viu ser rejeitado o pedido de providência cautelar, interposto junto do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), depois de ter sido impedido de se inscrever na I Liga. Assim o VFC foi despromovido para o Campeonato de Portugal. A dívida do VFC ao Estado português é de 5,2 milhões de euros (3,4 à Autoridade Tributária e 1,8 à Segurança Social). A restante dívida, a fornecedores, outros credores e financiamentos obtidos, supera os 18 milhões de euros.

 

Setembro de 2020 – A autarquia comprou, em licitação pública, o direito de superfície do terreno onde está construído o Estádio do Bonfim. Direito era propriedade do BCP e foi adquirido no seguimento de créditos hipotecários no valor de 2,7 milhões de euros.

 

Alberto Pereira

Entusiasta da cidade de Setúbal  

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