António Cachaço (Chega) admite que não foram prometidos pelouros, mas que entre este e o eleito socialista houve uma conversa informal
“Eu nem lhe entregava as chaves da porta do cemitério para tomar conta do cemitério à noite”. A frase é de Fernando José (PS) que, na manhã desta segunda-feira, em reunião pública do executivo, se dirigia a António Cachaço (Chega).
A declaração foi motivada pelas respostas do eleito do Chega em entrevista a O SETUBALENSE e à Rádio PopularFM. Diz o socialista que, “não fossem as afirmações que foram ali feitas”, a entrevista poderia ser considerada “um stand-up”. As respostas do entrevistado foram “surrealistas” e “um total vazio”, refere.
José questionou ainda Cachaço sobre estar a contrariar as orientações de André Ventura. “O que tem de explicar é: porque é que depois do líder do seu partido, André Ventura, ter dito que em Setúbal jamais existiria um acordo com Dores Meira, o senhor passou um cheque em branco ao movimento dito independente e a Dores Meira quando permitiu que as competências da CMS ficassem na exclusiva competência da presidente, contrariando aquilo que foram as palavras e instruções do líder do seu partido”.
António Cachaço garantiu que não tinha de se explicar ao vereador e que, apesar de não terem sido prometidos pelouros, que Fernando José “sabe bem o que disse”. “Justificações nem ao meu paizinho dou quanto ao vereador. Entendo a parte da azia do vereador em relação ao Chega e também percebo que aquela conversa informal que tivemos – em que não me ofereceu nenhum pelouro mas que sabe bem o que disse, não vale a pena estar a dizer que não disse porque sabe bem o que disse”, referiu ainda António Cachaço.
O autarca do Chega não poupou as palavras e acusou o eleito do PS de “jogar muito no totobola com a euforia de achar que vai sempre ganhar”. Referiu ainda que o PS fez “contas” e percebeu “que o Chega lhe dava jeito para governar a câmara” mas, quando perdeu as eleições, “as linhas vermelhas voltaram”.
Antes disso, e em resposta, Maria do Carmo Tiago disse que todos os vereadores “estão todos legitimados nas urnas”.
CDU e PS avaliam negativamente primeiro ano de mandato
Nuno Costa (CDU) abriu o período antes da ordem do dia com um balanço negativo sobre o mandato atual do Setúbal de Volta (SET-V), presidido atualmente pela vice-presidente Maria do Carmo Tiago. “Este foi um ano praticamente perdido para Setúbal”.
O eleito disse ainda que os setubalenses têm visto serem usados e aplicados os projetos deixados pelos comunistas no último mandato, dando o exemplo do “Ouvir a População, Construir o Futuro” e o “Nosso Bairro, Nossa Cidade”. No entanto, sustenta que as iniciativas perderam impacto e a relevância ao longo do último ano.
Nuno Costa sublinha como uma má decisão a aprovação do novo tarifário da água e dos resíduos veio trazer aumentos notórios para a população do concelho. O autarca considerou também penalizador o “estranho processo de reversão da cessação do contrato de estacionamento tarifado com a DataRede”, um assunto que tinha sido iniciado pelo anterior executivo da CDU.
Para Nuno Costa, a única grande aposta política que parece motivar verdadeiramente o atual executivo é a criação da Polícia Municipal. O eleito da CDU considera que esta medida está ainda longe de responder aos problemas, sendo cada vez mais evidente a sua falta de correspondência com as necessidades da população.
De modo a sustentar as críticas feitas, o autarca recordou um conjunto de obras que, segundo a CDU, ficaram preparadas ou lançadas durante os seus mandatos. Entre elas destacam-se o Centro Escolar Barbosa du Bocage e o Pavilhão das Manteigadas, entretanto inaugurados, bem como o novo Centro de Saúde da Bela Vista, o Auditório de Azeitão, a intervenção de saneamento em Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra, a conclusão do Parque Urbano da Várzea e a reabilitação do Convento de Jesus.
Em resposta Maria do Carmo Tiago disse que o executivo está focado no problema da habitação. “Estamos a cumprir escrupulosamente tudo o que está no nosso mandato”, adiantou Maria do Carmo Tiago.
Dentro do mesmo tema Fernando José comparou o primeiro ano do mandato com o último mandato da CDU, liderado por André Martins. “Se o mandato anterior foi um mandato perdido, não por falta de obra – porque essa os senhores estão a inaugurar – (…) aquilo que hoje temos é um completo vazio de obra e de ideias. Passou um ano e caminhamos para mais um mandato perdido”.
Notícia atualizada às 15h45 de 2 de novembro de 2026