Maria do Carmo Tiago e Ana Teresa Vicente assinaram, na sexta-feira, ato de transferência da titularidade do MAEDS
O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS) já está a cargo da Câmara Municipal de Setúbal. O ato de transferência da titularidade do MAEDS foi assinado na passada sexta-feira, dia 30 de outubro. Os documentos rubricados tornam oficial a passagem da gestão do museu para o município.
No evento estiveram presentes a vice-presidente Maria do Carmo Tiago, que assinou o documento, em conjunto com a presidente do conselho diretivo da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) e presidente da Câmara de Palmela, Ana Teresa Vicente. O vereador Paulo Maia, os vereadores do Chega, António Cachaço e Edgar Jesus, o presidente da assembleia municipal, Paulo Lopes, e eleitos neste órgão também estiveram presentes.
“Concretizamos uma decisão que tem um objetivo claro, garantir a continuidade da missão do museu, salvaguardar o seu património e valorizar uma instituição que ao longo de décadas tem contribuído de forma fundamental para o crescimento da história do nosso território”, sublinhou Maria do Carmo Tiago.
A vice-presidente alonga que “integrar o MAEDS na estrutura municipal significa, antes de mais, respeitar a sua história, a sua identidade e a sua especificidade científica”. A autarca garante que o espaço cultural vai “continuar a ser um espaço de investigação e conhecimento”.
Para além da transferência de titularidade, foi também assinado o contrato-promessa da compra e venda dos imóveis que acolhem o museu, na Avenida Luísa Todi.
Autarca de Palmela diz que venda do espaço não foi consensual
Ana Teresa Vicente considera que a AMRS “sofreu” após a saída de vários municípios da estrutura. Diz a autarca que a venda do espaço museológico não foi consensual entre todos os visados.
“Estes equipamentos não conseguem ser geridos, não conseguem prosseguir os seus fins, a sua missão, com a dignidade que merecem e que têm, com uma pequena associação de municípios. Com muita dor na alma, naturalmente, e até com algumas incompreensões – porque nem toda a gente estará de acordo com este processo, mas a opção que tomámos foi a de defesa, em primeiro lugar, do interesse público e do interesse e da segurança dos trabalhadores”, sublinha a autarca.
Não deixou de destacar a “importância de construir uma instituição com um grande património, logo após o 25 de Abril”. A também presidente da Câmara de Palmela sublinha que “qualquer município gostaria de ter ficado com este equipamento”. “Nada pior do que não o salvaguardarmos, nada pior do que não cuidarmos dele, nada pior do que não garantirmos segurança aos nossos trabalhadores. Esse é o processo que nos conduz ao dia de hoje”.
Teresa Vicente destaca a importância do museu para a comunidade setubalense, e deseja que o MAEDS continue a ser um local de referência para investigadores. “Que continuemos a ter muitos profissionais a procurarem esta casa, muitos investigadores, muitas exposições, muitos livros. Temos aqui também uma biblioteca valiosíssima, preciosíssima, que diz muito a todos nós e que continuamos a ter um equipamento que a nossa região se decorou. É fruto do poder local democrático, daquilo que foi possível construir com os eleitos, com as populações, com os investigadores, com as escolas, com as universidades”.
A presidente da Câmara de Palmela terminou o discurso a “desejar aos trabalhadores do município as maiores felicidades, que continuem a encontrar nesta casa um sentimento de reconhecimento, das vossas pessoas, das vossas carreiras e do valor do vosso trabalho. Há Câmara Municipal de Setubal que faça desta casa uma casa ainda maior, porque ela depende de todos nós e todos vamos gostar de viver maior ainda”.
A passagem da gestão do MAEDS para a autarquia setubalense foi aprovada no passado dia 7 de outubro. O valor da transferência foi de dois milhões de euros.