Proposta foi aprovada na quarta-feira, em reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia da Quinta do Anjo, com quatro votos a favor, cinco abstenções e três votos contra
A CDU viabilizou, através da abstenção, a recomposição do executivo de maioria Chega na Junta de Freguesia da Quinta do Anjo, depois da renúncia de três dos quatro eleitos daquele partido.
Após mais de dois meses de impasse, a proposta de recomposição do executivo foi aprovada na quarta-feira, em reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia da Quinta do Anjo, no distrito de Setúbal, com quatro votos a favor, cinco abstenções e três votos contra.
O executivo presidido por Nuno Valente (Chega) passa a integrar os vogais Miguel Ferreira da Silva Alves, Carlos Alberto Borges Paulo e Dulce Isabel Fernandes Martins de Azeredo, também eleitos pelo Chega, que vão preencher os três lugares que ficaram vagos na sequência das renúncias.
Em comunicado hoje divulgado, os eleitos da CDU justificaram a abstenção com a necessidade de ultrapassar a situação de instabilidade que tem condicionado o funcionamento da autarquia.
“A CDU, no superior interesse da freguesia e das populações, entende não inviabilizar a proposta de recomposição do executivo de Quinta do Anjo, através da abstenção”, refere o comunicado.
A coligação PCP/PEV considera, no entanto, que esta posição “não representa qualquer acordo ou concordância com as opções de gestão do atual presidente e do seu executivo”.
“Trata-se, isso sim, de uma última tentativa de dotar a força política que ganhou as eleições na nossa freguesia das condições que escolheu para executar as medidas que importam a todos”, justifica.
No documento, a CDU atribui a crise na autarquia à instabilidade interna do Chega, apontando os “desentendimentos constantes” entre o presidente e os restantes membros do executivo, bem como as sucessivas renúncias de eleitos daquele partido.
A CDU recorda ainda que as anteriores tentativas de recomposição do executivo foram sucessivamente rejeitadas, prolongando uma situação que prejudicava o funcionamento da junta de freguesia e a população.
A crise no executivo da Quinta do Anjo agravou-se em julho, com a renúncia de Paula Robalo, independente eleita pelo Chega, que se juntou à saída de outros dois elementos da mesma força política.
Na altura, o presidente da junta disse à agência Lusa que o executivo tinha ficado sem quórum, passando a assegurar apenas a gestão corrente, sem possibilidade de realizar novos investimentos na freguesia.
Por outro lado, admitiu duas soluções para ultrapassar o impasse: um entendimento com a oposição que permitisse preencher os três lugares vagos ou a realização de eleições intercalares.
Apesar de ter viabilizado a recomposição, a CDU garante que continuará a exercer o seu papel de oposição e a manter um “rigoroso escrutínio à atividade do executivo”.
Nas eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, o Chega foi a força política mais votada na freguesia da Quinta do Anjo, com 26,94% dos votos e quatro eleitos, seguido da CDU, com 26,71% e também quatro eleitos, do PS, com 25,50% e três eleitos, e da AD (PSD/CDS-PP), com 13,90% e dois eleitos.
O novo executivo da Junta de Freguesia da Quinta do Ano, tal como o anterior, vai ter quatro elementos eleitos pelo Chega e um pela AD.