Zero diz que CCDR confirma ilegalidades em aterro da Amarsul, empresa desconhece conclusões

Zero diz que CCDR confirma ilegalidades em aterro da Amarsul, empresa desconhece conclusões

Zero diz que CCDR confirma ilegalidades em aterro da Amarsul, empresa desconhece conclusões

São apontados “incumprimentos das condições da licença do aterro e das normas do Regime Jurídico de Deposição de Resíduos em Aterro”

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) confirmou ilegalidades no aterro da Amarsul na Moita e em Palmela, anunciou hoje a associação ambientalista Zero, mas a empresa garante desconhecer quaisquer conclusões.

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Em comunicado, a Zero revela que a CCDR-LVT confirmou “incumprimentos das condições da licença do aterro e das normas do Regime Jurídico de Deposição de Resíduos em Aterro (RJDRA), tendo sido adotados os procedimentos legalmente previstos”.

Questionada pela agência Lusa, a Amarsul – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, que atua nos nove municípios da Península de Setúbal, afirmou que tem prestado todos os esclarecimentos e enviado os elementos solicitados pelas entidades competentes sobre a exploração do aterro, assegurando que não lhe foram comunicadas quaisquer conclusões sobre esta matéria.

A associação ambientalista considera que a posição da CCDR-LVT, transmitida através de um ofício, na sequência de várias denúncias que apresentou, confirma os alertas que tem feito sobre a deposição ilegal de resíduos orgânicos não estabilizados no aterro de resíduos urbanos da Amarsul, na zona de fronteira dos concelhos da Moita e de Palmela, no distrito de Setúbal, a exemplo do que diz verificar-se em várias instalações do país.

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A legislação em vigor desde 2020, lembra, proíbe a descarga de resíduos orgânicos não estabilizados em aterro, prática que diz contribuir para a emissão de gases com efeito de estufa, maus odores e risco de contaminação dos solos e das águas.

Para resolver o problema, a associação defende o aumento da capacidade da unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) existente – “deverá ser redimensionada de forma a tratar todos os resíduos orgânicos (biorresíduos) que não forem recolhidos seletivamente”.

O reforço da recolha seletiva de biorresíduos, nomeadamente porta-a-porta, e a introdução de tarifários em função da quantidade de resíduos produzidos são outras medidas defendidas.

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A Zero critica o desempenho da Amarsul, referindo que, segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, a empresa encaminhou para aterro, em 2024, cerca de 75% dos resíduos urbanos que geriu, incluindo 112 mil toneladas sem qualquer tratamento prévio.

Na resposta à Lusa, a Amarsul reconhece a existência de um problema estrutural no setor dos resíduos em Portugal e salienta que “cerca de 55% dos resíduos urbanos continuam a ter como destino final o aterro, segundo o Relatório Anual de Resíduos Urbanos (RARU) 2025, evidenciando a necessidade de acelerar a adoção de soluções de tratamento e valorização mais sustentáveis”.

A empresa defende o “reforço da valorização energética” dos resíduos não recicláveis e a “expansão da recolha seletiva de biorresíduos”, permitindo a sua transformação em composto ou biogás, como medidas essenciais para reduzir a dependência dos aterros.

A Amarsul adianta ainda que está a desenvolver um “plano de investimentos para adaptar as suas infraestruturas”, mas lembra que “a rápida evolução demográfica da região e de todo o país, aliada ao crescimento da produção de resíduos […] em 7,4% face ao previsto no Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU) 2030, tem colocado uma pressão significativa sobre o sistema, tornando mais desafiante antecipar e acomodar necessidades que crescem a um ritmo superior ao inicialmente previsto”.

Além disso, garante que mantém o compromisso com a melhoria das operações e a colaboração com as autoridades, sublinhando que a empresa é certificada em termos de Qualidade, Ambiente e Segurança e regularmente inspecionada e auditada nos termos da lei.

 Segundo informação no seu ‘site’ oficial, a gestora de resíduos tem dois aterros instalados nos ecoparques de Palmela e do Seixal, que recebem anualmente cerca de 440.000 toneladas de lixo.

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