Liderança da autarquia na ausência da presidente voltou a ser tema. Vice-presidente reafirmou legalidade do processo
Na próxima sessão de câmara os vereadores do PS vão apresentar uma proposta no sentido de retirar à presidente da autarquia, Maria das Dores Meira, competências que, no início do mandato, tinham sido retiradas da câmara municipal para delegar à edil.
A informação foi revelada durante a reunião pública do executivo camarário, realizada esta quarta-feira, quando voltou à discussão quem pode assumir o lugar de Dores Meira enquanto a presidente tem o mandato suspenso.
Fernando José, eleito pelo PS, começou a intervenção por afirmar que Maria do Carmo Tiago “usou os meios da câmara para passar a mensagem do movimento independente [Setúbal de Volta]”. Referiu ainda que a vontade de Maria das Dores Meira era que fosse a vice-presidente da autarquia a assumir as ‘rédeas’ do município e não o número dois da lista (Paulo Maia).
O autarca considera a intervenção da vice-presidente do município “inaceitável e inqualificável”. “Se não fosse o vereador Nuno Costa a contactar a DGAL [Direção Geral das Autarquias Locais] acredito que o parecer estivesse até hoje na gaveta”.
Paulo Maia reiterou o apoio ao exercício do movimento independente, referindo que o executivo liderado por Dores Meira é “uno”, posição que o vereador Joel Marques (PS) não concordou, refutando que o quórum é composto por 11 pessoas: “a nossa voz é diferente da nossa”.
Nuno Costa (CDU) defendeu que “não cabe a nenhum ministro esclarecer esta matéria, quem tem de o fazer é o Ministério Público (MP)”. O eleito comunista concordou com a ideia do PS para retirar competências à presidente e devolvê-las ao município.
Já Joel Marques (PS) entende que quem deve dar as explicações é o movimento Setúbal de Volta. “É o movimento que tem de explicar porque é que está a tentar dobrar a lei para que esta encaixe na sua narrativa. O que a oposição tem feito, e bem, é levantar uma questão que é de legalidade, não é uma questão de escolha, o movimento é que escolheu a lista que quis e colocou as pessoas nos lugares que assim entendeu”.
Carmo Tiago diz que não há “usurpações ou jogos de bastidores”
“Não há aqui espaço para tabus, usurpações ou jogos de bastidores. Há apenas o cumprimento escrupuloso do quadro legal e o respeito absoluto pela estabilidade da governação de Setúbal”, a declaração é proferida por Maria do Carmo Tiago, que começou a sessão por “fazer uma declaração clarificadora, rigorosa e definitiva sobre o funcionamento e a governação deste executivo”.
A vice-presidente assentou a intervenção em três pontos: “a diferença entre suplência e vacatura, a sustentação jurídica sólida, o parecer da CCDR-LVT e o papel do Governo”. Considera Maria do Carmo Tiago que decorre uma “tentativa de bloquear a gestão autárquica” à qual a cidade “não pode, nem vai, ficar refém”.
Quanto à apresentação de queixas que o PS e a CDU dizem ter dirigido ao Ministério Público – em matéria de quem governa a autarquia na ausência de Dores Meira – como O SETUBALENSE adiantou na edição desta terça-feira, a autarca diz aguardar ser chamada a prestar esclarecimentos.
“Se os partidos da oposição consideram que devem recorrer aos tribunais, esse é um direito que lhes assiste num Estado de Direito. Receberemos e responderemos a todas as instâncias com a máxima cooperação e serenidade de quem sabe que atuou com rigor e sob o respaldo de pareceres técnicos especializados”.