Após dois anos a competir nas provas distritais da Associação de Futebol de Setúbal, o Vitória voltou na época atual a participar no Campeonato de Portugal. O regresso aos nacionais é encarado com grande expectativa pelos adeptos que desejam ver o seu clube subir já este ano mais um patamar rumo ao escalão principal em que esteve pela última vez na temporada 2019/2020.
O sentimento é partilhado por quem lidera os destinos do clube, apesar de haver a convicção de que essa ambição não pode nunca comprometer a estabilidade e viabilidade do emblema setubalense, ideia que foi recentemente sublinhada pelo presidente Francisco Alves Rito. “A direção tem um orçamento que é para cumprir e temos a perfeita noção de qual é a capacidade económica e financeira do Vitória”.
A este propósito, o dirigente, eleito para o cargo em março de 2025, sublinha que o orçamento do clube é condizente com o Campeonato de Portugal. “O Vitória não entra em loucuras, não há cláusulas milionárias, não há ordenados de I ou II Liga nem de Liga 3. Temos um grupo que compreende a situação em que o Vitória se encontra e se orgulha de integrar este plantel”, disse aquando da apresentação de Carlos André como diretor-geral do futebol vitoriano.
Na ocasião, o líder do emblema verde e branco abordou outros temas da atualidade do clube. Questionado sobre se, olhando para trás, a opção de ter desde o início da época o treinador Filipe Moreira a acumular o cargo com o de diretor desportivo foi uma perda de tempo, a resposta foi célere. “Os prognósticos no final do jogo são sempre mais fáceis e agora, depois do caminho percorrido, podemos tirar conclusões sobre o que poderia ter sido melhor ou diferente”.
Com Carlos André ao seu lado na semana passada, Francisco Alves Rito lembrou que a não continuidade do diretor, depois de três anos ao serviço do clube, foi uma decisão do próprio e não do clube. “Neste caso a direção nunca decidiu mandar o Carlos André embora, portanto, dizer isto é uma questão de honestidade e de transparência. Foi o Carlos André que, em determinado momento, entendeu que precisava de sair”.
E continua: “Naturalmente, perdeu-se algum tempo para chegarmos agora a uma posição que achamos que é a melhor, mas isto não aconteceu por uma decisão da direção. Depois disso, optámos por aquilo que, dadas as circunstâncias e o perfil das pessoas em causa – disse-o logo ao início e agora repito – nos pareceu adequado, apostando na acumulação dos cargos de treinador e diretor desportivo por Filipe Moreira”.
Também presente na sala de imprensa do Bonfim quando foi oficializado o regresso de Carlos André ao clube, depois de uma curta passagem pelo Alcochetense, Francisco Alves Rito fez questão de agradecer ao técnico. “Até agora, continuo convencido que encontrámos no ‘mister’ Filipe Moreira não apenas o perfil que lhe permitia desempenhar as duas funções, mas a generosidade de aceitar esse desafio quando a direção lhe pediu que o aceitasse”.
O líder dos setubalenses reitera que a alteração na estrutura só aconteceu devido à disponibilidade de Carlos André. “É preciso também não esquecer uma coisa, nós damos este passo agora na contratação do diretor geral de futebol porque é o Carlos André, porque é um valor que nós já conhecemos. Se não fosse isso, se não voltássemos a ter a disponibilidade deste elemento que pode enriquecer e que nos dá garantias”.
Contra experiências em andamento
O dirigente acrescenta ainda que se tratou de uma decisão ponderada. “Não iríamos mexer na estrutura nem iríamos à procura do diretor desportivo se assim não fosse, porque esta direção não está disponível para fazer experiências em andamento. O que pretendemos é estabilidade, as melhores decisões possíveis, mas para isso é preciso termos segurança nas opções que fazemos. E, portanto, esta opção agora por separarmos os cargos de treinador e diretor-desportivo é possível porque entra um elemento que nos dá essa confiança”.
Apesar de o Vitória ocupar a 10.ª posição da série 4 do Campeonato de Portugal, Francisco Alves Rito mostra-se otimista no futuro. “O ‘mister’ Filipe Moreira tem vindo a desempenhar as funções de diretor desportivo e foi ele que apontou a estes jogadores que acabaram por ser a opção do Vitória e que constituem o nosso plantel. Pessoalmente, continuo a acreditar que é um plantel com valor, sem prejuízo de ser necessário algum aperfeiçoamento”.
A confiança é extensiva a Filipe Moreira, técnico que conta agora com a colaboração do novo homem forte do futebol para levar a embarcação sadina a bom porto. “Continuo também a acreditar na qualidade do ‘mister’ e, portanto, o que faltava aqui era uma figura que pudesse tratar do resto, acima desta parte mais de campo, de relevado, e que fica colmatada com a entrada do Carlos André”.