O Grupo Desportivo Alcochetense – Futebol, SAD viu ficar concluído o processo de aquisição de uma participação maioritária no seu capital social. O antigo futebolista profissional português, Filipe Morais, que assumirá a presidência da SAD, lidera esta aquisição, tendo como principal parceiro financeiro o GV Football Fund, presidido pelo investidor nova-iorquino Bo Williams.
O que significa este momento para si?
É um prazer e uma verdadeira honra estar aqui. A aquisição do GD Alcochetense – Futebol, SAD não representa apenas uma transação empresarial. Para mim, é o início de um projeto a longo prazo num lugar com o qual já sinto uma forte ligação pessoal. O clube pertence aos adeptos, aos sócios e à comunidade, o meu papel é proteger essa identidade, reforçar as suas fundações e ajudar a construir um futuro do qual Alcochete se possa orgulhar.
Quem é o Filipe Morais e que percurso fez até chegar aqui?
Venho de um contexto muito humilde. Nasci em Portugal, sou natural de Samora Correia. A minha família mudou-se para Londres quando eu tinha cinco anos e Inglaterra tornou-se a minha casa durante grande parte da minha vida. O futebol esteve sempre no centro dessa vida. Fui jogador profissional durante 20 anos, tendo começado no Chelsea durante a célebre primeira passagem de José Mourinho pelo clube, disputei quase 500 jogos nos diferentes escalões do futebol inglês e representei também Portugal até à seleção de Sub-21. Nos últimos seis anos, tive o privilégio de trabalhar com clubes de diferentes dimensões e em vários mercados internacionais. Essa experiência despertou em mim uma forte vontade de investir num clube próprio e, essa vontade trouxe-me até Alcochete, acompanhado por um grupo sólido de parceiros que partilham a mesma visão a longo prazo, incluindo o nosso principal parceiro financeiro, o GV Football Fund, liderado pelo seu presidente, o senhor Bo Williams.
O que encontrou quando chegou e que medidas já tomou para preparar a época e dar início ao projeto?
O início foi muito exigente. Aquilo que inicialmente parecia ser uma transação relativamente simples tornou-se mais complexo do que prevíamos. Ainda assim, persistimos, ultrapassámos os desafios e encontrámos uma forma de concluir o negócio. Estávamos a preparar a nova época e isso criou dificuldades adicionais. Adotámos uma abordagem simples: identificar os problemas, assumir a responsabilidade e seguir em frente. Agi rapidamente para apoiar o clube e reestruturar a SAD, de forma a garantir maior clareza e estabilidade em toda a organização para o futuro. A nível de instalações foi necessário realizar muito trabalho e avançámos rapidamente para limpar, reparar e profissionalizar todo o ambiente do estádio. No plano financeiro, concordei em liquidar imediatamente cerca de 20 mil euros de dívidas que constavam no histórico do clube porque pretendemos estabelecer bases saudáveis e estáveis para a nova relação entre o Clube e a SAD. Assumimos um compromisso previamente estabelecido para a construção de um novo relvado sintético destinado à formação, que está praticamente concluído. Recuperámos também o relvado natural, que se encontrava abandonado desde maio, instalámos um novo sistema de rega automática e realizámos um extenso trabalho de tratamento e ressementeira ao longo de três meses, mas o nosso trabalho não ficou por aqui.
Houve alterações na estrutura da SAD. Como ficará organizada a equipa de liderança?
Implementámos várias alterações imediatas. Tenho uma ideia clara sobre a forma como quero que a SAD funcione: com profissionalismo e eficiência, mas também com a proximidade, confiança e união de uma equipa coesa. Assumirei o cargo de Presidente da SAD. André Geraldes liderará a estrutura executiva enquanto CEO, sendo acompanhado por Alain Pilar como Diretor Desportivo. Queremos construir relações próximas e duradouras com os nossos patrocinadores e parceiros, desenvolver novas oportunidades comerciais e reforçar a imagem do clube a nível local, nacional e internacional.
Como avalia o início desta nova época e desta nova era?
Construímos um plantel entusiasmante, com qualidade, personalidade e diferentes características. Cabe agora ao treinador e à sua equipa técnica reunir essas qualidades e criar uma equipa capaz de vencer jogos de futebol. Um grupo forte no papel vale muito pouco se os jogadores não estiverem dispostos a trabalhar, jogar e lutar uns pelos outros. O nosso objetivo é estabelecer uma identidade clara, desenvolver diariamente hábitos coletivos sólidos nos treinos e construir um grupo que compreenda o significado de representar o Alcochetense e toda a comunidade de Alcochete. Se fizermos tudo isso de forma consistente, acredito que os resultados e o sucesso acabarão por surgir.
Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos adeptos e sócios?
Vai sempre haver obstáculos e momentos difíceis ao longo do caminho – faz parte do futebol. Mas aquilo que nos permitirá ultrapassar esses momentos será a nossa união, dentro e fora de campo. A vossa presença e paixão nos dias de jogo podem fazer uma enorme diferença para os jogadores. Juntos, podemos criar um ambiente capaz de mostrar a todo o país, e também além-fronteiras, aquilo que Alcochete representa.