No passado, quando se estava em lisboa, havia uma terra que se situava para além do Tejo que se chamava Aldeia Galega do Ribatejo, a 15 de setembro do ano de 1514, foi outorgado o seu Foral pelo rei D. Manuel I. No dia 6 de junho de 1930, passa a chamar-se Vila de Montijo e a 14 de agosto de 1985 passa a cidade de Montijo. No final do ano de 2025, a população residente no município do Montijo é cerca de 68 064 habitantes.
O nosso concelho, não é muito rico em património, logo temos de aproveitar bem o que temos, a cerca de 1500 metros da cidade de Montijo, temos a Atalaia com o seu Santuário e escadaria e conjunto de três Cruzeiros. Este património edificado é único na região e considerado Monumento de Interesse Público. Temos ainda na Atalaia, o Museu Agrícola que está aberto ao público desde 1997, onde se preserva a história e a memória de uma casa agrícola, que no passado produzia sobretudo azeite, vinho e fruta. Podemos ainda falar do “chamado eucaliptal”, ou pouco abandonado, mas que no passado, era utilizado por muitas pessoas com doenças pulmonares “onde iam apanhar ares”.
Realizaram-se mais umas festas em honra de N. Senhora da Atalaia no último fim de semana de agosto, onde se pôde observar, uma grande participação dos Círios, Património Imaterial que faz parte da cultura de um povo de toda a nossa região com os seus rituais e tradições religiosas. Não esquecendo o livro do Padre Frederico da Costa, a Narrativa Histórica – Imagem de N. Senhora de Atalaia datado de 1887, onde nos relata que em 1823 festejavam anualmente N. S. Atalaia 34 círios.
Atualmente temos a visitar a Atalaia, um conjunto de círios, oriundos de todo a Península de Setúbal e da cidade de Lisboa. Ainda este ano tivemos a Peregrinação Fluvial do Círio de Oeiras, com as suas origens no ano de 1507. Nessa época, os romeiros vinham numa barca embandeirada do lugar de Oeiras, numa janela do Paço da Ribeira, El-Rei D. Manuel perguntou, o que se passava, foi-lhe respondido que eram romeiros que se deslocavam para a Atalaia, a fim de pedir que terminasse a peste que assolava Lisboa, deu de imediato ordens para que o Provedor e Feitor da sua Alfandega os acompanhassem.
Falando um pouco em “Pensamento Criativo”, não seria bom, para o concelho de Montijo e para a cidade aproveitar este património que se situa apenas a 1500 metros? A sugestão aos nossos autarcas, vai no sentido da construção de uma ciclovia, com a extensão apenas de 1500 metros, facilitando a deslocação das pessoas entre a cidade de Montijo e a Atalaia.
É importante referir, que atualmente a estrada existente não tem bermas, obrigando as pessoas a deslocarem-se pela estrada, arriscando a vida, como aliás, aconteceu recentemente com a morte de uma criança com cerca de 11 anos. Como é possível em pleno século XXI, uma cidade com a dimensão do Montijo, ter um património como um Santuário, um anfiteatro enorme e um Museu Agrícola, tudo tão perto e ao mesmo tempo tão longe, não tendo uma ligação pedonal.
Esta obra já constou em vários programas eleitorais dos vários partidos, já teve verbas orçamentadas, mas continua a ser adiada. Onde está uma visão para a nossa cidade? que não permite o aproveitamento do Património Edificado e Imaterial de uma freguesia que apenas dista 1500 metros de distância.
Viajando pelo país, podemos observar a conservação e aproveitamento das Aldeias Históricas no sentido de fomentar o turismo e consequentemente dinamizar a economia local. Temos de ter esse pensamento criativo.
Com este pequeno texto, espero ter contribuído para a promoção da educação cívica e do pensamento crítico, fortalecendo a capacidade dos nossos autarcas a tomarem decisões mais informadas, no fundo, uma participação ativa na nossa democracia.