CIM quer estudar possibilidade de usar barragem de Castelo de Bode para abastecer região

CIM quer estudar possibilidade de usar barragem de Castelo de Bode para abastecer região

CIM quer estudar possibilidade de usar barragem de Castelo de Bode para abastecer região

Inês de Medeiros quer uma solução operacional logo que possível, e vê com bons olhos o anúncio da ministra do Ambiente

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal recebeu com “surpresa e espanto” a possibilidade de se recorrer à barragem de Castelo de Bode para abastecimento da margem sul do rio Tejo. Entendimento contrário tem a presidente da Câmara Municipal de Almada, que entende que o estudo desta possibilidade por parte do Governo “é um passo muito importante”.

- PUB -

Frederico Rosa defende a criação no território de um sistema de captação em alta, distribuição e armazenamento para que exista redundância, um assunto que, refere, já está a ser estudado pelos nove municípios. “Ouvi com surpresa e espanto esta solução [de Castelo de Bode] porque a Península de Setúbal tem bastante água. O que é importante é criar as redundâncias necessárias na captação em alta, na distribuição e no armazenamento, para que depois os concelhos não estejam só dependentes da sua própria captação. Isto é criar um sistema resiliente ao nível de uma região”.

As declarações surgem cerca de uma semana depois de a ministra do Ambiente ter anunciado numa audição na comissão de Ambiente da Assembleia da República que o Governo quer ter dentro de quatro meses uma solução para a falta de água na denominada Margem Sul, partindo da Barragem de Castelo de Bode e/ou do rio Tejo. Explica Maria da Graça Carvalho que a ideia será complementar ao uso de águas subterrâneas e acrescentou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Grupo ÁdP (Águas de Portugal) foram incumbidos de apresentar um projeto no prazo de 120 dias.

No despacho publicado a semana passada pode ler-se que o abastecimento água na região da margem sul do Tejo é feita através da exploração do sistema aquífero Tejo-Sado, uma das mais importantes reservas estratégicas de água subterrânea do País.

- PUB -

Contudo, adianta, “a elevada dependência de uma única origem constitui um fator de vulnerabilidade estratégica, expondo a região a riscos acrescidos em situações de escassez, degradação da qualidade da água ou constrangimentos operacionais, com potenciais implicações para a segurança hídrica, a resiliência territorial e a autonomia estratégica nacional” tendo como barómetro os constrangimentos recentemente verificados no concelho de Almada.

Frederico Rosa entende que é necessário investir no setor da água e diz que todos os municípios da Península de Setúbal já o reclamam há algum tempo, não só no abastecimento em alta, como também no armazenamento e na requalificação de redes em baixa, muitas delas com muitas décadas de existência. “É fundamental que se pense nesta questão da água, nas redundâncias e em grande escala. Nós na região temos um pensamento já muito consolidado sobre isso e vejo, de forma positiva, o facto de a ministra se ter interessado pela resolução do problema”, disse.

Inês de Medeiros quer “solução operacional o mais rapidamente possível”

- PUB -

A presidente da Câmara de Almada considera que “os compromissos assumidos pela senhora ministra fazem-nos ter esperança de que esta solução possa estar operacional o mais rapidamente possível”. Inês de Medeiros refere, numa publicação na rede social Facebook que “é fundamental conhecer com rigor a situação do nosso aquífero e preparar as respostas necessárias para o futuro”.

A autarca entende que, tendo em conta a situação passada pelo município há pouco tempo com a falta de água, é necessário estudar soluções para o futuro. “Como salienta a Quercus, esta solução poderá reforçar a segurança hídrica da região, diversificar as origens de abastecimento e aumentar a resiliência dos sistemas. Num momento em que se preveem grandes investimentos neste território, nomeadamente a construção do novo aeroporto, é fundamental conhecer com rigor a situação do nosso aquífero e preparar as respostas necessárias para o futuro”.

Revela ainda que, no final de setembro, vai ser assinado “o primeiro acordo entre a Câmara Municipal de Almada, os SMAS e a EPAL para estudar uma solução complementar de abastecimento de água ao nosso concelho”. Com Lusa

ENTREVISTA | Álvaro Amaro fala em “solução de complementaridade”

Álvaro Amaro, primeiro-secretário da CIM Península de Setúbal, olha para a solução apresentada pela tutela como “uma solução de complementaridade”. O também antigo presidente da Câmara de Palmela falava em entrevista a O SETUBALENSE e à Rádio Popular FM – que vai posteriormente ser publicada.

“Penso que uma decisão dessa natureza, desde que não vise substituir a implementação

do projeto da Assembleia Intermunicipal da Água – porque o que interessa é que, se calhar

no próximo quadro de financiamento, possa haver apoio, até no âmbito da resiliência

territorial, do clima, para maior eficiência hídrica – para a construção deste sistema,

desta empresa intermunicipal. Uma solução dessa natureza só entendemos bem-vinda

como complementaridade. Se houver uma conduta com a água de Castelo de Bote para

cá, também pode haver, numa situação de crise, a água da Península de Setúbal para outra

margem, ou para outros locais”.

Partilhe esta notícia
- PUB -

Notícias Relacionadas

- PUB -
- PUB -

Apoie O SETUBALENSE e o Jornalismo rumo a um futuro mais sustentado

Assine o jornal ou compre conteúdos avulsos. Oferecemos os seus primeiros 3 euros para gastar!

Quer receber aviso de novas notícias? Sim Não