Evento realizou-se esta terça-feira no Terminal Multimodal de Granja do Ulmeiro – Alfarelos, no concelho de Soure
Portugal e Espanha precisam de acelerar a concretização das infraestruturas e construir uma estratégia conjunta para a intermodalidade, integrando ferrovia, rodovia, portos e terminais numa rede logística ibérica. A conclusão foi apresentada durante a I Conferência Ibérica de Intermodalidade, realizada esta terça-feira no Terminal Multimodal de Granja do Ulmeiro – Alfarelos, no concelho de Soure.
O Porto de Sines marcou presença na iniciativa que reuniu representantes institucionais, autoridades portuárias, operadores ferroviários e rodoviários, terminais e empresas dos dois países, com o objetivo de discutir o desenvolvimento dos corredores logísticos da Península Ibérica.
No encerramento da conferência, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, defendeu que “a intermodalidade não faz sentido se não funcionar em rede e não for olhada a um nível ibérico”, sublinhando a necessidade de criar um plano nacional logístico que integre os diferentes agentes do setor.
Mas antes disso, e na abertura da conferência, o presidente da Câmara Municipal de Soure, Rui Fernandes, defendeu que Portugal e Espanha continuam “a meio caminho entre a intenção política e a infraestrutura construída”, referindo que a conectividade continua em discussão mais de uma década após os compromissos assumidos em torno do Corredor Atlântico de mercadorias.
O autarca destacou ainda o Terminal Multimodal de Alfarelos como uma infraestrutura já em funcionamento, com ligação ao Porto da Figueira da Foz e utilização por empresas como a IKEA e a Colep.
Já o presidente da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), Joaquim Pocinho, afirmou que “não existe uma verdadeira estratégia logística portuguesa sem uma dimensão ibérica”, defendendo uma agenda comum entre Portugal e Espanha para reforçar a ferrovia de mercadorias, criar uma rede ibérica de portos secos e terminais intermodais, melhorar a ligação dos portos ao ‘hinterland’ e acelerar a digitalização e investimentos.
Por outro lado, Juan Mourín, presidente da Asociación Española del Transporte (AET), apontou como prioridade a conclusão das ligações ferroviárias transfronteiriças, considerando que diferenças técnicas, barreiras administrativas e falta de coordenação continuam a limitar a competitividade do sistema logístico ibérico.
A I Conferência Ibérica de Intermodalidade foi promovida pela Câmara Municipal de Soure, pela APAT e pela AET, e contou com a participação de representantes dos portos portugueses e espanhóis, da Infraestruturas de Portugal e de várias empresas ligadas ao setor da logística e dos transportes.