Pedro Pinto inaugurou o marcador de livre direto e Gustavo Teixeira fez o 2-0. Mas, encolhimento sadino na etapa complementar custou caro
Depois de ter alcançado nos Açores o primeiro triunfo da época, o Vitória não foi além de um empate (2-2) na receção ao Juventude de Évora, neste domingo, em partida a contar para a 4.ª ronda do Campeonato de Portugal (Série 4). E a formação sadina só se pode queixar de si própria, já que não soube manter o pecúlio de dois golos de vantagem com que saiu para o intervalo, sobretudo, nos minutos finais da contenda: primeiro, ao desperdiçar soberana oportunidade para fazer o 3-1 e matar o jogo aos 84′ – Rodrigo Geraldo, dentro da área, na melhor oportunidade sadina na etapa complementar, permitiu a defesa do guardião Romana; e, depois, aos 87′, quando mostrou extrema passividade defensiva e possibilitou a Rodrigo Elias cabecear para o empate, na sequência de um canto.
Os sadinos acabaram por sair do Bonfim com um ponto agridoce, muito por culpa do que, na etapa complementar, não jogaram e permitiram ao adversário jogar. Se a aposta passava por aproveitar o balanceamento ofensivo dos forasteiros para depois explorar espaços nas suas costas com saídas rápidas em contragolpe, então a estratégia saiu furada.
Com o técnico Filipe Moreira a manter a aposta no mesmo onze titular que utilizou frente ao Lajense, o Vitória entrou no jogo a instalar-se no meio-campo adversário, descomplexado, mandão e incisivo, desde logo a carburar a mais alta rotação pela ala esquerda. Aos 6′ e aos 7′, os sadinos já haviam colocado em sentido a defensiva contrária e ao terceiro aviso foi de vez: Djaló, servido por Bruno Paula, foi derrubado quando se preparava para ficar isolado (ficou a dúvida se a falta ocorreu no interior da grande área) e, na cobrança do livre direto, um Pinto chamado Pedro fez o Vitória começar a cantar de galo – estava aberto o marcador aos 15′.
E não foi preciso esperar muito mais para que o Vitória voltasse a materializar em golo o domínio que ia exercendo sobre a formação do Juventude – Gustavo Teixeira mostrou ter a pontaria calibrada ao surgir no coração da área eborense para, aos 21′, corresponder com êxito, de pé direito, a um cruzamento rasteiro de Carlos Amaral (2-0).
Quando se pensava que o Vitória poderia embalar para uma exibição autoritária e para um triunfo tranquilo, o Juventude reagiu e os sadinos pareceram mostrar-se confortáveis em consentir a iniciativa do jogo ao adversário, que ameaçou a baliza à guarda de Gonçalo Pinto aos 23′ e aos 27′. Logo depois veio a pausa para hidratação e o Vitória voltou a acordar. Até final dos primeiros 45′, com o jogo controlado, os sadinos ensaiaram duas jogadas perigosas: aos 34′, após iniciativa de Pedro Pinto na esquerda, com Bruno Palma e Djaló a rematarem contra a muralha eborense; e, aos 45′, de novo com Djaló (uma fera na frente de ataque), a arrancar pela direita e a servir Bruno Paula, que acabou por não conseguir rematar à entrada da área.
Deu mais Juventude na 2.ª parte
No segundo tempo, o Vitória especulou com o resultado, perante um Juventude que quis e assumiu o controlo das operações. A turma orientada por João Mateus instalou-se no meio-campo vitoriano e disse ao que vinha logo após o reatamento. Gonçalo Pinto, que até então não tinha sido obrigado a trabalho aturado, teve de se aplicar a fundo para desfazer um cruzamento venenoso, logo aos 47′, e, aos 49′, para se opor a um remate de Vinicius.
O Vitória esperava por transições ofensivas e sempre com os olhos à procura de Djaló, capaz de esticar o jogo, muito à conta da sua potência física, que não foi suficiente para concluir com sucesso, já na pequena área, uma bola oferecida por André Gomes, que se havia esgueirado pela direita. Estavam decorridos 57′ e pouco depois Filipe Moreira refrescava a equipa: fez entrar Chima, João Delgado e Oscar, por troca com Djaló, Gustavo Teixeira e Diogo Martins.
Não se pode dizer que os sadinos tenham ganhado nova alma com as alterações, ainda que Chima, assim que entrou, tenha obrigado o guardião Romana a defender para canto um remate rasteiro de meia-distância.
Com uma almofada de dois golos, os verdes e brancos continuavam mais apostados em esperar pela iniciativa do adversário para explorarem o contra-ataque. E pagaram o preço: aos 71′, Tiago Madeira, de fora da área, descaído para a esquerda, atirou a meia-altura, fora do alcance de Gonçalo Pinto (2-1).
Filipe Moreira, as 78′, ainda lançou Rodrigo Geraldo e Uri Lima, para os lugares de Pedro Pinto e Carlos Amaral, porém a toada do jogo manteve-se. Era o Juventude quem tinha mais bola,mas também é verdade que a estratégia sadina poderia ter colhido frutos, quando Rodrigo Geraldo, aos 84′, tirou da frente um contrário e rematou com o pé canhoto, já dentro da área, para defesa de Romana.
Pouco depois prevaleceu uma velha máxima do futebol: “quem não marca, sofre”. E o Vitória sofreu, aos 87′, o empate assinado por Rodrigo Elias, de cabeça, na sequência de um pontapé de canto. Balde de água fria para os sadinos, que começaram por cantar de galo, especularam e saíram a piar fininho.