Protesto promovido pelo movimento “Deslarrrguem a Arrábida!” contou com a participação de José Manuel Pureza, do BE
Mais de 400 pessoas ‘fizeram praia’ em frente ao edifício da Câmara Municipal de Setúbal contra a privatização de cinco praias da Arrábida. O balanço é do movimento “Deslarrrguem a Arrábida!”, responsável por organizar o protesto que se estendeu pela tarde do passado sábado.
Chapéus de sol, toalhas de praia e cartazes com mensagens contra a intenção de privatizar o acesso às praias da Rasca, Comenda, Rainha, Maria Esguelha e Albarquel, foi assim que decorreu a ação de protesto em formato ‘flashmob’. “O essencial que nós queremos mudar é a perceção pública do problema”, disse João Cruz, do movimento “Deslarguem a Arrábida!”, em declarações à agência Lusa.
O responsável garante que a possibilidade de ser retirada à população o acesso a estas cinco zonas balneares causa uma “grande indignação” aos setubalenses – e não só. “É a tentativa de privatização do espaço público que tem sido historicamente usufruto de toda a gente e agora há uma série de pessoas que estão a ter iniciativas de cercear o usufruto público, nomeadamente o nosso direito ao descanso e ao usufruto da paisagem”, acrescentou.
Sobre o processo, entende que este terá um desfecho favorável às populações. “O processo está em tribunal, por isso nós não podemos saber qual vai ser o desfecho. A questão das praias ainda é incerta, mas estamos confiantes que com a luta e com a mobilização vai ser possível impedir esse desfecho desfavorável às populações de Setúbal”.
Presente na iniciativa esteve ainda Daniela Rodrigues, do BE Setúbal, que apontou o dedo ao executivo camarário de Setúbal, por considerar que este ainda não se fez ouvir. “Neste momento nós ainda nos continuamos a deparar com silêncio por parte do executivo municipal. Para o nosso entendimento ainda não se manifestou de maneira sonora e inequívoca como aliada da população. O que nós verificamos é que a população se mantém empenhada. Os movimentos pelo direito à praia e pelo direito ao litoral estão cada vez mais articulados e há cada vez mais a consciência de que é uma luta comum”.

Fotografia: Catarina Carvalheda
No dia seguinte (domingo, dia 30) e a escassos quilómetros de distância falava José Manuel Pureza, líder do BE, que também marcou presença no protesto no sábado, falava durante o encerramento da rentrée do BE na Escola Sebastião da Gama, para se mostrar ao lado das populações.
“Aqui, em Setúbal, há uma luta fundamental que está a acontecer. Sentindo as costas largas, uma família com muito dinheiro, que financia o Chega, quer tirar as praias da Arrábida às pessoas e fechá-las só para si. E o povo não se vergou ao mando dos ricos e veio para a rua exigir o que é seu. E o Bloco animou essa luta, está nela de corpo inteiro, não por si, mas por essa exigência básica: o que é de todos tem de ser de todos. É assim a democracia. E o Bloco de Esquerda de Setúbal cá está e, com ele, todo o Bloco de Esquerda. Delarrrrguem as praias!”. Com Lusa