Aprovado projeto reformulado de plantação de tangerinas em Alcácer do Sal

Aprovado projeto reformulado de plantação de tangerinas em Alcácer do Sal

Aprovado projeto reformulado de plantação de tangerinas em Alcácer do Sal

Projeto, que inicialmente previa a cultura de pera-abacate, esteve em consulta pública até ao passado dia 19 de junho

O projeto reformulado para plantação de tangerinas no concelho de Alcácer do Sal obteve Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada, emitida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo.

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Na DIA, consultada esta terça-feira pela agência Lusa, a CCDR do Alentejo concluiu que os “impactes negativos identificados” podem ser minimizados ou compensados e emitiu a decisão favorável condicionada ao cumprimento de diversas medidas previstas. 

Esta decisão surge após a Comissão de Avaliação e Impacte Ambiental ter emitido, em novembro de 2025, um parecer desfavorável ao projeto reformulado, devido aos impactes nos sistemas ecológicos e nos recursos hídricos. 

O projeto agrícola, promovido pela empresa Expoente Frugal, que inicialmente previa a cultura de pera-abacate, esteve em consulta pública até ao passado dia 19 de junho.

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Segundo o documento, na reformulação do projeto, a área agrícola foi reduzida para 295,18 hectares, o consumo de água de 2,28 para 1,74 milhões de metros cúbicos por ano e o número de furos de 16 para 12. 

Entre as condicionantes impostas pela DIA, consta a exclusão de 35,47 hectares de áreas destinadas à plantação agrícola, por aí existirem espécies e habitats a proteger, o que reduz a área agrícola para 259,71 hectares.

Devem também ser interditadas à plantação novas zonas de habitats prioritários que sejam identificadas, é referido na DIA. 

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Além disso, segundo a CCDR Alentejo, em caso de conflito de usos dos recursos hídricos, a prioridade recai no abastecimento público.

No caso de serem detetados efeitos negativos no aquífero, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) terá legitimidade para “ordenar a interrupção das bombagens, podendo haver lugar a revisão ou revogação dos títulos de captação” de água.

A DIA determina a “requalificação do Açude da Murta e das linhas de água afluente” e refere que “a instalação ou funcionamento dos 20 ventiladores anti-geada ficará dependente” de uma avaliação.  

Segundo o documento, na consulta pública, foram recebidas 387 participações, a quase totalidade discordantes (384), enquanto duas foram favoráveis e uma de caráter geral. 

Participaram 372 particulares, 13 associações de defesa do ambiente – contra o projeto -, e duas empresas. 

As preocupações incidiram na viabilidade hídrica do projeto, na quantidade de água a retirar do aquífero, nos impactos na flora e fauna e na destruição ou alteração de habitats.

Também o impacto do funcionamento dos 20 ventiladores anti-geada na avifauna e as múltiplas versões do projeto, que previa uma cultura de abacates e foi reformulado para plantação de tangerinas, mereceram a discordância dos participantes.

A Câmara de Alcácer do Sal foi uma das entidades que manteve o seu parecer desfavorável, salientando que o mesmo “continua a apresentar riscos ambientais relevantes” e “incertezas quanto à sustentabilidade da exploração da massa de água subterrânea”.

O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), pode ler-se na DIA, concluiu que o projeto não deveria ser aprovado por se verificar afundamento progressivo generalizado na região de Alcácer do Sal e “um risco acrescido para a sustentabilidade dos recursos hídricos”.

Já o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) emitiu parecer favorável condicionado, considerando que, com as medidas previstas, pode ser assegurada a conservação das espécies e habitats protegidos.

Apesar de admitir que o projeto tem “potencial para gerar impactes negativos sobre os recursos hídricos”, a Administração da Região Hidrográfica do Alentejo/APA deu parecer favorável condicionado, alegando que “o cumprimento rigoroso das medidas de minimização” pode reduzir os riscos.  

A Águas Públicas do Alentejo (AgdA) defendeu que deve ser adotada uma abordagem prudente que assegure o abastecimento público, atendendo ao “equilíbrio ainda sensível” entre a água disponível e as necessidades do projeto.

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