Munícipes desalojados em Almada tiveram de mudar de espaço

Munícipes desalojados em Almada tiveram de mudar de espaço

Munícipes desalojados em Almada tiveram de mudar de espaço

Em fevereiro, na sequência das intempéries que assolaram Portugal, cerca de 500 pessoas tiveram de ser retiradas das suas casas no concelho

Várias famílias que ficaram sem casa devido às intempéries e derrocadas no concelho de Almada tiveram esta terça-feira de mudar de alojamento temporário, havendo casos em que o novo espaço é o quarto em cinco meses.

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Paula Cristóvão, que desde fevereiro está alojada em unidades hoteleiras pagas pelas Câmara Municipal de Almada, explicou, em declarações à agência Lusa, que as pessoas estão cansadas de mudanças sucessivas.

Esta terça-feira saiu de um ‘bungalow’ no Parque de Campismo Orbitur da Costa de Caparica, onde tinha condições para fazer comida, para um quarto com casa de banho na Charneca da Caparica, “onde nem um frigorífico existe para guardar os alimentos que tinha”.

“Vai tudo para o lixo. E como fazemos para tratar das refeições? É que onde estamos agora não temos direito a refeições, questiona, em declarações à Lusa.

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Esta é já a quarta mudança de local desde 05 de fevereiro, dia em que Paula Cristóvão e dezenas de outros moradores de Porto Brandão e da Costa da Caparica tiveram de abandonar as suas casas com poucos pertences devido ao deslizamento de terras na zona.

Almada é um concelho com muita procura turística, principalmente na Costa da Caparica, onde muitos dos desalojados se encontravam em unidade hoteleiras, que agora, com a chegada do verão, têm de responder a reservas já anteriormente assumidas.

O alojamento onde agora se encontra Paula Cristóvão está pago até ao dia 7 de julho, mas depois dessa data, explicou, não sabe o que a espera. Encontrar uma casa para alugar com valores comportáveis para a sua carteira tem sido uma tarefa “muito difícil”, perante anúncios de rendas acima dos mil euros.

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A munícipe diz que tem procurado habitação para alugar em vários concelhos, até agora sem sucesso.

Em fevereiro, na sequência das intempéries que assolaram Portugal, cerca de 500 pessoas tiveram de ser retiradas das suas casas no concelho.

Desde então a Câmara de Almada tem assumido os encargos do alojamento destas pessoas em unidades hoteleiras locais enquanto não são encontradas soluções mais estáveis, tendo a presidente da autarquia, a socialista Inês de Medeiros, assumido em reunião com os desalojados no início de maio que enquanto não tiverem casas para morar o município continuará a pagar a sua estada.

A permanência de desalojados em unidades hoteleiras e ainda as mudanças sucessivas foi um tema abordado recentemente em reunião da Assembleia Municipal de Almada, tendo a líder da bancada do PSD, Ana Ribas, indicado que os desalojados de Porto Brandão e da Costa da Caparica precisam de respostas e que a informação não está a ser passada às famílias de forma eficiente.

Ana Ribas referiu também que as famílias precisam de apoio para a procura de casa e que muitas delas não sabem como o fazer.

Numa resposta enviada à agência Lusa, a autarquia refere que o município “continuará a apoiar as famílias na procura de alternativa habitacional de forma a poderem rapidamente abandonar os alojamentos hoteleiros” e fez o ponto da situação dos desalojados.

Por motivos de gestão das próprias unidades hoteleiras, indica, tem-se verificado a necessidade de deslocação das famílias entre unidades hoteleiras, situação que se verificou novamente hoje, num contexto de pressão acrescida face ao início da época balnear.

Não obstante as dificuldades, adianta, foi apresentada pelo município às 21 famílias que se encontram nesta situação uma resposta de alojamento hoteleiro, estando atualmente dispersas por cinco alojamentos no concelho.

Desde abril que o município tem uma resposta contratualizada com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), no âmbito do Programa Porta de Entrada, com uma dotação financeira de 3,6 milhões de euros, que visa a integração das famílias desalojadas pelas intempéries em habitação no mercado privado, com um subsídio à renda durante um período de 18 meses, podendo ser prorrogável.

Um total de 21 famílias já foram integradas neste programa, enquanto outras tiveram já resposta definitiva no regime de arrendamento apoiado, quer em habitações pertencentes ao IHRU (três agregados), quer habitações municipais (quatro).

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem, entre janeiro e fevereiro, das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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