Evento vai contar com o secretário de Estado da Administração Local e representantes da administração regional e da academia, além de autarcas
O Cine-Teatro São João, em Palmela, acolhe ao longo desta terça-feira o forum “Península de Setúbal – Uma Visão Estratégica para a Região”, promovido pela Comunidade Intermunicipal (CIM). Trata-se do primeiro grande encontro público, organizado pela entidade criada em dezembro de 2025, e tem o objetivo de debater o futuro do território. O evento inicia-se pelas 9h00 e está confirmada a participação do secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado.
O governante vai intervir na sessão de encerramento, agendada para as 17h30, durante a qual está previsto ser traçado “pela primeira vez o guião dos próximos passos da região, agora que a CIM da Península de Setúbal desfez a década de integração em Lisboa que lhe limitou o acesso a milhares de milhões de euros de fundos europeus”, revela a entidade que integra os nove municípios da Península de Setúbal, em nota de Imprensa.
O evento vai juntar representantes “da administração regional, das autarquias, das universidades e dezenas de agentes do território, para definir uma agenda estratégica comum e preparar o posicionamento da região no próximo ciclo de fundos europeus”.
A Península de Setúbal esteve integrada, para efeitos estatísticos, na NUTS II da Área Metropolitana de Lisboa durante mais de uma década. O que custou a perda de milhares de milhões de euros ao território, conforme lembra a CIM no mesmo comunicado. “Avaliada pela média de uma das regiões mais ricas do País, foi classificada como ‘região desenvolvida’, por via dessa integração, ficando afastada dos fundos de coesão dirigidos às regiões mais pobres e com acesso a taxas de comparticipação financeira muito mais baixas. Esta distorção estatística custou ao território cerca de dois mil milhões de euros por cada quadro comunitário, como revela um estudo da AISET”.
Depois de ter conseguido obter de Bruxelas autonomia face a Lisboa com a criação das NUTS II e III Península de Setúbal, agora com a criação da CIM “a região passa a poder ser avaliada pela sua realidade e a aceder, no quadro comunitário pós-2030, a um programa regional próprio e a taxas de cofinanciamento mais favoráveis”.
“É essa nova realidade, bem como a estratégia para lhe responder, que estará no centro de um dia intenso de debates e que ganhará voz na sessão de encerramento”, salienta a entidade intermunicipal. A intervenção do vice-presidente do Conselho Intermunicipal, Paulo Silva, será “dedicada à construção da Agenda Estratégica Regional, o documento que fundamentará a negociação dos fundos”. Seguir-se-á a intervenção do secretário de Estado da Administração Local, que a CIM espera que reflicta “a visão da tutela sobre o futuro da região, num momento decisivo para a concertação estratégica que a Península de Setúbal pretende alcançar”.