O recandidato à presidência da Distrital do Chega acusa o opositor, Nuno Valente, de faltar à palavra e alerta para os perigos da vaidade individual na liderança política
As eleições para a Distrital de Setúbal do Chega estão agendadas para o próximo dia 28. Em entrevista conjunta a O SETUBALENSE e à Rádio Popular FM (90.9) – que irá para o ar (na íntegra) nesta sexta-feira a partir das 12 horas –, Nuno Gabriel explica as principais razões que o levam a candidatar-se a um segundo mandato. Aponta à necessidade de estabilidade interna e diz que, caso vença as eleições, passará a ter “finalmente uma equipa de nove elementos”.
E não deixa de lançar algumas críticas à candidatura liderada por Nuno Valente.
Quais as duas principais razões que o levam a recandidatar-se à presidência da Distrital de Setúbal do Chega?
São várias, mas acho que a estabilidade e a continuidade deste projeto distrital, iniciado há alguns anos e que se foi consolidando com resultados práticos nas cinco campanhas [eleitorais] que tivemos em menos de quatro anos de mandato, é importante. É importante uma continuidade e uma consolidação deste projeto já iniciado e não um outro que venha a iniciar-se. O que subjaz a estas eleições é o partido, acho que o partido tem de estar à frente de qualquer projeto mais pessoalista. É a forma como vejo estas eleições.
Como pensa gerir as divisões internas e alcançar essa estabilidade?
Muito simples, da mesma forma como tenho gerido até aqui. Tenho, ao longo destes quatro anos, muitas vezes ficado em silêncio, em questões com as quais às vezes não concordo, porque vejo que se as expusesse publicamente iria, de alguma forma, trazer uma má imagem ao partido, não a mim. Portanto, a estabilidade tem de ter duas vias. O que lhe posso dizer é isto: se eu não vencer as eleições, a lista vencedora terá todas as condições para exercer o seu mandato. O mesmo espero eu, vencendo as eleições, do outro conjunto de pessoas. A instabilidade cria-se muitas vezes por motivos mais pessoais e menos políticos.
O senhor afirmou que faria, ou fará, campanha pela positiva. Só que, entretanto, acusa o seu opositor, Nuno Valente, vereador da Câmara do Montijo, de não ter palavra. Isto não lhe parece um contrassenso?
A política são compromissos. Houve uma conversa entre nós, em que estabelecemos um compromisso, para que ele me acompanhasse na comissão política, na minha lista, porque eu queria uma lista unificadora que permitisse a tal estabilidade. Eu cumpri a minha parte. Quando olho, como militante, para a possibilidade de uma lista vencedora ter à frente uma pessoa que não cumpre compromissos… Hoje em dia, gerir pessoas, sensibilidades, ambições é uma coisa que requer alguma sensatez e alguma experiência. E é isso que tenho para oferecer. Não vejo na outra lista que o possam ter com a mesma grandeza.
Uma coisa é fazer a campanha pela positiva, e tenho-a feito. Outra coisa é eu achar que os militantes devem saber a verdade. Independente dela ser positiva ou negativa. Eu lido muito bem com a verdade. Fazer a campanha pela positiva não significa que eu não diga as verdades. E acho que esta é uma verdade relevante. Faço um apelo para que no dia 28, entre as 10 e as 19 horas, vão ao Barreiro, à Avenida Alfredo da Silva, número 69, escolher o projeto que querem: a continuidade, a estabilidade, ou algo diferente que não sabemos o que é.
Em que se diferencia a equipa que lidera da equipa que Nuno Valente apresenta?
A equipa que lidero está plenamente identificada com o distrito, com as suas dificuldades, está motivada. Olhe, pode parecer estranho, mas não escolhi a equipa. Nós falámos e a equipa foi-se consolidando, foi-se fazendo conforme íamos falando. Tenho o privilégio de ter como vice-presidente a Cláudia Estevão e o João Mascarenhas de Lemos, que se mantém como vice-presidente para este mandato. Tive cerca de quatro anos de mandato, está a terminar, e nos últimos três não tenho tido a equipa com a dinâmica que gostava de ter. Agora vou passar a ter.
Olho para a lista do meu opositor, e sem fazer um juízo pessoal negativo de nenhum deles, não vejo o que poderão melhorar num projeto que há quatro anos é implementado no distrito com os resultados que se têm visto.
Propõe a criação de um plano anual de militantes para aumentar o número destes no distrito, também um plano anual de atividades, a realização de encontros temáticos em áreas como segurança, saúde, educação, mobilidade ou imigração. Porquê só agora, quando teve a possibilidade de o fazer neste mandato?
Mas, muito foi feito. Agora, passo a ter uma equipa, mais pessoas, passo a ter nove pessoas na comissão política, comigo incluído, é diferente de ter duas ou três. Portanto, aquilo que consegui fazer foi um pouco proporcional também à capacidade humana que tinha à data. Agora passo a ter uma equipa motivada, finalmente uma equipa de nove pessoas.
Qual é a sua posição relativamente à reivindicação da titularidade de cinco praias da Arrábida por parte dos donos da Herdade da Comenda, num processo que corre no tribunal?
Sou contra. Então agora vamos privatizar praias, porque se tem dinheiro? Então quem tem dinheiro compra praias e “agora aqui ninguém vem”? Mas estamos onde? Acho que o tribunal, permitam-me ter este positivismo, não permitirá que as belas praias de Setúbal sejam condicionadas à vontade de alguém que se arvora em dono de… “moro aqui em frente, tenho aqui quase um castelo, um palácio, e agora isto é meu”. Não é assim que funciona.