Encontro promovido pela associação AI9 contou com Carlos Cupeto, professor da Universidade de Évora que acabou de lançar o livro ‘Inteligência do Lugar: do colapso global à vida local’
A II Edição das Jornadas do Futuro, promovida pela AI9 – Associação Portuguesa para a Inovação e Empreendedorismo Social e Digital, que teve lugar este sábado na Casa da Baía, em Setúbal, colocaram a Serra da Arrábida no centro da reflexão sobre Biodiversidade, que foi o tema do encontro deste ano.

A iniciativa trouxe a Setúbal o geólogo Carlos Cupeto, professor da Universidade de Évora que acabou de lançar o livro ‘Inteligência do Lugar: do colapso global à vida local”. O académico manteve uma conversa com uma assistência interessada sobre a tese que vem defendendo há anos; a importância do lugar – do território – como elemento essencial de sustentabilidade que precisa de ser defendido e pensado com inteligência.
“As pessoas fazem o lugar e os lugares fazem as pessoas”, atirou Carlos Cupeto, entre as muitas afirmações que prenderam os ouvintes. Disse também que “o vagar pode ser depressa, é o tempo certo, é [por exemplo] o tempo que uma semente leva a germinar”, e que “o futuro não tem segredo nenhum; é o resultado do que fazemos hoje”. O geólogo avisou que “o bem mais escasso do nosso planeta é o território, porque temos o sobrepovoamento” e sublinhou a importância de preservar o lugar onde vivemos, destacando a identidade sadina. “Setúbal não é só Arrábida, é um pacote”, exclamou, exemplificando com o Moinho de Maré da Mourisca, que considera algo que “não tem preço”.
Com a metáfora dos limões do chile que nos chegam ao supermercado a 1,90 euros o quilo e das viagens de avião para Londres a 30 euros, Carlos Cupedo deixou claro que “alguma coisa não bate certo” na globalização. No entanto, admite que “o global não é nosso inimigo” e que nos traz “muitas coisas boas”.
Esta segunda edição das Jornadas do Futuro, que tiveram como mote “Arrábida: um território vivo para pensar o futuro da biodiversidade” contaram também com Miguel Rosado e Gonçalo Rainha, membros da Comissão Técnica da Arrábida Biosfera, como oradores.
A mesa-redonda que juntou os três convidados numa reflexão sobre ‘Biodiversidade em ação: como alinhar territórios, economia e comunidade” teve como moderador João Couvaneiro, presidente do Conselho Científico da AI9.
Na sessão de abertura das jornadas, o presidente da associação defendeu a importância da biodiversidade com a ideia de que se trata do “sistema operativo do nosso planeta”. Tiago Oliveira também apresentou os Prémios António dos Reis 2026.
António Manuel dos Reis (1942-2023), primeiro presidente da AI9, foi relembrado pelo atual dirigente da associação como “um construtor de pontes no Saber” e a família, através do filho, ajudou também a recordar a figura do homenageado. “Era um visionário, de facto, e nós, família, tivemos experiências com ele muito à frente do seu tempo e só agora é que percebemos isso”, partilhou Pedro Reis.
Entre outras, António Reis tinha uma extraordinária capacidade de inovação, tendo, logo em 2004, mostrado ao mundo do ensino como as videoconferências eram uma excelente ferramenta para eliminar distâncias.