Luciana Amieiro: “Mercado Caramelo tem impacto visual estrondoso. Trabalhamos todos por amor à camisola”

Luciana Amieiro: “Mercado Caramelo tem impacto visual estrondoso. Trabalhamos todos por amor à camisola”

Luciana Amieiro: “Mercado Caramelo tem impacto visual estrondoso. Trabalhamos todos por amor à camisola”

A vice-presidente da Confraria da Sopa Caramela revela que a edição deste ano vai contar com mais de 120 expositores. São esperados 80 mil visitantes. Centenas de pessoas voltam a trajar-se a rigor

Da corrida de carrinhos de rolamentos, às batatas ensalsadas, passando pela à caça aos gambuzinos, pela benção de animais, pelo namoro à janela, tudo é perfumado pelo aroma da sopa caramela – “rainha da festa” – e vivido com vestes a rigor, que constituem marca identitária de Pinhal Novo. Em entrevista a O SETUBALENSE e à Rádio Popular FM, Luciana Amieiro, vice-presidente da Confraria da Sopa Caramela, antecipa a 11.ª edição do Mercado Caramelo que está de regresso de 8 a 10 de maio.

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O que o público vai encontrar de novo ou de diferente na 11.ª edição do Mercado Caramelo?
Este ano temos, se não a maior, uma das maiores em número de expositores, para cima de 120 stands de artesanato, gastronomia, decoração, trabalho ao vivo. Vamos ter uma dinamização enorme nos três dias de mercado. Além de tudo aquilo que costumamos dinamizar com as associações, com a comunidade escolar, que nos trazem imensas atividades, ateliers, oficinas e animação. Vamos ter também aquela que já é conhecida como a melhor corrida de carrinhos rolamentos da região, o bailarico ao final do dia, a benção dos animais, também muito característica, entre outros.

Impõe-se falar da sopa caramela. Qual é o segredo da receita?
É a rainha da festa. A receita não tem segredos, está no site da confraria. Agora, cada mão tem a sua maneira de fazer a sopa. O que interessa é o amor, a dedicação com que se faz a sopa, os ingredientes frescos, os ingredientes da época, associados àquilo que havia na altura, na região, e àquilo que era possível plantar e colher. Havia sopas mais ricas, havia sopas mais pobres…

Numa sopa mais pobre, mais condizente com os tempos mais remotos, que ingredientes não poderiam faltar?
A batata, o feijão, a couve, a carne do porco, que era criado pelas próprias pessoas e que era a base. Hoje em dia pomos o lombo, o toucinho, o chouriço, se calhar, infelizmente, à época, não se conseguia ter um lombo, podia-se ter só um chispe ou ter só um pouco de orelha [de porco].

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Quais os momentos altos que ninguém pode mesmo perder?
A gincana, a corrida de carrinhos de rolamentos, a caça aos gambuzinos já são pontos altos do próprio mercado, o velório caramelo, o médico que vai à aldeia, temos os círios e os gaiteiros que fazem a animação musical durante todo o dia, vão circulando pelo mercado… E dentro do Mercadito [dirigido aos mais novos] temos o desfile dos caramelos.

E uma vasta oferta em termos gastronómicos.
Sem dúvida. Estamos a trabalhar aqui com 20 tabernas, mais ou menos, em que não pode faltar a sopa caramela, as batatas ensalsadas, o abafadinho, o pão cabeçudo, as filhoses da avó, temos aqui uma riquíssima gastronomia para se provar. E os vinhos da região não podem faltar também. A animação é a cereja no topo do bolo.

Como é que a população adere ao uso do traje caramelo?
Temos uma grande adesão, tanto o comércio como a própria comunidade em si têm gosto em trajar, em adequar-se à época. Temos muita oferta de trajes caramelos, o próprio mercado tem um roupeiro em que aluga os trajes caramelos. Temos muitas costureiras dentro do Pinhal Novo a fazer os próprios trajes. Há vaidade da população em se trajar.

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Estamos a falar à volta de quantas pessoas trajadas a rigor?
Temos à volta de 80 mil visitantes durante os três dias do evento e centenas de pessoas trajadas, para não dizer milhares. Tem um impacto visual estrondoso. Começámos no início do ano a preparar o mercado e a trabalhar os trajes.
Há aqui muito empenho de toda a comunidade. Estamos a trabalhar muito com a comunidade escolar, com o associativismo da freguesia, que também tem a preocupação de se inserir e de procurar oferecer-nos uma vasta dinâmica de atividades.

E isso sai do bolso das próprias pessoas que querem participar?
Sim. Todos nós trabalhamos de borla. Todas as associações estão a trabalhar pro bono. Todos trabalhamos por amor à camisola.

Têm alguma perceção sobre o impacto que o Mercado Caramelo tem na economia local, no turismo da região?
Temos imensas empresas e instituições a apoiar o Mercado Caramelo. Isso faz com que haja uma visibilidade da indústria e do comércio e de todo o desenvolvimento da região. Temos à volta de 130 patrocinadores, das mais diversas formas, seja de forma financeira, seja em mão de obra, seja em materiais. Temos um vasto leque de apoio de empresas das mais diversas áreas. E isso também faz com que o mercado e a região se desenvolvam. O Mercado Caramelo começa a ser conhecido a nível nacional e até internacional, o que faz com que a região também seja mais conhecida.

Com mais de 120 stands, ainda é possível o evento crescer mais?
Não creio. Não conseguimos expandir-nos para muito mais que o Largo José Maria dos Santos e a Praça da Independência. Não é fácil conseguir crescer muito mais do que isto, porque estamos limitados ao espaço envolvente que temos no Largo José Maria dos Santos, na Praça da Independência. E também não é essa a intenção do mercado, porque depois vamos perder a autenticidade, vamos perder a comunidade e aquele ambiente familiar que se vive. Estamos muito perto do limite da capacidade máxima.

É difícil encontrar nos dias de hoje artesãos que ainda dominem as artes dos seus ofícios para estarem presentes?
Sim, de ano para ano nota-se que não é fácil encontrar aquele artesão com aquele projeto ainda adequado aos métodos antigos que nós tentamos sempre trazer. Tentamos sempre preservar e valorizar esses artesãos. Por exemplo, procuramos sempre ter alguém a trabalhar ao vivo o barro, o ouro, a cortiça… são trabalhos que começam a ser difíceis de se encontrar.

Em termos de atividades, o que faltou dizer sobre esta edição?
Dizer que, tal como nas edições anteriores, temos uma homenagem a alguém importante da região. Este ano vamos homenagear a família Morais. Dizer que a nossa Casa Caramela está em remodelações e que estará lá para termos a panela ao lume, para receber o fabrico do queijo e dos chouriços. E o namoro à janela.

Se tivesse de convencer alguém que nunca visitou o Mercado Caramelo, o que diria?
Imaginem a vossa infância, imaginem os bons momentos que viveram na rua e os bons momentos que viveram em ambiente familiar, num espaço aberto, ao ar livre, em que podemos vivenciar experiências daquilo que foi o nosso passado, que estamos cá para vos receber.

N.d.R.: Esta entrevista está disponível na íntegra aqui.

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