Responsável quer colocar a freguesia “no século XXI” e explica que uma das prioridades do executivo é a higiene urbana
O presidente da União das Freguesias de Setúbal revela que a junta de freguesia já conseguiu pagar dois terços da dívida que o anterior executivo deixou – no valor de 200 mil euros –, tal como revelou a O SETUBALENSE em novembro do ano passado.
“Posso dizer que ao dia de hoje já pagámos dois terços da dívida que nos foi deixada – já temos menos de 100 mil euros da dívida. É claro que isso reflete também um pouco na ausência de alguns investimentos que precisávamos ter feito, mas entre fazer investimento e não pagar o que devíamos pagar foi uma opção deste executivo”, adianta Nuno Cruz a O SETUBALENSE.
Além disso o responsável queixa-se da falta de informatização de processos. “Faltavam muitos procedimentos, faltavam regulamentos, tivemos de dar respostas todos os dias a fornecedores que nos entravam na junta de freguesia e que nos questionavam constantemente quando é que fazíamos os pagamentos das faturas”.
Volvidos praticamente cinco meses do início do mandato Nuno Cruz aponta algumas das tarefas que já foram feitas, com o objetivo de colocar a freguesia “no século XXI”.
“Felizmente hoje começamos a ter uma junta estruturada. Vamos agora aprovar o novo organograma da junta de freguesia, que vai tornar toda esta estrutura mais leve e mais prática, e vamos criar procedimentos que não existiam. Estamos a refazer todo o nosso plano de higiene e segurança do trabalho, a criar um plano de formação e um plano de carreiras. Tudo isso são coisas que demoram tempo e que também nos tiram foco de outros tipos de obras que já podíamos estar a apostar. Mas se queremos ter uma junta de freguesia que seja eficiente, que dê resposta rápida aos fregueses, temos primeiro de arrumar a casa, colocar, como costumo dizer, esta freguesia no século XXI”.
A relação com a Câmara de Setúbal, garante, tem sido de diálogo “constante” e uma “relação institucional”. Para muitas questões é utilizado um gabinete da autarquia “para tratar todas as relações relacionadas e todos os assuntos relacionados com a freguesias” que “funciona bem”.
Transferências de competências vai ajudar na higiene urbana
Na semana passada foi aprovado, em reunião pública do executivo camarário, a transferência de uma verba de 2,2 M€ para a união das freguesias, dinheiro que, explica o presidente daquela autarquia, vai permitir prosseguir com o trabalho na higiene urbana.
“Este valor vai dar continuidade a tudo aquilo que já vinha do auto de 2021, nomeadamente a higiene urbana, a manutenção dos jardins e espaços verdes, a manutenção do parque escolar, das pequenas intervenções – tudo o que está relacionado também com arranjos de calçadas e outros equipamentos em via pública. Diria que a nível da UF de Setúbal e deste novo contrato, a grande alteração é que o município de Setúbal – e aceitámos na negociação –, volta a ter uma parte do território sobre as suas competências, nomeadamente sobre a zona da Avenida Luísa Todi, a baixa comercial e a frente ribeirinha, em que a questão da higiene urbana volta para a Câmara de Setúbal. Vamos dedicar-nos ao máximo para que respondamos às expectativas dos municípios no resto do território”.
Entende que a manutenção do espaço público é um fator importante e que estão a ser feitas pequenas intervenções na zona de Casal das Figueiras, como novas calçadas para dar “mais segurança às pessoas que saem dos autocarros” e que já estão identificados outros bairros em que vão decorrer intervenções nos próximos meses. A limpeza da cidade é uma prioridade para Nuno Cruz.
“A melhor obra que podemos fazer neste momento é voltarmos a ter a nossa cidade limpa, uma cidade em que todos nos orgulhamos, portanto nós neste momento estamos a repensar o modelo de intervenção ao nível da higiene urbana, vamos fazer a aquisição de novas máquinas de apoio à limpeza para melhorar a eficiência dos nossos trabalhadores. Vamos adquirir, brevemente, uma máquina de limpeza de alta pressão para começarmos a lavar as nossas calçadas, que estão extremamente sujas e essas são para nós, neste momento, uma prioridade”.
O pólo operacional da junta de freguesia é uma das obras que o presidente refere como importante. “Temos os nossos projetos que gostávamos de implementar, o nosso grande sonho neste momento é fazer o pólo operacional – como tem São Sebastião, como fez agora Gâmbia-Ponte-Alto da Guerra, como tem Azeitão. Infelizmente continuamos a não ter um pólo e vivemos de instalações alugadas. Também temos o sonho de fazer um auditório, fazer a renovação da nossa junta de freguesia – que já começa a dar os sinais dos cerca de 40 anos que tem – e queremos dar condições de trabalho aos nossos trabalhadores, portanto são obras que estão na nossa mente avançarmos”.