Vasco Fernandes: “Vamos lançar o ‘Cheque Bebé Aldeano’ e consultas de psicologia para a população”

Vasco Fernandes: “Vamos lançar o ‘Cheque Bebé Aldeano’ e consultas de psicologia para a população”

Vasco Fernandes: “Vamos lançar o ‘Cheque Bebé Aldeano’ e consultas de psicologia para a população”

São mais duas medidas sociais, a juntar ao serviço de apoio jurídico que começará a funcionar em maio. O presidente da junta assume ainda que o Afonsoeiro é prioridade

Vasco Fernandes, 36 anos, eleito presidente da Junta da União das Freguesias de Montijo e Afonsoeiro pelo movimento independente Montijo com Visão e Coração, analisa os primeiros seis meses de mandato. Em entrevista a O SETUBALENSE e à Rádio Popular FM (90.9), o autarca revela as próximas medidas a implementar, realça a boa situação financeira da junta deixada por Fernando Caria e deixa implícito que o seu antecessor não teve igual sorte na Câmara. As escolas e o Afonsoeiro são prioridades.

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Que balanço faz a estes cerca de seis meses de mandato na presidência da junta?
Tem sido um desafio muito positivo. A minha vida e a dos que estão comigo no executivo deu uma volta de 180 graus, não pelo tempo que estamos dedicados, mas por ser uma experiência diferente. Estes seis meses têm sido de descoberta, de exploração, de procurar como é que podemos implementar o nosso programa eleitoral e tem sido muito positivo nesse sentido. Temos conseguido criar pontes também entre a comunidade e temos estado presentes. Creio que isso tem sido uma marca nestes últimos seis meses.

Como definiria o cenário em que encontrou a junta, que nos últimos três mandatos foi liderada precisamente por aquele que é hoje o presidente da Câmara Municipal, Fernando Caria?
Encontrei a junta numa boa condição financeira. Posso dizer que o presidente Fernando Caria facilitou-nos a vida nesse sentido. Acho que a vida dele não está tão facilitada na Câmara Municipal e isso também tem consequências agora no nosso projeto a quatro anos. O presidente Fernando Caria passou-nos bem as pastas, explicou-nos bem como é que as coisas funcionavam e, portanto, este pequenino estágio que tivemos com ele funcionou muito bem. Não temos nada a apontar.

Não houve nenhuma surpresa negativa?
Não posso dizer que tenha encontrado alguma surpresa negativa. Posso dizer que há algo que me preocupa muito, que é a execução do PRR, porque tem prazos bastante apertados. Neste momento temos duas obras a decorrer (o polidesportivo do bairro da Caneira e o polidesportivo do bairro do Esteval), fruto do PRR, e isso é uma situação que nos preocupa, porque pagamos e recebemos o reembolso à medida que a obra vai sendo executada. Fazer face financeiramente a duas obras ao mesmo tempo e o facto dos reembolsos demorarem mais ou menos um mês e com os prazos que temos e os atrasos que sempre ocorrem, como aconteceu com as intempéries… só o facto de chover já vai prejudicar uma obra.

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Disse atrás que sentiu a vida facilitada com a herança recebida, ao mesmo tempo afirmou que Fernando Caria na Câmara Municipal não teria tido essa facilidade. Referia-se concretamente a quê?
Às condições financeiras que a Câmara tem ou poderá vir a ter.

A situação financeira da Câmara não é como vinha a ser “pintada” até agora? Ou seja, a Câmara tem problemas financeiros?
Neste momento, não posso afirmar isso, porque não tenho conhecimento total. O que posso dizer é que a Câmara deveria ter melhores condições e estar mais bem organizada em termos do que são os seus gastos e os seus serviços. Mas, não faço parte da Câmara, faço parte da junta.

Como é possível à junta casar as necessidades de Montijo e Afonsoeiro, dois territórios um pouco diferentes?
Sempre disse que não faz sentido pensarmos em desagregar freguesias. Agora, faz sentido pensar que a zona do Afonsoeiro foi muito abandonada nos mandatos anteriores, em especial pela Câmara. E as pessoas estão muito insatisfeitas, dizem que querem a freguesia do Afonsoeiro de volta…

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Isso não é uma crítica implícita, embora mais ligeira, também a Fernando Caria?
Não faço de forma crítica a Fernando Caria, tendo em conta as poucas condições que ele tinha quando estava a gerir esta junta. Mesmo com as poucas condições que tinha, em termos de limpeza, enquanto a competência pertenceu até final de 2024 à junta de freguesia, as pessoas não se queixavam.

Portanto, é uma crítica única e exclusiva à gestão anterior da Câmara?
Sim. Não é uma crítica ao meu antecessor agora presidente de Câmara, mas posso dizer que podia ter feito mais pressão junto da Câmara Municipal para conseguir mais coisas para o Afonsoeiro. Agora, isso é muito relativo, o presidente da Câmara recebe-nos, nós dizemos que tem de se fazer mais, ele diz que sim, que vai pensar no caso e depois não pensa. É uma situação muito complicada. O Afonsoeiro é para mim uma prioridade.

A junta anunciou o serviço de apoio jurídico para os fregueses, a implementar já em maio, que irá funcionar quer no Montijo quer no Afonsoeiro. Está tudo a postos? Que outras medidas se seguem?
Foi a nossa primeira grande medida. Sabemos que o acesso a consultas jurídicas tem um valor muito elevado para a maior parte dos cidadãos. Estas consultas são gratuitas, o financiamento vem totalmente da junta. Será uma vez por mês no Montijo e uma vez por mês no Afonsoeiro. A ficha de inscrição e as instruções estarão disponíveis no nosso site para a semana. Além deste apoio jurídico, temos pelo menos mais duas ou três possibilidades de parceria que estamos a construir para facilitar e ajudar a população, como a criação do “Cheque Bebé Aldeano”, um apoio à natalidade, num valor a rondar os 50 euros, para usar em farmácia na compra de um kit já desenhado que vai conter produtos para o bebé. Será, espero, já a partir de 1 de junho.

Que outras medidas espera concretizar ainda em 2026?
Além destas duas, estamos também a construir uma parceria para se disponibilizar consultas de psicologia, tal como as de apoio jurídico. Também gratuitas ou semigratuitas. Estamos a estudar como será. Também estamos a construir um megaevento para 31 de maio, que antecede o Dia da Criança, dedicado às famílias e às crianças. Será no Parque Municipal, com um programa cultural diverso e posso já adiantar que, como artista principal, teremos o Avô Cantigas. E estamos também a organizar as Festas do Afonsoeiro, que são também uma prioridade.

Em que pé está o processo de transferência de competências do município para a junta?
Estamos em fase de conversas mais informais. Há competências e financiamento que o presidente pretende passar para as juntas e é nessa base que estamos a começar estas conversas. Sei que o plano do presidente é fazer um conjunto de visitas a todas as freguesias para construir uma proposta para discutir com cada junta. Há, inclusive, a vontade de passar para as juntas parte das verbas de publicidade [arrecadadas pela Câmara], que é algo que se vê noutros municípios.

O que não gostaria mesmo de deixar de concretizar quando terminar este mandato?
Uma das maiores prioridades para mim é sempre a questão da educação e das escolas. Ainda que nós não tenhamos uma relação naquilo que é construção ou reconstrução de escolas, temos feito muita força junto da Câmara para que as escolas tenham condições. E deixar aqui um elogio muito grande ao vereador Ilídio Massacote, que tem a pasta da educação, a qual é definitivamente uma prioridade tanto para ele e para o executivo [municipal] como para mim.

N.d.R.: Esta entrevista está disponível na íntegra aqui.

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